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Archive for maio \30\UTC 2010

O Feio – No filme clássico que inspira os meus comentários, Três Homens em Conflito,existe um determinado momento em que o personagem de Clint Eastwood, Blondie (O Bom) passa a trabalhar em dupla com Tuco, O Feio.

Ambos se unem para eliminar o bando de Angel Eyes, O Mau, também interessado no ouro escondido em uma cova de cemitério. Bando eliminado, seguem em parceria rumo ao cemitério, quando, no caminho,  encontram o exército dos  Republicanos. Alistam-se, trabalham em dupla para explodir uma ponte e voltam a buscar encontrar o tesouro. Mas após o êxito, Tuco trai o personagem Blondie, roubando um cavalo, correndo para o cemitério e iniciando um conflito entre ambos.

Na etapa da Turquia,  A dobradinha da Red Bull estava modelada. Perto do fim, Webber perdeu desempenho e Vettel, de maneira atabalhoada, forçou uma ultrapassagem, resultando em um acidente. Vettel saiu da corrida, esbravejou contra Webber até ser acalmado e orientado no Motor-Home da equipe. De cabeça fria trabalhou para recuperar a sua imagem perante a equipe, se desculpando com todos. Mas o estrago esta feito, Vettel, O feio da rodada, jogou fora pontos importantes na disputa pelo título, e, fez também com que a Red Bull cedesse a liderança do campeonato de construtores para a McLaren

O Mau – Se a dobradinha da Red Bull fosse consolidada, Webber terminaria a rodada 7 pontos na frente, caso vencesse, ou 7 atrás de Vettel, em caso de vitória do alemãozinho.

Webber não vendeu barato a tentativa afobada de Vettel, que após o choque entre os dois então líderes do campeonato, saiu da corrida.

Webber retornou e terminou a prova na terceira posição, somando 15 pontos a mais que o seu companheiro de equipe. Lucro total, agora, além de estar na liderança isolada do campeonato, existe 3 pilotos de outras equipes o separando de seu companheiro na disputa interna pelo título.

O australiano, de forma surpreendente, encaminha-se para o título nesta temporada.

O Bom – Lewis Hamilton tem feito uma temporada curiosa. Durante as corridas vem fazendo grandes apresentações, sempre decidido nas disputas em pista.

Na disputa interna com J. Button, equilíbrio total, mas Button tinha uma vitória na temporada.

Na Turquia, com um excelente carro, sorte e confiança, o inglês soube fazer bem o seu papel. Perdeu a segunda posição na largada, mas colocou pressão nas Red Bull durante toda a corrida.

Com o acidente entre os carros azuis, Lewis herdou a primeira colocação e passou a sofrer o ataque de seu companheiro de equipe, com um carro menos desgastado. Button tentou um ataque, mas Hamilton defendeu-se de forma precisa, mantendo-se na liderança, num belo movimento.

A equipe, vacinada pela batida entre os Red Bull, passou a pedir que os pilotos da McLaren diminuíssem o ritmo. Hamilton chegou, assim, a uma bela vitória neste final de semana.

Entre os “Tilkódromos”, o circuíto da Turquia é, disparado, o mais eficiente no propósito de proporcionar uma corrida com curvas desafiadoras e disputas em pista. A famosa curva 8, seguida de uma uma reta em descida, é um desafio para os carros e pilotos.

Nesta corrida ficou evidente as limitações do carro da Williams e do motor Cosworth. Barrichello se arrastou, num ritmo longe do pelotão intermediário.

Pareceu ser a etapa em que o trabalho de Bruno Senna mais apareceu. Andou por algumas voltas na frente da Lotus, além de brigar em pista com o Virgin de Di Grassi. Talvez as boas, e raras, emoções justifiquem a cara de poucos amigos nos boxes após o abandono.

Nesta etapa houve uma inversão dentro do ritmo de corrida dos carros. A Ferrari penou para superar a Renault, Massa não ameaçou Kubica e Alonso teve que forçar para ultrapassar Petrov, que abandonou a zona dos pontos após um choque, mas retornou dos boxes para cravar a volta mais rápida.

A próxima etapa será dia 13 de Junho, no ótimo circuito do Canadá, localizado na Ilha de Notre Dame.


