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Archive for abril \29\UTC 2013

Circuito de La Sarthe, amanhecer de 24 de junho de 1951. Edmond Mouche contorna mais uma vez Le Tertre Rouge, dessa vez sem nenhum farol alto na sua traseira – logo começaria a cruzar os longos seis quilômetros da Ligne Droite des Hunaudières. Tão logo entra na reta o piloto leva o carrinho de alumínio de encontro à margem direta da pista, atitude nobre que adota para deixar aos competidores mais velozes um traçado livre. A reta longa recém recomeça e, enquanto o carro lentamente se aproxima dos 160 km/h, o corpo vai acusando o cansaço acumulado. Mouche se movimenta no banco, ergue o braço esquerdo, fecha e abre a mão. O sangue circula e ele confere os mostradores de pressão do óleo e nível de combustível, projetando quantas voltas ainda terá que realizar até entregar a direção para Auguste Veulliet e poder, enfim, se esticar um pouco.  Uma neblina deixa o horizonte da cor do carro #46. Através dela ele enxerga se aproximar a Mulsanne, um cotovelo que encerra a grande reta. Mouche olha para o seu único espelho e volta ao traçado para depois, habilmente, começar a diminuir a velocidade usando os quatro tambores e a sua caixa de marchas. Contornado o cotovelo, viriam os demais desafios da longa pista de 13.492 quilômetros – depois de tudo, novamente na longa reta, o cansaço lançaria a sua luz alta.

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O final da década de 40 foi um marco para os Porsche. Em 1949 eles puderam retornar para Stuttgart, onde consolidaram uma nova marca de carros que viria a ganhar status de ícone mundial – Ferdinand Porsche e seus familiares estavam desde 1944 refugiados em Gmünd, esperando pelo fim da guerra em uma fazenda austríaca. Em 1946 fundaram a Porsche, num primeiro momento consertando jipes, tratores e máquinas agrícolas. Em 1947 Ferry Porsche, inspirado no conceito do Cisitalia 1100, decidiu construir um esportivo sobre a plataforma do Volkswagen (fusca).

Nasceriam os projetos 356/1 e 356/2, ambos construídos em alumínio. O primeiro, um esportivo conversível de dois lugares com motor entre-eixos e um leve chassi feito de arranjos de tubos metálicos; o segundo, em estilo berlineta, com espaço para bagagem e banco traseiro, construído sobre a conhecida mecânica Volkswagen.

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356/1 – protótipo inspiraria o futuro 550

O primeiro projeto, embora revolucionário, ficaria na fase do protótipo devido ao alto custo final. O segundo viria a tornar-se um dos carros mais desejados ao longo dos anos.

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356/2 – Construídos com itens dos Wolkswagen

Em Gmünd foram construídos, entre 1947 e 1949, aproximadamente 50 modelos 356/2. Estes eram artesanais, feitos muitas vezes com sobras de guerra e peças vindas da fábrica da Volkswagen em Wolfsburg – em 1950, já em Stuttgart, uma linha de produção mais eficiente seria implantada (e o alumínio abandonado).

Em outubro de 1950, no Paris Salon de l’Automobile, foi feito um convite formal para que os novos esportivos participassem da próxima edição das  24 Horas de Le Mans, que ocorreria nos dias 23 e 24 de junho de 1951. Para divulgar o produto e alavancar as vendas, Ferry Porsche decidiu inscrever dois carros na categoria 1.100cc. Era o retorno do sobrenome às pistas – Ferdinand Porsche, falecido em janeiro de 1951, foi um dos capitães das emblemáticas Auto-Union e Mercedes do pré-guerra .

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Dois modelos produzidos ainda na Áustria, o chassi 356/2-055, marcado com o número de corrida 47, e o chassi 356/2-063, com o 46, foram levados para a prova. Durante os treinos o #47 acabou avariado, não podendo ser recuperado a tempo. Isso fez com que a Porsche fosse apenas com uma força para a sua estreia nas pistas, sendo o carro pilotado pelos franceses Auguste Veuillet e Edmond Mouche .

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Estes dois carros foram especialmente preparados: os freios por tambor ganharam sistema hidráulico, substituindo os cabos dos carros produzidos na Áustria; a carroceria teve as rodas cobertas, herança das flechas-de-prata do pré-guerra; o motor teve que atender aos requisitos da classe 1100 cc de corrida, reduzindo a cilindrada do boxer Volkswagen de 1131 cc para 1086 cc, aspirado por dois carburadores Solex 32 PBI, levando com confiabilidade o carro de cerca de 640 kg a velocidades próximas aos 160 km/h.

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Sucesso surpreendente já em sua primeira aparição. Ao final da prova, Auguste Veuillet e Edmond Mouche levariam o time a vencer pela primeira vez, triunfando na sua classe e ficando em vigésimo na geral. Percorreram ao total 1.765 milhas, conseguindo terminar à frente de todos os carros da classe 1500 cc. Era o primeiro triunfo alemão em corridas após a Segunda Guerra, e a equipe repetiria o feito no ano seguinte, terminando em décimo-primeiro na geral.

Nascia o belo casamento da Porsche com as competições de longa duração.

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Este carro, o de chassi número 55, atualmente repousa no acervo de uma bela coleção.

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P.S.: A primeira parte, em itálico, é apenas um delírio meu.

Bônus:

Clicando aqui você confere a características técnicas do 356/2-55 da Mans/51, no site da Porsche.

Clicando aqui você confere um radar de busca dos cerca de 50 carros produzidos em  Gmünd/Áustria.

Bibliografia que usei para escrever esse post:

Livro;

Sandler, Paulo Cesar – Porsche. O homem, o mito, o carro.

Sites; (todos acessados entre 26 e 29 de abril de 2013)

Ficha da prova de 1951 -> http://www.lemans-history.com/provas.php?ano=1951

http://www.porsche.com/

http://histomobile.com/

http://autoconcept-reviews.com/

http://www.ultimatecarpage.com/

http://legacymotorsport.com/

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A Peugeot acertou na mosca. O comercial do 208 com a Corrida Maluca é incrível.

Podia ser um longa, eu não iria reclamar.

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Para celebrar os então 60 anos de Silverstone, o ex-piloto de Fórmula 1 e atual comentarista da SkySports levou um carro singular de cada época para um passeio. Que tal acompanhá-lo?

Década de 50: Maserati 250f

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Década de 60: Lotus 49

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Década de 70: McLaren M23

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Década de 80: Lotus 98T

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Década de 90: Benetton B192

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Anos 2000: Red Bull RB4

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Um sortudo talentoso, esse Brundle.

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Faleceu Margaret Thatcher, a dama de ferro, personagem ligada à política do Reino Unido do Século XX

Para ela, todo um disco do Pink Floyd……..

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Essa eu vi no blog do Corradi – o imperdível http://f1corradi.blogspot.com.br/  – e tive que trazer para cá.

A revista americana Road & Track colocou o também americano piloto de testes da Caterham, Alexander Rossi, a acelerar o belo Lotus 49 no Circuito das Américas.

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A pista é linda, cheia de relevos e variações, e parece ter uma queda pelos Lotus lendários: em outubro de 2012 Mario Andretti também levava a sua antiga preta para passear por lá. (Clique aqui)

Vamos de carona com a Lotus 49, apresentada em 1967. Segura essa traseira!

AlexRossi2

AlexRossi

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