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Archive for the ‘Sobre a vida’ Category

E se pudéssemos voltar aos nossos anos dourados? Renascer?

E se, ao fazê-lo na época em que vivemos, mantivéssemos em mente as nossas lembranças, experiências de vida, erros, acertos e aprendizados?

Poderia ser o fim definitivo de uma das maiores mentiras da humanidade, um dos maiores refúgios que a nossa espécie já criou: No meu tempo é que era bom!

Medicina, ciência, tecnologia, distâncias, informações, conhecimentos, traumas, costumes… Poderíamos perceber que somos produto de um determinado contexto, um tempo nem melhor nem pior que, noves fora os avanços humanos naturais, é apenas diferente. Que somos moldados por experiências ao longo de complicada caminhada que, volta e meia, é interrompida para uma olhadela ao redor e aquela reflexão cansada sobre como nos são saudosos os nossos primeiros passos. Um refúgio. Tão bem construído que aqueles que hoje são jovens repetirão a mesma frase em alguns anos. No meu tempo é que era bom!

E se nós pudéssemos voltar aos nossos anos dourados? Renascer?

Bem, as roupas seriam certamente diferentes.

simca

 

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Vai ter Copa

Charge genial de um jornal dinamarquês

dinamarques

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Como tantas outras crianças, aprendi a ler frases curtas um pouco antes do normal na caminhada escolar. Matemática até hoje não consegui, mas com palavras simples comecei a brincar cedo, sem muito acompanhamento.

Uma das coisas que lembro dessa época era a minha frustração ao tentar ler revistinhas. Como fui meio autônomo, não compreendia a convenção da leitura dos quadrinhos e tentava acompanhar a história no sentido vertical; desse modo, a menos que  a narrativa fosse muito óbvia, eu não compreendia – tempos depois lembro ter tido uma espécie de déjà vu ao pegar uma revista da Marvel e ficar perdido novamente.

“Como espetam as pontas das páginas do tempo (…)”, resmungaria Jack Kerouac em um dos seus romances*. É possível fazer uma relação interessante entre a lógica de uma história narrada com uso de imagens e a percepção da passagem do tempo que o artista tinha à época em que a criou.

Thompson, em Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial**, que ficaria popularmente conhecido como o “texto dos reloginhos”, aponta como se deu a grande revolução na percepção da passagem do tempo do século XIV em diante. Ele mostra como o relógio marcou uma transformação no cotidiano das pessoas: antes, num ambiente rural, suas atividades eram pautadas em ritmo próprio pelos trabalhos junto aos animais, pelo canto do galo, pela luz solar – nas cidades, o sino da igreja marcava uma forte referência temporal;  porém, com a popularização dos relógios, vieram novas referências que resultariam em uma vida regrada, no ritmo dentro da revolução industrial, nos prazos e no afastamento dos familiares – e o ponteiro dos minutos surgiria para atender a moderna necessidade de existirem mais “escalas” ao longo do dia.

As ilustrações nos códices e nos grandes afrescos medievais são ótimas fontes para observarmos essa transformação. Os artistas desse período gravavam as suas narrativa dentro de uma lógica própria.  Como ilustra abaixo a “Adoração dos Magos”, de Gentile da Fabriano (1370 – 1427), as ações se desenrolavam em uma grande “frame”, ou numa sequencia de imagens, onde é comum encontrarmos ao centro ou em tamanho destacado o personagem principal  em uma período marcante; ao passo que ao seu redor se desenrolam , sem ordem definida ou linear, outras etapas de sua vida e/ou da história contada.

Gentile_da_Fabriano_Adoration

Avançando no tempo, foi do estadunidense Richard Outcault (1863 – 1928) uma das primeiras histórias  montadas no modelo que seguimos atualmente. No final do Século XIX, esse artista aperfeiçoou suas tirinhas de jornal para um formato que cairia no gosto dos leitores e evoluiria para histórias maiores e mais complexas, que são tão populares na cultura contemporânea a ponto de influenciarem diferentes centros e migrarem para outras mídias, como o cinema, atingindo ainda mais pessoas.

yellowkidEste processo foi iniciado em uma imprensa que, assim como o relógio, marca muito particularmente a passagem do tempo  – quinzenal, semanal, diário – entre uma comunidade. Além de aproximar histórias e difundir pensamentos e sonhos, ela cria os laços traduzidos nos dramas, polêmicas e dificuldades comuns aos leitores dessa comunidade.

