Feeds:
Posts
Comentários

Posts com Tag ‘Porsche’

Circuito de La Sarthe, amanhecer de 24 de junho de 1951. Edmond Mouche contorna mais uma vez Le Tertre Rouge, dessa vez sem nenhum farol alto na sua traseira – logo começaria a cruzar os longos seis quilômetros da Ligne Droite des Hunaudières. Tão logo entra na reta o piloto leva o carrinho de alumínio de encontro à margem direta da pista, atitude nobre que adota para deixar aos competidores mais velozes um traçado livre. A reta longa recém recomeça e, enquanto o carro lentamente se aproxima dos 160 km/h, o corpo vai acusando o cansaço acumulado. Mouche se movimenta no banco, ergue o braço esquerdo, fecha e abre a mão. O sangue circula e ele confere os mostradores de pressão do óleo e nível de combustível, projetando quantas voltas ainda terá que realizar até entregar a direção para Auguste Veulliet e poder, enfim, se esticar um pouco.  Uma neblina deixa o horizonte da cor do carro #46. Através dela ele enxerga se aproximar a Mulsanne, um cotovelo que encerra a grande reta. Mouche olha para o seu único espelho e volta ao traçado para depois, habilmente, começar a diminuir a velocidade usando os quatro tambores e a sua caixa de marchas. Contornado o cotovelo, viriam os demais desafios da longa pista de 13.492 quilômetros – depois de tudo, novamente na longa reta, o cansaço lançaria a sua luz alta.

Le_Mans_1951

*********************************************

suicidal-tendencies-blog-porsche-logo-black-and-white-126599

O final da década de 40 foi um marco para os Porsche. Em 1949 eles puderam retornar para Stuttgart, onde consolidaram uma nova marca de carros que viria a ganhar status de ícone mundial – Ferdinand Porsche e seus familiares estavam desde 1944 refugiados em Gmünd, esperando pelo fim da guerra em uma fazenda austríaca. Em 1946 fundaram a Porsche, num primeiro momento consertando jipes, tratores e máquinas agrícolas. Em 1947 Ferry Porsche, inspirado no conceito do Cisitalia 1100, decidiu construir um esportivo sobre a plataforma do Volkswagen (fusca).

Nasceriam os projetos 356/1 e 356/2, ambos construídos em alumínio. O primeiro, um esportivo conversível de dois lugares com motor entre-eixos e um leve chassi feito de arranjos de tubos metálicos; o segundo, em estilo berlineta, com espaço para bagagem e banco traseiro, construído sobre a conhecida mecânica Volkswagen.

Porsche_356_Nr._1_Roadster_1948

356/1 – protótipo inspiraria o futuro 550

O primeiro projeto, embora revolucionário, ficaria na fase do protótipo devido ao alto custo final. O segundo viria a tornar-se um dos carros mais desejados ao longo dos anos.

356-2-Gmund

356/2 – Construídos com itens dos Wolkswagen

Em Gmünd foram construídos, entre 1947 e 1949, aproximadamente 50 modelos 356/2. Estes eram artesanais, feitos muitas vezes com sobras de guerra e peças vindas da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg – em 1950, já em Stuttgart, uma linha de produção mais eficiente seria implantada (e o alumínio abandonado).

Em outubro de 1950, no Paris Salon de l’Automobile, foi feito um convite formal para que os novos esportivos participassem da próxima edição das  24 Horas de Le Mans, que ocorreria nos dias 23 e 24 de junho de 1951. Para divulgar o produto e alavancar as vendas, Ferry Porsche decidiu inscrever dois carros na categoria 1.100cc. Era o retorno do sobrenome às pistas – Ferdinand Porsche, falecido em janeiro de 1951, foi um dos capitães das emblemáticas Auto-Union e Mercedes do pré-guerra .

