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Archive for abril \29\-02:00 2012

Indy na Marginal

O Grande Prêmio Itaipava Armarinhos Fernando Magazine Luiza São Paulo Indy 300 Balas Dadinho Nestlé foi como um belo texto recitado por um grande gago. Bom e irritante ao mesmo tempo.

A corrida foi movimentada, as bandeiras amarelas ajudaram a criar variáveis, o primeiro “s” cumpriu sua função de causar tumulto e a pista estava bonita, bem sinalizada. O grande problema foi mesmo o despreparo da equipe de transmissão de imagens em fazer um trabalho fluido e organizado. Os cortes de imagens aconteciam nas horas erradas, para lugar nenhum, disputas não eram mostradas e as repetições não tinham todo o acontecido – sem contar a chatice do “super-slow” e a troca de nomes durante a narração.

Mas o texto lido pelo gago foi bom. Ah, foi. Os brasileiros remaram muito no chove-não-molha, os da equipe KV um tanto mais com suas táticas incompreensíveis. Aliás, Takuma Sato largou em último e chegou à terceira colocação graças justamente a sua tática, e por – milagrosamente – ter terminado a prova.

Bia Figueiredo foi combativa, merece muito mais, tem muito talento.  Castroneves terminou no quarto posto, e não tem do que reclamar o nosso brasileiro melhor colocado.

Will Power venceu com sobras, lidera a temporada com 180 pontos, seguido de Castroneves com 135. A próxima etapa será a monstruosa Indy 500, todos ao Templo!

Ah. Como cereja do bolo, não havia quem conseguisse abrir as garrafas de champanhe levadas ao pódio. Supimpa.

P.S.: A foto é de Bruno Terena/Agência Warm Up

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Nota de rodapé

Dentro do sistema, todos querem uma boa história.

Em cartaz no melhor cinema da cidade ou no jornal da pior banca do bairro; no rádio de quem almoça apressado ou nos telejornais de quem janta cansado; na revista semanal que paga seus colaboradores ou nos blogs mantidos por apaixonados escritores; do banco dianteiro do táxi que retorna da feira, até mesmo nas linhas do inquérito que leva alguém pra cadeira…

Fora do sistema, todos querem uma boa história.

Mesmo elas, sob certo ponto de vista, viram privilégios para poucos. Como é triste a miséria de quem não ouve nem é ouvido, lê ou é lido, vê ou é visto. Passam por perto todos os dias, mas raramente são percebidos.

 

 

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Pois não é que as coisas estão andando! O projeto da família, apresentado aqui em post de meses atrás, volta com novidades.

Em algum lugar de Florianópolis o irmão do meu Fusquinha 1969 está recuperando o seu “shape” original. Na foto já vemos a frente do ano correto, 1977….a traseira também já está lá, voltará alinhado e pronto para pintura.

Carroceria ficando pronta, chassi e mecânica passam a ser a bola da vez na recuperação do “Frank”.

Ando imaginando a danada com umas rodas de Porsche 914. Imaginar não paga.

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Resignado, não verei Dylan amanhã.

Eu me conforto por aqui. Lembrando que em breve On the Road estará correndo, numa grande tela, para uma grande audiência.

 “Nos intervalos, corríamos até o Cadillac e tentávamos descolar umas garotas, rodando para cima e para baixo pelas ruas de Chicago. Nosso carro enorme, cheio de cicatrizes, profético, as aterrorizava. Em seu frenesi descontrolado, Dean dava marcha a ré de encontro aos hidrantes e ria como um maníaco. Pelas nove da manhã o carro era uma ruína completa; o freio já não funcionava, os párachoques estavam destroçados e o câmbio rangia. (..) Parecia uma velha bota enlameada e não uma limousine flamejante. Pagara o preço da noite. (…) Já estava na hora de devolver o Cadillac para seu dono. (…) Dirigimos até lá e enfiamos um troço arruinado e enlameado no seu respectivo boxe. O mecânico nem reconheceu o Cadillac. (…) Tínhamos de cair fora imediatamente. Caímos”

Na trilha provavelmente não haverá Dylan. Mas Changing of the Guards poderia tocar o filme todo.

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Não sinto nenhuma vontade de escrever sobre o GP do Bahrein; já fiz um post sobre antes da bela corrida.

E olha que Kimi merecia, mas não.

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Nesta terça feira, dia 23, Bob Dylan reencontrará Porto Alegre em um show que teve seus ingressos esgotados em poucos dias.

Na quinta será a vez de Florianópolis receber Paul McCartney, que em 2010 se apresentava em Porto Alegre.

Isso significa que nesta semana, de algum lugar do sul do país, alguns poucos sortudos conseguirão ir ao show de dois monstros rodando pouco mais de 450km. Humpf.

Eu queria Dylan, não tinha mais ingresso. (Estive no Paul/2010)

P.S.: Johnny Depp toca mesmo uma guitarrinha. O disco do Oasis Be Here Now, por exemplo, tem o Mãos de Tesoura brincando de músico.