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Após as seis primeiras etapas, o equilibrado campeonato da temporada 2010 da Fórmula 1 começa a indicar quem está na briga pelo título, quem poderá em breve trabalhar para o time, ajudando o companheiro, e quem não terá grandes ambições no decorrer do ano.

Dentro de cada equipe, o resultado das disputas diretas também começa a indicar o piloto que esta se destacando mais, seja em qualificação, seja em corrida.

A frieza dos números em uma tabela nos ajuda a visualizar mais claramente como andam as “disputas domésticas” nesta altura da temporada.

(para melhor visualização, abrir a tabela em uma nova janela)

E eles mostram que:

  • O desequilíbrio entre o desempenho dos integrantes da dupla de pilotos é mais acentuado na Virgin e na Renault. Os números, porém, não contam que Di Grassi e Petrov são pilotos estreantes , que dividem time com dois atletas mais experientes; Di Grassi é penalizado ainda pelas falhas do chassi estreante da Virgin, enquanto Petrov encara o talento de Kubica.
  • A temporada começou desigual também na Mercedes. Rosberg andou sempre na frente de Michael. Sabemos que agora a equipe tem um carro redesenhado, mais ao gosto do piloto alemão que deve recuperar terreno, o que eu julguei um erro de estratégia.
  • Barrichello é o diferencial da mediana Williams, enquanto Sutil é um osso duro para Liuzzi na Force India.
  • Equilíbrio grande nos resultados da Lotus, McLaren e na Red Bull. A primeira se firma como a melhor das estreantes, na realidade cruel do final do pelotão. Button e Hamilton estão e igualdade nos duelos, mas Button pontuou mais. Na Red Bull, equilíbrio total. A tabela não mostra o quanto a habilidade de Vettel poderá fazer diferença nas próximas etapas no duelo interno de sua equipe, que neste momento ruma ao título de construtores e de pilotos.
  • Na Ferrari, Massa vem perdendo espaço, mas ainda pode reverter. Deverá completar as duas próximas corridas pontuando bem mais do que Alonso, caso contrário, terá que trabalhar para o time, tentando tirar pontos das McLaren e Red Bull, enquanto Alonso buscará se aproximar dos líderes.

Neste final de semana ocorrerá a etapa da Turquia, sétima do ano. O campeonato entra agora num momento de definições, quase na sua metade. Acompanharemos.

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“Money, it’s a gas…”

No “preto no branco” das sábias páginas do meu pequeno Aurélio, um herói se define por:

“1. Homem extraordinário pelos feitos guerreiros, valor ou magnanimidade. 2. Protagonista de obra literária.”.

Desde muito novo cultivo os meus heróis sem seguir a fórmula mágica do Aurélio. Alguns até eu já deixei pelo caminho; faz parte do amadurecimento rever conceitos, e, quando mudam os conceitos, mudam também as referências.

Povoam o meu mosaico de ídolos seres que, além de muito talento nas suas atividades, cultivam também certos hábitos excêntricos. Dentre essas pessoas, dois adoráveis malucos que me fazem tirar o chapéu foram destaque nos seus principais trabalhos, ganharam rios de dinheiro numa vida invejável, e, depois, souberam dar um belo destino aos bons trocados ganhos.

Não é só a semelhança no nome que aproxima esses dois. A paixão pela velocidade e por brinquedos caros também une Nick Mason e Niki Lauda.

Run Like Hell

Um conjunto formado em 1964, numa Londres tomada pela Beatlemania, teve sucesso e reconhecimento tomando um caminho totalmente oposto do consagrado “Fab Four”. Norteados pelo talento do conturbado Sid Barret, totalmente imersos em um som psicodélico e experimental, o Pink Floyd teve uma curiosa caminhada até o sucesso mundial.

A saída de Sid Barret por problemas mentais determinou uma mudança de rumos no som da banda. Do começo psicodélico a afirmação com uma sonoridade progressiva, Waters, Wrigth, Gilmour e o baterista Mason criaram grandes óperas-rock e emplacaram dois discos entre os mais vendidos em todo o mundo. Dark Side of the Moon e The Wall.

Entre os ótimos músicos, Nick Mason, baterista de cabelos compridos e bigode vistoso, chamava a atenção por sua levada perfeitamente adaptada ao tipo de som da banda. Por vezes até virtuoso, Mason firmou-se como músico de respeito e ganhou muito dinheiro.