1951-le-mans-24-hours-flyer

Dois modelos produzidos ainda na Áustria, o chassi 356/2-055, marcado com o número de corrida 47, e o chassi 356/2-063, com o 46, foram levados para a prova. Durante os treinos o #47 acabou avariado, não podendo ser recuperado a tempo. Isso fez com que a Porsche fosse apenas com uma força para a sua estreia nas pistas, sendo o carro pilotado pelos franceses Auguste Veuillet e Edmond Mouche .

le-mans-51

Estes dois carros foram especialmente preparados: os freios por tambor ganharam sistema hidráulico, substituindo os cabos dos carros produzidos na Áustria; a carroceria teve as rodas cobertas, herança das flechas-de-prata do pré-guerra; o motor teve que atender aos requisitos da classe 1100 cc de corrida, reduzindo a cilindrada do boxer Volkswagen de 1131 cc para 1086 cc, aspirado por dois carburadores Solex 32 PBI, levando com confiabilidade o carro de cerca de 640 kg a velocidades próximas aos 160 km/h.

1951-Porsche-356-SLPorsche-Museum

Sucesso surpreendente já em sua primeira aparição. Ao final da prova, Auguste Veuillet e Edmond Mouche levariam o time a vencer pela primeira vez, triunfando na sua classe e ficando em vigésimo na geral. Percorreram ao total 1.765 milhas, conseguindo terminar à frente de todos os carros da classe 1500 cc. Era o primeiro triunfo alemão em corridas após a Segunda Guerra, e a equipe repetiria o feito no ano seguinte, terminando em décimo-primeiro na geral.

Nascia o belo casamento da Porsche com as competições de longa duração.

1951-les-24-h-du-mans-bd

Este carro, o de chassi número 55, atualmente repousa no acervo de uma bela coleção.

Porsche_356_1951_alu_Le_Mans_coupe_IMG_7378_Porsche_Museum_Joachim_Gruchot

P.S.: A primeira parte, em itálico, é apenas um delírio meu.

Bônus:

Clicando aqui você confere a características técnicas do 356/2-55 da Mans/51, no site da Porsche.

Clicando aqui você confere um radar de busca dos cerca de 50 carros produzidos em  Gmünd/Áustria.

Bibliografia que usei para escrever esse post:

Livro;

Sandler, Paulo Cesar – Porsche. O homem, o mito, o carro.

Sites; (todos acessados entre 26 e 29 de abril de 2013)

Ficha da prova de 1951 -> http://www.lemans-history.com/provas.php?ano=1951

http://www.porsche.com/

http://histomobile.com/

http://autoconcept-reviews.com/

http://www.ultimatecarpage.com/

http://legacymotorsport.com/

Read Full Post »

Faleceu o neto do homem.

Ferdinand Alexander Porsche, ou Butzi Porsche.

Responsável pelo desenho do amado modelo 911, de 1964, a evolução do projeto que nasceu como 901.

Qual o mérito de Butzi?

Seu avô criou o fusca. Seu pai, Ferry, fundou a Porsche e moldou o imbatível 356. Butzi assoprou a brasa, criando um veículo que não só substituiria o 356 como viria a ser a cara da empresa da família, um modelo que ninguém tem coragem de descaracterizar.

Ele faleceu após 76 anos de vida. Que vida não deve ter tido, não é? Viu seu genial avô sofrer todo o complicado processo após a segunda-guerra e ser reconhecido; viu seu pai começar um dos negócios de família mais marcantes do mundo; viu seu país se reerguer e viu sua cria máxima tornar-se um ícone sobre rodas e um vencedor nas pistas.

Abaixo um vídeo que sempre emociona: Steve McQueen e seu 911, no começo de Le Mans. Se ainda não se apaixonou pelo carro, esta é a hora.

Read Full Post »

O Porsche da Janis

Talvez ela preferisse uma Mercedes, mas todos os amigos dirigiam Porsches…

Um belo 356, certamente fez a roqueira muito feliz.

E o Serguei, será que andou nele?

Read Full Post »

A cena não deve ter sido muito diferente desta que aqui invento. Um Ferdinand Porsche, já nos seus 75 anos de idade, e Ferry Porsche, após receberem uma bela notícia, pausam os estudos do primeiro 356 para abrir uma garrafa de vinho – Num veloz circuito francês um recorde de distância percorrida era quebrado por um protótipo, feito a partir de destroços de suas criações durante a Segunda Guerra Mundial.

