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Archive for novembro \28\UTC 2010

Serra do Rio do Rastro, SC: 156 curvas em subida ao longo de 9,5 km de pista de concreto abrasivo.

Datas: 13 e 14/11

Carro: Hyundai Genesis modificado, carregando 750cv sob o capo.

Piloto: Rhys Millen

Tempo da subida: 7min 17s 898.

Azulando o cano

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Hoje a notícia de que Porto Alegre busca sediar uma etapa da Fórmula Indy correu as redes sociais e os veículos que cobrem automobilismo. Entre os trajetos propostos num primeiro momento, o que parece mais prático é o que passaria pela Usina do Gasômetro e pelo Anfiteatro Pôr-do-Sol, costeando o Guaíba num ambiente plano e de bela natureza.

A Av. Edvaldo Pereira Paiva, que durante os finais de semana vira passeio para pedestres e ciclistas tendo, inclusive, o tráfego de veículos restringido, deve ser a melhor região de Porto Alegre para uma corrida de monopostos, uma vez que Tarumã sequer foi cogitada.

A maioria da população da capital recebe de forma incrédula a notícia, o que poucos sabem é que até o final da década de 60 a cidade, muito menos habitada e urbanizada do que hoje, promovia eventos automobilísticos em suas ruas regularmente. Circuitos por onde Takuma Sato e sua trupe jamais ousariam passar.

Dos trajetos utilizados como pistas de rua, o mais desafiador foi o do Circuito da Pedra Redonda, ainda cultuado e reverenciado nos dias de hoje. Suas curvas e desníveis lançados ao longo de 15 quilômetros, localizados na região sul de Porto Alegre, tiveram durante o seu auge nos anos 50 e 60 uma espécie de tira-teima entre os ases gaúchos, que aprontavam nas Mil Milhas de Interlagos, e os paulistas sedentos por vingança nas terras do sul.

Pilotos como Camillo Christófaro, Chico Landi, Catharino Andreatta e José Asmuz levavam em suas carreteras o orgulho regional e, de quebra, ainda enfrentavam oponentes dos países vizinhos.

O hoje impensável circuito tinha a sua largada e chegada no bairro Tristeza, entre a Av. Otto e a Delegacia da Brigada Militar. Os carros subiam pela atual Wenceslau Escobar na direção da muito perigosa descida da Pedra Redonda, a entrada do bairro Ipanema pela Av. Cel. Marcos.

Difícil imaginar o trabalho para controlar as pesadas e potentes carreteras, com freios a tambor nas quatro rodas, na íngreme descida que culmina em uma curva, até hoje problema para os motoristas do trânsito cotidiano.

Já em Ipanema seguiam em alta velocidade até a curva da caixa d’água, onde viravam para o início da subida da Av. Cavalhada, acabando em uma veloz e perigosa descida após o encontro com a Av. Eduardo Prado.

As carreteiras seguiam em descida através da Av. Cavalhada até entrar, contornando uma curva de 90 graus, na Rua Dr. Otto Niemeyer.

A parte final do circuito ocorria no perigoso encontro, também em descida, da Rua Otto com a Praça da Tristeza e a sua igreja, ali estavam novamente no ponto de largada.

Durante bons anos famílias porto-alegrenses aglomeravam-se nas calçadas do seu bairro para ver as carreteiras passarem, trazendo consigo um número grande de incidentes terríveis. Com o crescimento da velocidade dos carros e da população na zona urbana, o perigo dos chocantes acidentes em vias públicas foi contornado com a inauguração de Tarumã.

As corridas pelas ruas da cidade, seja pelo Circuito da Pedra Redonda, seja pelo também desafiador Circuito da Cavalhada, ficaram na memória e em registros fotográficos, virando contos de avô para neto. A possibilidade do retorno das disputas nas vias da capital gaúcha, agora num evento internacional, promoveria também um reencontro do povo gaúcho – apaixonado por corridas – com a velocidade em trajetos normais do seu deslocamento cotidiano.