Paralelo aos trabalhos na banda, Mason, um apaixonado por carros, aproximou-se de seus objetos de desejo. Iniciou, no final dos anos 70, uma coleção de carros de corrida clássicos. Passou a participar de rallys de regularidade e velocidade, logo transformando seu hobby em coisa séria.

Fundou a Ten Tenths, empresa que utiliza os carros de sua coleção, com a finalidade de alugá-los para entusiastas, produtores de filmes e programas de televisão, além de participar de corridas. No seu currículo, Mason soma cinco participações nas 24 Horas de Le Mans, presença na Mille Migla, participação documentada no rally mexicano La Carrera Pan Americana, além de exibição de seus carros no festival de Goodwood.



Na sua garagem podemos encontrar belezas como: Jaguar Type D 1955, Ferrari GTO, Ferrari 512S, Porsche 962, McLaren F1, a Ferrari 312 T3 de Gilles Villeneuve e o inigualável Auto Union D-type de 1939.

Na mesma época em que o Pink Floyd conquistava seu espaço, um jovem austríaco começava na Fórmula 1.

Learning to fly


Niki Lauda, jovem de família rica, começou a correr em 1968. Após três anos de aprendizado em categorias menores, iniciou sua caminhada da categoria principal,pela equipe March. Em 1974 foi contratado pela equipe Ferrari, onde conquistou dois campeonatos, perdendo um terceiro para Hunt, no ano de seu terrível acidente.

Após duas temporadas ruins na Brabham-Alfa Romeo (78 e 79), Lauda se afastou das pistas para fundar a sua companhia aérea.

A Lauda Air foi fundada em 1979, com missão de mostrar ao mundo o “estilo austríaco de voar”. Começou as operações em 1985 com serviço de táxi aéreo e pequenos trajetos. Em 1990 Lauda, já trí-campeão pela McLaren Tag-Porsche, obteve permição para realizar vôos internacionais, o que permitiu a Lauda Air investir em aeronaves maiores.O primeiro vôo internacional saiu de Viena para Sydney e Melbourne.

Hoje a companhia de Lauda presta serviços para a Austrian Airlines, possui uma frota de sete Boeing 737-800, cada um batizado com o nome de um artista famoso. Deste modo, Falco, Freddie Mercury, George Harrison, Gregory Peck, Frank Zappa, Miles Davis e Kurt Cobain realizam vôos para a Europa, América do Norte e para o Sudoeste asiático.

Durante a sua existência a Lauda Air contabiliza a perda de uma aeronave. No ano de 1991 o Boeing 767 apelidado de Amadeus Mozart caiu na Tailândia, matando 223 passageiros e a tripulação.

“…new car, caviar, four star daydream…”

Lauda e Mason fizeram as suas vidas em duas atividades pelas quais eu sou completamente apaixonado. Música e automobilismo.

Ambos conquistaram uma enormidade de fãs, alguns inclusive seguiram suas profissões inspirados neles, o que confirma a sua importância nas áreas em que, quase juntos, começaram a despontar como ícones.

Ambos também flertaram com um certo perigo nas suas vidas e estão ainda firmes nos dias de hoje. Seja esse perigo o temeroso automobilismo dos anos 70, seja ele o consumo inconseqüente de drogas e álcool, o fato é que os dois souberam fazer fortuna com gosto, e hoje, sabem gozar muito bem de tudo que o dinheiro lhes oferece.

Adoráveis excêntricos esses meus dois heróis.

Sites Relacionados:

http://www.laudaair.com/site/index.php

http://www.tentenths.co.uk/

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O BOM – Esse ano, felizmente, estamos falando mais dos pilotos do que dos dutos frontais, assoalhos duplos, triplos, etc… Assim, alguns bons valores vem se destacando. Dentre eles, um que não tem um carro de ponta e nem grande badalação já me é o destaque individual da temporada. Em Mônaco, Kubica novamente tirou leite de pedra.

A comparação com seu companheiro Petrov é injusta devido a diferença de experiência entre os dois, mas existe um abismo entre ambos. Em Mônaco Kubica marcou a segunda colocação inicial, perdeu o segundo posto no pódio nos primeiros metros da largada para Vettel, mas conseguiu segurar Massa. E assim seguiu até o final da corrida.