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Não tem sobrado tempo. O bom é que no pouco que sobra, coisas boas acontecem.

Ontem o amigo Rodrigo Lombardi me indicou o vídeo que segue abaixo, uma obra.

Obra de ver com gosto, o Top Gear tem essa mania de acertar a mão e fazer programas que surpreendem.

E como não tem sobrado tempo, durante o dia de hoje, pelas ruas e pelos corredores por onde passava, eu imaginava o que daria para aprontar com um carrinho desses. Voltaria pra casa feliz que só.

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Fangio; Monza; 1955:

Nico Rosberg; China; 2012:

57 anos: Foi o tamanho do hiato entre as duas vitórias da marca alemã.

Um abismo tecnológico, dois mundos muito diferentes.

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Soco no rim dos inalienados.

Um dos poderes que os grandes eventos esportivos possuem é a capacidade de ampliar os holofotes para a região que os recebem.

Contexto e evento interagem. O resultado é o clima que chega aos expectadores em forma de imagens, relatos e histórias.

No modo dinâmico e veloz como as coisas estão encadeadas atualmente, a F1 já chegou ao Bahrein faz tempo. Tão logo as luzes eram apagadas na Malásia ela por ali já pisava, indesejada.

Certeza que ignorar o delicado clima de guerra civil e descontentamento que a região enfrenta em prol de contratos firmados será um grande tiro no pé.

Possível retrato: Os mesmos que aqui venderam o amistoso da Seleção da CBF no Haiti, vizinho devastado pelo terremoto, exaltando a postura humana dos atletas que lá estavam e dos demais envolvidos, estes mesmos teriam problemas para explicar o motivo de assistirmos automobilismo num país onde as coisas não andam bem.

Bernie já deveria ter cancelado o evento, se o fizer será depois de aguardar ao máximo.

A cada nova hora que ele, que não é anjo, empurra com a barriga a situação, vai ficando mais nítido que alguns esportes se importam menos com a população que os recebem do que outros. Para alguns, inclusive, é indiferente se as arquibancadas estarão em paz, ou mesmo vazias.

$oco no rim dos inalienados.

Pesquei essa foto no facebook alguns dias atrás. Infelizmente não tenho como dar crédito, é maravilhosa.

Aqui temos um “Plantão Bahrein” ->  http://www.grandepremio.com.br/ao-vivo/

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O gosto por corridas nos acompanha desde muito tempo.

Homero, narrando a sua saga de Troia, colocou uma na história. O Canto XXIII da Ilíada conta os jogos fúnebres que Aquiles organizou em honra de Pátroclo, um dos bons momentos do épico.

A primeira prova dos jogos foi uma corrida de bigas, feitas de ouro e estanho, pela praia onde a força helena estava acampada. Como prêmios foram distribuídos por Aquiles: ao vencedor, Diomedes, uma bela e  “muito hábil” escrava, de “cintura baixa” e uma trípode (suporte com alças); Ao segundo colocado, Antíloco, uma égua vistosa, de seis anos de idade e prenha; O Rei de Esparta, Menelau, ganharia relutante um caldeirão “reluzente” pelo terceiro posto por ele alcançado.

As corridas com bigas deviam despertar na época o frenesi que um “pega” de carros desperta atualmente em nós – houve briga entre os tensos expectadores da prova narrada por Homero. Os romanos começaram a erguer o seu monumental Circus Maximus no Séc V a.e.C., ao lado do famoso Coliseu. Ali uma multidão acompanharia disputas com até 12 carros, bem como espetáculos teatrais.

Na região da Trácia, assim como os romanos, alguns gregos também construíram o seu. O Hipódromo de Constantinopla é objeto desse texto, tanto pela imponência da sua versão mais requintada como também pela importância dos eventos que ali aconteceram.

A Trácia é a região que acolhe o que hoje conhecemos como Istambul, na Turquia. Essa cidade nasceu como uma antiga polis grega, de pouca importância, chamada Bizâncio. Às margens do Bósforo, ela teve sua sorte modificada quando Constantino transferiu a capital do seu Império Romano do Oriente para lá, em 324 e.C.. Ele daria a antiga cidade-estado grega o nome de Constantinopla e a possibilidade de ser o que a Roma decadente já não conseguia: O centro cultural e religioso do mundo.

O hipódromo de Constantinopla teria função chave na nova capital do império, mas foi construído ainda antes da “fundação” de Constantino. Na polis grega ele tinha capacidade para aproximadamente 50 mil pessoas. A cidade cresceu em importância e viu sua população crescer, e também se encher de riquezas, o complexo foi então ampliado para as dimensões aproximadas de 450m x 150m, passando a comportar cerca de 100 mil expectadores.

Essas 100 mil pessoas vibravam em corridas onde até oito bigas podiam se enfrentar, tendo a tração de quatro cavalos cada uma, em provas que aconteciam na pista em forma de “U”.

