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Archive for abril \16\UTC 2014

Deux Chevaux

O cenário é o seguinte: um jornalista acostumado a disputar corridas e a fazer curvas no limite durante seus testes com carros esportivos nos mostra seu novo brinquedo. Citroen 2cv, seu sonho de infância, antítese de todos os carros que já mostrou em vídeo.

Chris, um dos integrantes do canal petrolhead Drive, do youtube,  apresenta e convida para um passeio no seu 2cv. Pouca velocidade, adrenalina e emoção; muitos detalhes e diversão.

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Acabou-se o que era doce

Vai curtir a tua aposentadoria, mas não some do mundo.

Um dia te compro.

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Como tantas outras crianças, aprendi a ler frases curtas um pouco antes do normal na caminhada escolar. Matemática até hoje não consegui, mas com palavras simples comecei a brincar cedo, sem muito acompanhamento.

Uma das coisas que lembro dessa época era a minha frustração ao tentar ler revistinhas. Como fui meio autônomo, não compreendia a convenção da leitura dos quadrinhos e tentava acompanhar a história no sentido vertical; desse modo, a menos que  a narrativa fosse muito óbvia, eu não compreendia – tempos depois lembro ter tido uma espécie de déjà vu ao pegar uma revista da Marvel e ficar perdido novamente.

“Como espetam as pontas das páginas do tempo (…)”, resmungaria Jack Kerouac em um dos seus romances*. É possível fazer uma relação interessante entre a lógica de uma história narrada com uso de imagens e a percepção da passagem do tempo que o artista tinha à época em que a criou.

Thompson, em Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial**, que ficaria popularmente conhecido como o “texto dos reloginhos”, aponta como se deu a grande revolução na percepção da passagem do tempo do século XIV em diante. Ele mostra como o relógio marcou uma transformação no cotidiano das pessoas: antes, num ambiente rural, suas atividades eram pautadas em ritmo próprio pelos trabalhos junto aos animais, pelo canto do galo, pela luz solar – nas cidades, o sino da igreja marcava uma forte referência temporal;  porém, com a popularização dos relógios, vieram novas referências que resultariam em uma vida regrada, no ritmo dentro da revolução industrial, nos prazos e no afastamento dos familiares – e o ponteiro dos minutos surgiria para atender a moderna necessidade de existirem mais “escalas” ao longo do dia.

As ilustrações nos códices e nos grandes afrescos medievais são ótimas fontes para observarmos essa transformação. Os artistas desse período gravavam as suas narrativa dentro de uma lógica própria.  Como ilustra abaixo a “Adoração dos Magos”, de Gentile da Fabriano (1370 – 1427), as ações se desenrolavam em uma grande “frame”, ou numa sequencia de imagens, onde é comum encontrarmos ao centro ou em tamanho destacado o personagem principal  em uma período marcante; ao passo que ao seu redor se desenrolam , sem ordem definida ou linear, outras etapas de sua vida e/ou da história contada.

Gentile_da_Fabriano_Adoration

Avançando no tempo, foi do estadunidense Richard Outcault (1863 – 1928) uma das primeiras histórias  montadas no modelo que seguimos atualmente. No final do Século XIX, esse artista aperfeiçoou suas tirinhas de jornal para um formato que cairia no gosto dos leitores e evoluiria para histórias maiores e mais complexas, que são tão populares na cultura contemporânea a ponto de influenciarem diferentes centros e migrarem para outras mídias, como o cinema, atingindo ainda mais pessoas.

yellowkidEste processo foi iniciado em uma imprensa que, assim como o relógio, marca muito particularmente a passagem do tempo  – quinzenal, semanal, diário – entre uma comunidade. Além de aproximar histórias e difundir pensamentos e sonhos, ela cria os laços traduzidos nos dramas, polêmicas e dificuldades comuns aos leitores dessa comunidade.

É necessário lembrar, também, que muito antes de tudo isso, as paredes de Lascaux já recebiam narrativas de caçadas e rituais – feitas aproximadamente 15.000 anos atrás, dentro de uma lógica totalmente distinta (e, nesse caso, acredito que original). As paredes dessas cavernas mostram como é humano o ato de criar uma arte para que outras pessoas entrem em contato com histórias, e também como é desafiante para seres de épocas diferentes as compreenderem totalmente.

Eu gosto de pensar que a audiência de Lascaux vivia no paraíso da ausência dos compromissos modernos, quase como eu há muitos anos atrás, quando pegava uma revistinha em quadrinhos apenas para tentar decifrar seus códices.

Ah, como espetam essas pontas das páginas do tempo…

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* Kerouac, em Os Subterrâneos.

** THOMPSON, Edward P. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998

Esse texto foi construídos ao longo de meses, quando o tédio batie, e nasceu com forte influência da professora da UFRGS Cláudia Mauch.

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-historias-em-quadrinhos

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