Foi seu segundo pódio na temporada, termina a etapa ocupando agora a sexta posição do mundial.

O MAU – Algumas verdades da Fórmula 1 resistem ao avanço da tecnologia. Em Mônaco, o mandamento indelével de que o pole-position também vencerá a corrida, salvo um problema mecânico ou uma má largada, mais uma vez se confirmou.

Na sexta etapa da temporada, o quarto líder diferente do campeonato chama-se Mark Webber. Conhecido por ser um “leão de treino”, desta vez assumiu também a posição de protagonista do evento principal.

Mark terá agora que lidar com tudo de bom e de ruim que o status de líder do campeonato lhe trará. Em um torneio equilibrado como este a sua regularidade pode ser um grande trunfo, talvez o principal contra seu principal inimigo na  luta pela conquista do título, seu companheiro de equipe, Vettel.

O FEIO – Em uma competição equilibrada qualquer descuido pode ser um grande empecilho para se chegar ao êxito desejado. Jenson Button, vencedor do último campeonato justamente devido a sua regularidade na segunda metade do ano, quando já não tinha o melhor carro, vem tendo contratempos que devem cobrar o seu preço mais adiante.

Em Mônaco foi a vez do seu carro superaquecer, fato ocorrido devido ao esquecimento por parte de um mecânico de liberar a entrada de ar de um dos radiadores laterais, tirando o atual campeão da disputa ainda no começo da corrida.

Button pontuou bem nas três primeiras etapas,  na quarta (China) assumiu a liderança, mas na Espanha (quinto) e agora, pouco fez, enquanto seus adversários mais uma vez pontuaram.  É o quarto no campeonato, com oito pontos de diferença do líder Webber.

Eu gosto de Mônaco. Acho que a pista faz parte de uma série de pilares estruturais que a Fórmula 1 deve respeitar e preservar como parte de sua tradição e história. O traçado, dêsde 1929 oferece corridas truncadas, mas desse modo ele acompanhou a evolução do esporte, e assim deve continuar. Errado é termos novas pistas colocadas no calendário, que oferecerem o mesmo tipo de corrida em fila indiana, sem nada que justifique a sua existência além da busca de dinheiro em novos mercados.

Gostei da corrida. Enquanto as posições iniciais foram definidas na primeira curva, Alonso deu seu pulo-do-gato adiantando a sua troca de pneus quando do primeiro safety-car. Mesmo penando para ultrapassar Di Grassi (e porque deveria ele facilitar?), ganhou um mundo de posições na medida que os carros a sua frente iam parando. Logo estava novamente no retrovisor de Massa.

A corrida teve bons destaques. Barrichello se classificou bem, vinha fazendo uma boa corrida até a quebra da suspensão traseira. Massa chegou num quarto lugar discreto, quase não me recordo de ver o carro dele mostrado durante a transmissão, mas os pontos foram importantes. As duas Force India terminaram na zona de pontuação, com mais uma bela corrida de Adrian Sutil.

As equipes novas, por sua vez, penaram muito nas ruas do principado. Os carros desequilibrados moeram os pneus e os freios, além de sofrerem com a já usual falta de confiabilidade. Chandhok iria cruzar a linha de chegada numa festejada décima quarta colocação, mas foi atropelado pela afobação de Trulli.

A polêmica da hora foi a manobra de Schumacher sobre Alonso na última volta. No espaço entre a entrada dos boxes e a linha de chegada, ao ver o safety-car recolher, o alemão colocou o carro ao lado da Ferrari e cruzou a bandeirada na sexta colocação. O movimento gerou protestos e reclamações, Michael já foi inclusive punido em 20 segs por executar uma manobra ilegal (as posições deveriam ser mantidas), mas achei sadio demais a competitividade, que sempre lhe foi característica, ser novamente demonstrada. Pouco muda no campeonato para ele a sexta colocação perdida, e, futuramente, quando lembrarmos desta corrida, mais um lance seu será lembrado. Que venham mais rompantes do velho Schumacher.

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Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros

De forma ocasional, enquanto organizava alguns materiais para estudar ao longo da semana, esbarrei em pequenas coisas que me chamaram a atenção e me fizeram perceber, quase como uma revelação,  algo que já deve ser uma verdade evidente para muitos.