Seria uma grande homenagem aos antigos heróis que, com suas máquinas, fortaleceram o automobilismo muito além do nível regional.

Abaixo, um comparativo: O ontem e o hoje nas ruas do Circuito da Pedra Redonda.

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Bibliografia para este post:

http://ruiamaraljr.blogspot.com/ e o seu “Histórias que vivemos”

Agradecimentos a Graziela Rocha pelo atencioso envio de informações

http://blogdoquadriculada.blogspot.com/

http://www.nobresdogrid.com.br/

http://blogdosanco.blogspot.com/

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Exemplos caninos

Difícil compreender a grandeza e o valor dos laços de amizade formados entre seres ao longo das suas vidas. Seja por afinidades ou por quaisquer outras convergências, não existe máquina no mundo capaz de dar a alguém um gesto espontâneo e necessário típico de um bom amigo.

Nem sempre eu fui uma criança de apartamento, pelo contrário, até os doze anos morei em uma casa com amplo pátio. Nesse pátio eu inventei muito com meus brinquedos. Carrinhos, Comandos em Ação… quando não era com isso, me divertia jogando bola ou andando em um Bugue de pedal.

Pois lá pelos meus oito anos de idade o pai trouxe um filhote de cachorro para morar no pátio. Era um pastor capa preta, pequeno, peludo e com umas patas de respeito. De cara todo mundo percebeu que o cachorro ia crescer muito, mas como era filhote, e muito bonito, ficou.

Pois naquela época só dava a Guerra do Golfo. Era Hummer sendo jogado de helicóptero, poços de petróleo incendiando e mísseis Tomahawk cruzando o céu da televisão durante a janta; o nome dado ao filhote foi Saddam, todo mundo adorava o pequeno Saddam.

De todos lá em casa, era eu que passava mais tempo com ele. A Kombi do tio Antônio ligava o pisca lá na esquina para me deixar em casa, após a creche, e já começava uma festa no pátio. Durante o tempo que estava em casa tentava ensinar coisas para o meu capa preta – adestrar é uma arte quando se tem menos de dez anos – mas foi apenas quando percebi que ele se derretia por um amendoim que meus comandos passaram a ser correspondidos e repetidos.

Rapidinho o Saddam sentava, dava a pata, rolava, tapava os olhos com vergonha… Eu me sentia gênio e o pote de “amendoim para acompanhar chimarrão” da minha avó sumia. Era o preço do sucesso, Saddam animava um churrasco como ninguém. Caprichava por amendoins, o show quando o cheiro de gordura da carne pingando no carvão em brasa invadia a garagem era fenomenal.

Eu adorava aquele pastor alemão que, de repente, fez jus ao tamanho de suas patas e cresceu, sem parar. Pouco mais de ano, se bem me lembro, e ele já era um gigante desengonçado e amável. Um monstrinho que quando não estava brincando comigo, e comendo amendoins, estava destruindo os canteiros do pátio, roendo a mangueira e tudo mais que conseguia, pendurando-se nas roupas do varal, caçando passarinhos e riscando as portas da casa.

Minha avó não se importava em repor o nível do pote de amendoim, mas quando o meu capa preta passou a pintar o sete, as coisas ficaram difíceis. E assim deram o Saddam para o amigo de um conhecido de um tio meu – que ganhou a minha antipatia e depois me comprou com um jogo completo de futebol de botão; eu me vendi por um grenal.

Uns quatro anos se passaram e eu já dificilmente lembrava daquele animal. Até que um dia o pai me levou para passear e aproveitou para lavar o nosso Chevette branco – na empresa do meu tio, aquele. E foi só eu descer do carro no pátio da lavagem para começar um carnaval por detrás de um portão de ferro. Latidos, batidas, unhadas, choro…

“Sabe quem é? Vai lá”

O Saddam me deu naquele dia uma das maiores demonstrações de amizade e carinho que já recebi em vida, e que até os dias de hoje ainda não aprendi a repetir com meus iguais. Cachorros são animais especiais, fiéis, merecem bons cuidados, não foi o que aconteceu com meu inesquecível capa preta.