O responsável pelo feito foi Petermax Muller, alemão nascido em 1912 e entusiasta do esporte a motor. Com o término da Segunda Guerra Mundial, passou a criar protótipos a partir de veículos abandonados (É um dos pioneiros  na utilização da plataforma VW). Foram cinco veículos construídos depois de 1947. Com eles, Muller tornou-se campeão alemão em 48 e 49, vencendo mais de 60 provas com esses carros.

Seu maior feito foi realizado com um veículo singular, na França. Envolto por uma esguia carroceria, marcada com o número 41, sentado em um banco de avião da Primeira Guerra Mundial, conseguiu quebrar o recorde de velocidade na categoria das 1100cc, desbancando a local Equipe Simca, em Linas-Montlhéry Speed Ring, no ano de 1950.

O invocado streamline #41 data de 1950. Criado a partir de peças coletadas em uma fábrica bombardeada, nasceu sobre o chassi de um Kubelwagem com entre-eixos encurtado. Nele, um ex-fabricante de aeronaves moldou uma fluida carroceria composta da união de vinte chapas curvadas em alumínio, resultando num veículo com o peso que viria a ser mítico em relação aos modelos da Porsche, 550kg.

O maior segredo do “tosco” foguete prateado estava no motor, oriundo de um protótipo para uma lancha de assalto encomendada pelos nazistas na metade da década de 40. Era um 1100cc padrão dos Kubelwagen, porém envenenado. O bloco era polido internamente, com pistões retrabalhados que aguentavam alta compressão, já com câmaras hemisféricas e válvulas inclinadas. Cada um dos quatro cilindros era alimentado separadamente por um carburador próprio, que injetava metanol, e precisavam ser refrigerados por uma ventoinha redesenhada – ventoinha que acabou inspirando o futuro arrefecimento dos Carrera.

Esse motor impulsionava o protótipo a velocidades superiores aos 200km/h. Com o retrabalho, subia de pacatos 25 para 56 cavalos, mas os freios permaneciam com o original sistema de tambor nas quatro rodas, de aço com o peso aliviado por meio de furos na lateral e calçadas em finos pneus diagonais da época – uma temeridade.

O protótipo #41 estava cedido pela família de Muller ao Museu da VW em Wolfsburg, até ser adquirido e virar item do Museu de Protótipos de Hamburgo.

Antes de ser exposto na nova casa, foi totalmente desmontado e revisado. O motor, há muito adormecido, recebeu atenção total do mecânico especializado em Porsche de auto-desempenho, Andy Prill. A grande quantidade de invenções no pioneiro motor envenenado tornou-se um desafio para Andy, que com sucesso conseguiu devolvê-lo a sua velha forma. Mas o limite de rotações, que antes batia nos 80000 rpm, foi limitado em 4500rpm.

A carroceria não foi modificada, apenas pequenos alinhamentos e reforços na fixação das chapas foram revistos. As imperfeições causadas pelo trabalho manual durante a sua criação ainda são visíveis. A única grande mudança aconteceu  no sistema de alimentação do motor, que por segurança teve o tanque de metanol realocado. Do lado do motorista foi para a dianteira do protótipo, em seu lugar hoje descansa a bateria.

Embora a primeira tentativa de quebra do recorde tenha acabado em batida, quando um cachorro invadiu o asfalto de Hockenheim, depois de 34 horas e 2008 quilômetros percorridos, em 1950 Petermax Muller alcançava a sua vitória pessoal ao completar, no banco de avião da Primeira Guerra do seu fabuloso #41,  10000 quilômetros numa média horária de aproximadamente 124km/h.

Bibliografia para este post:

http://www.ultravw.com

The Samba – Forum VW

Revista Classic & Sports, dezembro de 2007

Read Full Post »

Museu em movimento

O Museu de Protótipos de Hamburgo será tema de alguns posts deste blogueiro nos próximos dias.