Ultimamente venho tendo a felicidade de conhecer e trocar ideias com pessoas incríveis, todas elas de regiões, idades, profissões e rotinas muito diferentes umas das outras. Chato que sou, certamente ainda de maneira ingênua, tento aprender o máximo com aqueles que tem mais bagagem;  seria muito burro da minha parte não “bancar  a esponja” durante essas conversas.

Eis que, enquanto organizava as minhas coisas, achei algo que ando bolando para colocar futuramente no retrovisor do carro que estou reformando. Passatempo puro, vou prendendo em uma espécie de cordão os ingressos dos shows que já fui na vida, para depois, talvez, pendurar no retrovisor do carrinho já reformado.

Pensando nessas coisas que ocupam o tempo livre, me chamou a atenção a existência de algo em comum na vida das pessoas mais legais que ando conhecendo nos últimos tempos. Todas elas apresentam um projeto paralelo, um hobby que envolva um certo comprometimento, todas trabalham também para si em determinadas horas da semana.

Nascendo a vontade

Deve ser muita pretensão achar que as individualidades se contentarão com um dia-a-dia todo voltado para atividades que trarão benefícios apenas para terceiros, um salário frio e a virada para o mês seguinte. Ainda mais se for num contexto de rotina maçante, com bem pouco bem-estar.

Essas mesmas individualidades, cada uma do seu modo, procuram algo gratificante para ocupar o tempo livre. Seja uma coleção de gibis, um álbum de figurinhas, montagem de carrinhos em miniatura ou a reforma de um antigo de verdade. Na escolha do hobby vai muito da personalidade das pessoas, obtida durante a sua formação.

O carro com que o avô levava a criança para a escola, um trauma pelo álbum de figurinhas nunca completado em alguma Copa passada, a arte gráfica de um gibi, uma coleção de motos inspiradas no filme Easy Rider. Filme que pode ter sido assistido anos atrás depois da aula, com um gibi esquecido na mão, comprado com a grana que deveria ser usada em um pacote de figurinha do álbum da Copa, aquela. Quem disse que um hobby apenas é a lei?

Comprando a ideia

Partindo da premissa que aquilo que é feito de bom grado e por iniciativa própria é executado com o máximo de esmero, todo projeto paralelo tem o seu valor, sempre superestimado por quem se dedica a ele, claro. Essa relação de comprometimento e troca começa no momento que abraçamos uma causa, e ela é mantida sabe-se lá por quanto tempo.

Nenhum dinheiro deste mundo compra, por exemplo, a pujante coleção de ímãs de geladeira da mãe de um amigo. Cada simpático objeto traz recordações de viagens e momentos, a ponto dela se animar e começar a criar os seus próprios. Os artesanatos, comprados ou criados, transformaram aquela porta branca de metal numa espécie de relicário aberto, multicolorido, um dos orgulhos da Tia Neide.

Curtindo o resultado

Nada que desmereça esta história, mas todo trabalho realizado com dedicação e carinho, para que se chegue ao resultado de algo único e desejável, é feito também com o intuito de ser mostrado. Todo dono de um hobby é, no fundo, um grande exibido.

Existem aqueles que realizam essas obras com tanto talento que elas naturalmente viram atividade de trabalho, fonte de renda e reconhecimento. Objetos artesanais, artes gráficas digitais ou não, textos, poesias… Quando algo que começa como um passatempo torna-se coisa séria, é porque a vocação foi posta a prova e confirmada.

O que vale, no final das contas, é a escapada constante da rotina, o momento de trabalhar para si, crescer como pessoa. Não existe terapia melhor que correr atrás de um projeto pessoal, seja ele simples ou não. Estudar, comprar materiais, trocar idéias e experiências, fazer o máximo para que aquilo que tanto pode ter começado como uma paixão arrebatadora, ou uma coceira despretensiosa, torne-se uma prazerosa maneira de enriquecer o cotidiano, para depois, a obra pronta ser mostrada com muito orgulho.

Em que pé anda o seu hobby da vez?