 

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O choro de Vettel

O choro miado de Vettel dentro de seu RB6, após receber a notícia de que era o campeão da temporada 2010 de Fórmula 1, lavou a alma de  expectadores que perdem-se sonhando com um resgate de traços marcantes construídos ao longo do desenvolvimento da categoria.

O enredo incrível do garoto talentoso e carismático que alcança o título de maneira justa, vencendo o time influente e o companheiro de equipe na última corrida, trouxe para dentro do asfalto as principais atenções,  indo contra a triste tendência do dinheiro sendo mais tentador aos times do que o talento, e para os cartolas do que as pistas ligadas verdadeiramente ao automobilismo.

O sopro de vida desse esporte que luta para manter-se coerente a sua história foi dado por um adolescente que apelida seus carros com nomes de mulheres, e que se torna o campeão mais jovem da história, sem ser perfeito. Como todo jovem em aprendizado, cometeu erros ao longo do ano que o impediram de chegar antes ao topo da tabela. Mesmo tendo o melhor carro, quase foi batido pelo inferior, porém regular, companheiro de equipe Webber.

Vettel é um garoto hábil e contagiante, num ambiente totalmente contaminado.

Eu prefiro que meu esporte preferido seja disputado por um conjunto de talentos e defeitos humanos em pista, cabendo aos times apenas o dever de dar a eles os carros mais velozes e confiáveis, bem como aos patrocinadores apenas a possibilidade de estarem neles e ganharem com a imagem do conjunto todo. Mas eu sou um sonhador na contramão da história, que vê o expansionismo de Bernie como tudo aquilo que foi vencido por Vettel no último final de semana.

Foi linda a derrota do piloto mais talentoso e do time mais poderoso; mandou muito bem esse menino.

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Quando se encara a reforma de um carro, duas das dificuldades que mais jogam contra a disposição durante os primeiros tempos da empreitada são o tempo e o investimento feitos no que não aparece aos olhos. Mecânica, elétrica, e tudo aquilo que resulta em segurança ao rodar.

E o que mais se quer é rodar, carro existe para isso.

Penei durante as primeiras etapas da reforma (não restauração, não optei pela originalidade) do meu Fusca 1969. O dinheiro suado foi, durante 15 dos 18 meses dela, gasto justamente no principal, mas menos aparente. Refiz linha de combustível, elétrica, freios, embuchamento, troquei o cabeçote do chassi, setor de direção…um exercício de persistência, onde comprar um frisinho ou qualquer outro ítem de acabamento era nada mais do que relembrar que o resultado final ia, sim, ser aparente e compensador.

Terminada a parte mecânica, vi o que é apaixonante durante o ato da reforma e/ou restauracão de um veículo. Deixar como imaginamos ao batermos os olhos nele pela primeira vez, acabado, um galinheiro por dentro, tristonho por fora…a cereja do bolo é revelar como idealizamos o carro quando este ainda não passava de um projeto, uma ideia maluca, a vontade de realizar algo.

Nessa semana me sinto um vencedor. Compartilho com vocês recordações da última etapa, o espaço onde eu pretendo, durante muito tempo, curtir os baratos, os passeios, momentos e amizades que esse meu projeto, enfim pronto, trará; é hora da retribuição.

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…e não verei a Fórmula 1 em Interlagos, culpa do Enem.

Hum, isso tudo liga-se por meio de George Harrison, amigo pessoal de feras dos anos 70. Entre eles, o nosso fabuloso Emerson Fittipaldi, homenageado neste final de semana em Sampa, junto do seu Lotus 72D da temporada de 1972.



Um domingo inesquecível para todos nós.

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