Antes mostro esse vídeo daquela turma, no melhor estilo “carro parado estraga”, que aqui no Brasil é compartilhado pelo Paulo Trevisan e seu acervo doido por asfalto.

Read Full Post »

Lembram daquele bravo carrinho que estava sendo preparado para a Mille Miglia 2011? (história aqui)

Olha ele todo pimpão largando aí!

Tiro o chapéu para aqueles que fazem as coisas acontecerem, um dia sigo o exemplo dessa turma.

Podemos acompanhar o que rola na competição pelo site:

http://www.1000miglia.eu/inglese/home.html

Read Full Post »

Abaixo, fotos tiradas no Museu de Protótipos de Hamburgo (www.prototyp-hamburg.de ), durante o último final de semana. Em exposição duas reconstruções: O sexto protótipo para testes do que viria a ser o Fusca (type 60), ainda feito completamente à mão na época, e o segundo Type 64 de três (ou quatro) fabricados.

Ambos saídos da cachola de Porsche, ambos de 1938, ambos reconstruídos.

Negro é lindo.

Read Full Post »

O ano de 1938 foi de intensa agitação no escritório do Dr. Ferdinand Porsche. Os protótipos do Volkswagen já andavam longas distâncias pelas ruas alemãs, retornando à base com relatórios que sugeriam mudanças e aperfeiçoamentos.

Enquanto buscava a versão definitiva do carro das massas de Hitler, Porsche encarou outro ambicioso projeto. Estava marcada para o ano seguinte (1939), uma prova pelas estradas que cobriam a distância de aproximadamente 1600 quilômetros entre Berlim e Roma. Era do interesse da indústria alemã seguir afirmando a sua superioridade tecnológica sobre os demais países, e o projeto foi encarado.

Utilizando o que tinha ao seu dispor, Porsche criou três protótipos batizados de Type 64. Nasciam os veículos identificados como 38/41, 38/42 e 38/43. Com formas fluidas no melhor estilo streamline da época, moldadas à mão em alumínio, sobre um chassis levíssimo, o carro sugeria velocidade e performance.

Compartilhando peças mecânicas e de acabamento com os protótipos do Volkswagen, Porsche idealizou um veículo equilibrado, com motor entre-eixos, tanque e dois estepes perfeitamente distribuídos. O motorista ia sentado quase no centro, tendo a bateria do seu lado. O motor era uma evolução do 1100cc de 22cvs. Com dupla-carburação, e motor retrabalhado, chegava próximo aos 55cvs que, somados a caixa longa, levavam o leve bólido a velocidades superiores a 150km/h. O velocímetro originalmente dos Kdf (VW pré-guerra) ganhou, inclusive, uma nova escala para as velocidades mais altas do Type 64.

Com a eclosão da segunda guerra mundial tudo mudou, e os três protótipos tiveram destinos bem diferentes.

O 38/41, primeiro protótipo com licença k45-240, foi completamente destruído em um ataque durante a guerra, tendo algumas partes resgatadas e guardadas pela equipe de Porsche.

O 38/42, de licença IIA0701, sofreu um forte acidente durante os testes de desenvolvimento.

Foi então totalmente reformado pela equipe de Porsche, com todos os melhoramentos que percebeu necessários durante os testes. Com a eclosão da guerra o veículo foi escondido em um galpão de uma escola de vôo, para depois ser encontrado por tropas americanas. Os americanos gostaram do brinquedo, serraram o teto e usaram o carro sem dó, até fundirem o motor e o largarem de mão. Quando a equipe de Porsche reencontrou o 38/42, ele estava tão destruído que não foi recuperado, mas suas partes foram preservadas.

O pouco restante foi comprado pela equipe do Museu de Protótipos de Hamburgo (www.prototyp-hamburg.de ), que o reconstruiu fielmente seguindo fotos e documentação de época nos últimos meses. Um belo trabalho de garimpo e construção de acabamentos e carroceria foi realizado, nas fotos abaixo um pouco da história do 38/42, até o resultado final no mês passado.