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O BOM – Na última etapa, disputada na China, Webber largou na primeira fila do grid, ocupando a segunda colocação. Mas na corrida cheia de variáveis que lá aconteceu ele apenas chegou na oitava colocação.Na Espanha a história foi diferente para o australiano. Largando na pole que conquistou com autoridade, Webber venceu a corrida na primeira curva, onde impediu o ataque de seu companheiro de equipe e de Hamilton. Abriu, assim, caminho para uma tranquila vitória.Webber salta quatro posições no campeonato, ocupando agora a quarta colocação com 53 pontos, ainda bem atrás dos líderes.

O MAU – O dono da casa, Fernando Alonso, não é o mau da vez pela pressão do nosso narrador oficial. Os acontecimentos da China ficaram no passado. Lá ele correu com a ambição de chegar à Europa na frente de Felipe Massa no campeonato, e ter assim, alguma preferência da equipe. E o fez. Felipe que deu a brecha.

Mas na Espanha Alonso correu para a torcida, transformando seu colega de equipe em um mero figurante. O malabarismo com as mãos captado pela câmera on-board, para operar o estreante duto de ar (já proibido em 2011) da Ferrari, a bela e sortuda corrida, premiada com uma segunda posição vinda devido a quebra de Hamilton, Alonso é a esperança italiana contra a lógica superioridade das Red Bull e McLaren.

O FEIO –  Até a quinta etapa, Nico vivia em um conto de fadas. Do outro lado da escuderia, um alemão multi-campeão pressionava para ficar mais confortável no seu carro e, assim, deixar de apanhar do jovem piloto. Resultado, uma nova versão do carro que aparentemente privilegiou o Alemão velho em detrimento do alemão novo. Nico teve um péssimo final de semana, tentando sempre se readaptar ao carro, e andando pela primeira vez atrás de Schumacher. Conseguiu apenas a oitava posição de largada, fez uma corrida discreta, longe dos ponteiros, chegando apenas na décima terceira colocação. Ele ainda está bem colocado no campeonato, mas nas ruas de Mônaco terá que se impor dentro da equipe e na estreita pista para recuperar os pontos perdidos.

O Grande Prêmio da Espanha foi um engôdo sem fim. A grande dependência aerodinâmica e a falta de chuva impossibilitaram grandes emoções na pista. A superioridade da Red Bull (sem duto de ar) e da McLaren (com duto) foi gritante.

Rubens Barrichello e Adrian Sutil fizeram uma ótima corrida. Os dois, junto com Kubica, tiveram seus bons trabalhos premiados com pontos herdados na última volta devida ao pneu furado de Hamilton.

Essa corrida podia significar a disparada de Button rumo ao título, mas  a vitória de Webber e a distribuição das colocações seguintes mantiveram o equilíbrio deste ótimo campeonato.

Das pequenas, palmas para a Virgin, que conseguiu trazer os dois carros a bandeirada final. O tão falado novo pacote de melhorias das Lotus e Hispania não vingaram. A Lotus segue, porém, sendo a melhor estreante, cada vez mais perto do desempenho da Williams.

A Hispania sofre com um projeto de pouca qualidade, que pena nas curvas de alta da Espanha. Tranformou-se num retardatário perigoso durante a corrida, mas não notei culpa de Chandhok no incidente com a Toro Rosso de Alguersuari.

Em breve, Mônaco. Um charmoso e especial circuito, onde toda chatice é perdoada.

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Dou risada, debochado, cada vez que me lembro da grande possibilidade do quinto filme da franquia “Velozes e Furiosos” ser rodado aqui, em terras tupiniquins.

Eu não desgosto dos filmes da série. Pelo contrário, passo olhando as suas cenas, tranquilamente, por uns bons e despretensiosos minutos, acompanhado de pipoca e refrigerante. Quase tudo que envolve carros me atrai.

A indústria e o comércio também não desgostam dele. No embalo, tentam ganhar o seu dinheirinho lançando produtos similares aos que lá aparecem. Os neons pulsantes no assoalho dos carros, as calotas que giram independente da roda, adesivos de péssimo gosto, músicas grudentas como aquele Hip-Hop em japonês, os “Drifts” empurrados goela abaixo como se fossem a maior arte sobre rodas, jogos eletrônicos… estes são alguns dos modismos que cada edição trouxe, e que quero bem longe de mim. (O jogo, porém, eu aceito.)