Acomodados em arquibancadas ou camarotes, esse era um dos locais onde ocorria a interação do imperador com a população. Ele ficava em um espaço reservado, chamado “kathisma”, com acesso direto do seu Palácio. Mas quando dentro do complexo, o  imperador era obrigado a ouvir os gritos da massa – ficar indiferente não ajudava na sua popularidade dentro da cidade.

O crescimento de importância de Constantinopla na política da época se refletia em grandes investimentos nas obras públicas. O imperador Teodósio (379-95), após controlar ameaças externas e pacificar a região, implantou um plano de construções e ampliações dos prédios. Grandes avenidas e praças, muralhas, foro, estátuas, pórticos e uma grande ampliação e embelezamento do Hipódromo.

Trouxe da egípcia Karnak um obelisco do Faraó Tutmosis III, que seria “espetado” no centro da pista de corrida, junto de monumentos. Num deles aparecia junto de sua família observando as corridas e subjugando povos estrangeiros. Outro valioso item que embelezaria o complexo era um ornamento contendo três serpentes enroscadas, presente dos atenienses para o Oráculo de Delfos após a vitória na Batalha de Plateias.

Justiniano I (527-565) também empreendeu um plano de construções para a cidade, que tinha como protetora a Nossa Senhora. Ele procurou ressaltar a sua efervescência cristã, trazendo mosteiros e igrejas como a de Santa Sofia. Os católicos cristãos dessa Sé buscavam ser o centro influente do mundo, estudando culturas clássicas e o oriente, tendo como obsessão o sonho de suceder Roma como eixo de um grande império. Como exemplo disso, era encontrado na praça central da cidade um marco chamado Milion, em forma de Arco do Triunfo, com um mapa do mundo conhecido na época e de onde eram medidas todas as distâncias limites do império.

Como local de encontro da massa, o Hipódromo também foi palco de grandes derramamentos de sangue.

O Imperador Anastácio, aos 80 anos de idade, enfrentou uma disputa com o Patriarca – defensor da moral católica na cidade – em função da sua religião pessoal. Anastácio era monofisista (defendia que Cristo tinha uma só natureza, unindo o divino e o humano). Anastácio depôs o Patriarca e colocou um fantoche, que aceitou inserir frases do monofisismo em tradicionais hinos católicos cristãos, o que revoltou a população local.

Anastácio enfrentou a crise. Diante de um hipódromo lotado, discursou e ofereceu sua renúncia. Os expectadores ficaram abalados com o idoso imperador demonstrando humildade e o aclamaram fervorosamente. Mas tão logo a massa saía do hipódromo, Anastácio ordenaria que os guardas massacrassem a todos – a oposição era assim eliminada.

Havia na cidade fortes facções políticas, chamadas Facções do Circo. Caracterizadas como Verdes e Azuis, essas facções eliminaram outras menores. Os grupos organizavam eventos esportivos, reuniões, assembléias públicas e também inflavam revoltas nas ruas quando alguma medida do governante ia contra os seus interesses polarizados.

Os melhores esportistas defendiam as cores delas, logo, o esporte era também ligado às disputas políticas e à simpatia da população pelos personagens envolvidos. Anastácio mandou construir estátuas homenageando o  líbio Pórfiro, que corria – e vencia – pelos Verdes, facção que apoiava o imperador.

Em uma grande rebelião dos Verdes, a Catedral de Santa Sofia e boa parte da cidade foi tomada pelo fogo. Era a Revolta de Nika, que no ano de 532 fez o então imperador, Justiniano, responder com dura repressão aos rebeldes. Ele mandou sua guarda massacrar 30 mil membros da facção que se encontravam reunidos no Hipódromo, após os atrair para o local, confiscando também todas as propriedades de suas famílias.

Constantinopla foi fortemente pilhada durante a Quarta Cruzada, em 1204. Boa parte dos afrescos e riquezas foi levada para a Europa, principalmente para a Itália. Já em 1453 foi tomada pelos Turcos-Otomanos, que a rebatizaram e remodelaram a cidade com os costumes e estilos próprios do Islã.

Atualmente o Hipódromo de Constantinopla é um grande parque, contendo ruínas e histórias que Istambul herdou. Chamado de Praça Sultão Ahmet, ainda preserva parte das arquibancadas e restos de monumentos da espinha central, tendo o obelisco egípcio em destaque.

Ali heróis venceram e foram imortalizados em estátuas, imperadores enfrentaram o aplauso e a fúria da massa e muito sangue foi derramado em embates muito mais fortes que os atualmente revividos entre torcedores do Galatasaray e do Fenerbahce.

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Bibliografia para esta postagem:

Os Viajantes Medievais da Rota da Seda –  Editora UFRGS, 2012 – José Rivair Macedo

Bizânzicio. A ponte da Antiguidade para a Idade Médioa – Editora Imago, 2002 – Michael Angold

http://pt.wikipedia.org

Fotos de: http://www.arkeo3d.com/byzantium1200/links.html ,onde podemos fazer um passeio pela Constantinopla de 1200 e.c.

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