O 38/43, de licença T2-222, foi utilizado pela família Porsche durante muito tempo. Era ferramenta de divulgação da marca de esportivos que nascia, recebeu inclusive pela primeira vez a inscrição Porsche no capo, enquanto os primeiros 356 nasciam.

No ano de 1947 Ferry Porsche entregou o veículo para Pininfarina, para ser completamente recuperado. No ano de 1949 este veículo foi vendido para o piloto Otto Mathé como um Porsche, não mais como um protótipo Volkswagen, como nascera. Otto era piloto de motocicletas, mas um acidente em 1934 destroçou um de seus braços. O 38/43 teve inclusive a direção trocada de lado para se adequar as deficiências físicas de seu novo dono.

Com o 38/43 de chapa T2222 Otto venceu um Rallye internacional em 1950 e se fez presente em diversas provas da época, o aposentando no Festival de carros clássicos de Monterey do ano de 1982. Este carro permanece então nas mãos de um colecionador, exatamente do modo como Otto o deixou, após falecer, no ano de 1995.

**********

Bibliografia para esse post:

http://www.dieselpunks.org/profiles/blogs/lord-ks-garage-46-porsche

http://strangevehicles.greyfalcon.us/Porsche.htm

http://www.thesamba.com

Read Full Post »

No dia 27 de outubro de 2010 faleceu Paul Ernst Strähle, piloto nascido em Schorndorf- Alemanha, no ano de 1927. Paul teve sucesso em provas de longa duração, rallyes e subidas de montanha na europa. Em 1956 tornou-se vice campeão europeu de Rallye, em 58 foi campeão alemão e encerrou a carreira em 1963, vencendo os 1000km de Nürburgring pela quinta vez. Virou então chefe de equipe e passou a freqüentar provas de carros antigos com seu modelo 356-A.

Paul ganhou fama aos 27 anos de idade, quando preparou seu usado Fusca split do ano de 1948 e o inscreveu na dura Mille Miglia, edição 1954. A Mille Miglia era um evento que cortava em alta velocidade as estradas da Itália desde 1927, banida após dois acidentes fatais no ano de 1957.

O pacato fusquinha de Paul, apelidado de “O Bravo” (Dapferle), ganhou motor Porsche 1300cc (com dupla-carburação e 65 cavalos de potência). Ganhou também cambio da marca esportiva alemã, bem como os clássicos e grandes freios a tambor dela; teve a sua suspensão retrabalhada e sentou sobre rodas feitas sob encomenda, de 16 polegadas.

Receita semelhante foi utilizada pelo preparador Jorge Lettry no Fusca da dupla paulista Cristian Heins-Eugênio Martins para as Mil Milhas de 1956, mas este manteve o bloco VW para seguir o regulamento; eles só perderam a prova para a carretera gaúcha da equipe Galgos Brancos porque tiveram que trocar o cabo do acelerador no final da prova.

O desempenho do carro de Paul na véspera da Mille Miglia despertou curiosidade dos rivais. Despertou também um processo partido dos pilotos que corriam na categoria abaixo de 1300cc, processo este que levou o carro a ser enquadrado na categoria 1500cc e andar com veículos mais fortes.

Terminou a prova na 43° colocação geral, terceiro na 1500cc, venceria fácil na 1300cc. Completou a prova de 1597km em 14h34min, numa velocidade média de 109.6km/h. Sua performance e seu simpático carrinho verde #347 são cultuados há décadas.

Com a morte de Paul a equipe de restauradores de VWs, chefiado por Gründmann, que tem um museu na cidade de Hessisch Oldendorf (vídeo abaixo), decidiu replicar o carro com a mesma receita mecânica para homenagear o ídolo. Gründmann ficou famoso por comprar e reconstruir o protótipo de 1938 do Fusca, o sexto feito à mão que foi encontrado na Lituânia. Ambos os carros já estão prontos, o #347 atualmente passa por seus testes finais e, após a prova, repousará no museu.