Olhando para o meu redor, não vejo como ser feito aqui um filme que agrade ao público americano, e nem qualquer outro público que se enquadre como alvo dos produtores. A qualidade das nossas estradas, o nosso trânsito caótico sinalizado em português, os nossos carros sem cor, sem graça, sem cavalaria, sem tração traseira e sem qualquer outra coisa vista na série, exceto as mulheres.

Como fazer um produto desses dentro da realidade brasileira, que agrade gregos e troianos, sem que o resultado fique extremamente falso e caricato? E mais, que seja livre dos problemas com os sindicatos dos motoboys e dos taxistas das nossas cidades?

Difícil, mas vou brincar, criando um pedaço de roteiro baseado em história real e que certamente agradaria quem gosta do assunto.

Os primeiros fios de luz solar ainda tardariam a aparecer, mas o cenário estava longe de um óbvio e silencioso breu. À noite naquele outrora pacato terreno de aproximadamente 923.000m² fervia pela atmosfera da competição que rolava no caminho de asfalto, caminho este que já era reverenciado como parte de um templo para pilotos e suas máquinas.

A densa e costumeira neblina desceu com ainda mais energia. Nas arquibancadas da reta principal, um público umidificado pelo orvalho noturno colocava em teste o seu amor pelas corridas, e a força contra o sono, enquanto tentava acompanhar o que se passava na pista durante as Mil Milhas de 1967. O som vindo da nebulosa Junção indicava que subiam carros, em disputa, mas os fortes faróis ainda impossibilitavam qualquer identificação.

Dentro daquele Mark I amarelo, um piloto completava mais uma volta, acossado por dois perseguidores. Sereno no nebuloso traçado, ele deixava por hora de lado as orientações dos boxes, concentrado nos pontos referenciais para a perfeita tangência da veloz Curva 1. Junto dele, com faróis fortes e ofuscantes, dois carros de uma equipe estrangeira formavam uma incomoda companhia.


Curvas 1 e 2 vencidas, um Lotus da Team Palma de Portugal, aproveitando-se da velocidade em reta, encosta na traseira daquele Mark I, trazendo junto de si o outro carro da equipe, um Porsche 911.

Descendo a reta oposta, rumando a tangência da Curva 3, o luso em território quase desconhecido leva seu Lotus  para a parte interna da pista, era a deixa para o brasileiro, malandro, ligar uma chave sob o painel de seu carro.

O piloto português, ao ver as luzes de freio do carro amarelo vermelharem, desce marcha, exige dos freios, e o Porsche passa zunindo ao seu lado, ainda acelerando. Faltava um bom trecho para a tomada correta da Curva 3, os dois portugueses descobriam, assim, um dos segredos daquele piloto brasileiro, que perdia um perseguidor.

O piloto do Porsche que agora o seguia, e de muito perto na Ferradura, via respeitoso e admirado a lateral do esguio carro amarelo, que numa manobra controlada, jogava a traseira adiante, contornando de lado a fechada curva. Na lateral era possível ler: Bird Clemente,22.”

O roteiro por mim criado, um fantasioso encontro em pista de Bird com dois carros vindos de Portugal, desenrola-se durante as Mil Milhas de 1967, edição que teve a sua primeira participação internacional. A Team Palma veio do velho continente com um Ford Cortina, um Porsche 911 e dois Lotus Europa. As atrações brasileiras também eram fortes, o Fitti-Porsche, a carreteira do Camillo, Karmann-Ghia Porsche e Alfa GTA, entre outros.

Mas a dona da prova foi a equipe Willys, já sob controle da Ford. Brilharam as Berlinetas que ocuparam as duas primeiras colocações, descaracterizadas pela nova matriz, mas com as mesmas qualidades e características em pista. A prova foi vencida pela dupla Luiz Pereira Bueno e Luiz Terra, seguidos de Bird Clemente e Marivaldo Fernandes. Na terceira colocação da corrida os bravos portugueses Nogueira Pinto e Andrade Vilar, a bordo de um Porsche 911.

No meu delírio tupiniquim, Vin Diesel é Bird Clemente, Mitsubishi Eclipse é Bino Mark I e show de drift é coisa para português ver.

Bibliografia para este post:

http://www.interney.net/blogs/saloma/ , de onde colhi a foto da linda Lotus.

Mil Milhas Brasileiras – 50 anos , Lívio Oricchio

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