A Mille Miglia 2011 ocorrerá entre 11 e 15 de maio, atravessando regiões italianas numa corrida contra o relógio (regularidade) em estradas que ligam Brescia e Roma. Você pode saber mais sobre o evento clicando aqui. Abaixo uma matéria sobre a edição de 1954, onde infelizmente o #347 não aparece. Os resultados oficiais da edição de 1954 você encontra clicando aqui.

**********

Bibliografia para este post

http://www.thesamba.com

Revista da Porsche de maio/2010, em PDF, que você acessa clicando aqui.

Read Full Post »

Nos anos 50 a Rometsch era uma apreciada fabricante de esportivos fora-de-série, construídos sempre a mão, moldados em carrocerias de alumínio que eram instaladas em competentes chassis Volks.

Nesta década a europa voltava a se interessar, e investir, nas corridas de automóveis. Entre as muitas equipes independentes que surgiram, a brava Renngemeinschaft Berlin vinha se desenvolvendo. No ano de 1951 ela utilizava um protótipo Petermax Muller nas suas corridas, para as temporadas de 1952 e 1953 foram adquiridos dois protótipos Glokler, feitos com base nos Porsche 356.

Ainda em 1953, corria a notícia de que os primeiros testes do carro projetado pela Porsche para as pistas, o 550, indicavam um veículo muito mais veloz que os 356 preparados. As encomendas do novo esportivo chegavam aos montes na fábrica de Stuttgart, entre elas uma da equipe Renngemeinschaft Berlin. Ela teve como resposta que devido a grande demanda seria impossível entregar um 550 completo para a temporada de 1954, mas, caso a equipe tivesse interesse, receberia em sua garagem um novíssimo conjunto completo motor/câmbio de 1500cc e o jogo de freios do novo esportivo.

A brava equipe Renngemeinschaft Berlin procura, então, a Karrosserie Rometsch  com uma ingrata missão: Instalar os componentes mecânicos recebidos da Porsche em uma carroceria rabiscada pelo piloto Bernhard Cappenberg. A Rometsch partiu do seu familiar chassi Volks, reduzindo o entre-eixos dos 2,40 metros do Fusca para 2,10 metros, distância dos primeiros 550. O motor, porém, foi instalado atrás do eixo traseiro, na configuração padrão da Volks, e a bela carroceria de alumínio criada foi calçada em rodas Porsche de 16 polegadas, fixadas nos novos cubos do 550.


Entregue para a equipe o protótipo correu, entre 1954 e 1955, em pistas como Nurburgring, vencendo nas ruas de Leipzig em 1954, na categoria acima de 1100cc.

 

Depois das duas temporadas, a equipe optou pelos novos Porsche 550, vendendo o Rometsch Porsche para um negociador de carros usados e piloto amador chamado Harry Merkel. No final dos anos 50, Merkel trocou o motor de corridas 1500cc da Porsche por um padrão 1100cc VW, convertendo também o carro de corridas para um uso urbano, atendendo todas as legislação de trânsito da época. Ele ganhava dois bancos, pára-brisas, piscas, espelhos e tudo que um carro de uso urbano carrega.

Assim, foi usado por algum tempo, vendido novamente e desapareceu… até ser encontrado em Munique no ano de 2009.

Achado intacto, o Rometsch Porsche Spyder foi comprado pela equipe que reconstruiu o VW 1938, que ciente de sua importância, o negociou com um museu de protótipos de Hamburgo ( www.prototyp-hamburg.de ). O time de Hamburgo, além de resgatar a história do bólido, o restaurou na configuração de sua vitória em Leipzig, inclusive com a pintura prata característica dos carros alemães, e da bela faixa preta sob o capo, que indicava a categoria a qual o carro pertencia no evento (acima das 1100cc).

Hoje este belo e único exemplar repousa no acervo do museu, vestido como na sua época de maior glória, de onde sai apenas para participações em eventos com carros de corrida clássicos.

*************

Bibliografia para este post: http://www.thesamba.com/vw/

Read Full Post »

Older Posts »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.