É necessário lembrar, também, que muito antes de tudo isso, as paredes de Lascaux já recebiam narrativas de caçadas e rituais – feitas aproximadamente 15.000 anos atrás, dentro de uma lógica totalmente distinta (e, nesse caso, acredito que original). As paredes dessas cavernas mostram como é humano o ato de criar uma arte para que outras pessoas entrem em contato com histórias, e também como é desafiante para seres de épocas diferentes as compreenderem totalmente.

Eu gosto de pensar que a audiência de Lascaux vivia no paraíso da ausência dos compromissos modernos, quase como eu há muitos anos atrás, quando pegava uma revistinha em quadrinhos apenas para tentar decifrar seus códices.

Ah, como espetam essas pontas das páginas do tempo…

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* Kerouac, em Os Subterrâneos.

** THOMPSON, Edward P. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998

Esse texto foi construídos ao longo de meses, quando o tédio batie, e nasceu com forte influência da professora da UFRGS Cláudia Mauch.

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-historias-em-quadrinhos

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O Portal

riverraid

Outra lembrança: a chave seletora “tv – videogame”  que ficava atrás da televisão. A caixinha, pendurada por duas conexões quebradiças, era uma espécie de portal de entrada para outra dimensão – ela separava os programas que a minha família assistia das minhas aventuras no Atari.

A chave corria em uma canaleta direto para a posição correta, fazendo com que a imagem do cartucho do videogame fosse projetada no canal da tv. Caso algum ajuste fino fosse ainda necessário, existiam no meu aparelho de 14 polegadas os controles do “vertical” e “horizontal”, pois algumas televisões cortavam partes das telas dos jogos – geralmente onde ficavam as contagens de tempo e a pontuação.

Certa vez entrei num dilema, e só esta caixinha mágica podia me ajudar. Acontece que ia passar um episódio imperdível da Super-Máquina  (compreendam, todos eram), e eu havia finalmente ganho o cartucho do Hero – que tanto jogava quando ia na casa daquele vizinho que não emprestava suas coisas. Para sair dessa, minha mente bolou a seguinte estratégia: colocando a chave seletora no meio do caminho entre as posições “tv” e  “videogame” eu certamente conseguiria dividir a minha tela e fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Claro!

Triste ilusão. Devo ter perdido uns 10 minutos tentando. Ah, o fracasso. Desliguei tudo, coloquei videogame e cartuchos no rack, peguei minhas coisas e me mandei pra rua brincar. Naquele tempo a gente – pasmem – brincava na rua; porém, hoje vocês podem dividir a tela das televisões sem complicações. Estamos empatados?

caixa-seletora

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P.s.: Esse texto saiu depois que o @e001 publicou em seu twitter a sua primeira compra de 2014, um Atari. Verdade ou não, afinal troll não tem coração, o textinho surgiu.

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Eu tenho uma dica. Uma incrível dica:

 

 

 

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Fomos atingidos

Era uma manifestação,

virou um contramovimento…

Repressão despreparada e desproporcional;

Estado que abocanha impostos e devolve pouco ao seu povo;

Muitos partidos políticos, todos se coligando;

Imprensa comprometida, maniqueísta, que não enxerga os clamores que surgem.

Transporte Público, Saúde, Segurança , Educação e Moralização da Política: a massa parece estar acordando.

atualização em 17/06

Giuliana Vallone

Repórter Giuliana Vallone, atingida por um tiro de borracha disparado pela polícia na manifestação de São Paulo (13/06/13), voltando a sorrir.

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Não é mais permitido fumar em espaços coletivos fechados. Porém, no final da festa, lá estava o cheiro da fumaça no cabelo dela.

Os melhores filmes são como o cheiro de cigarro. Mesmo que tenham nascido sem cores, som 5.1, efeitos especiais ou outras perfumarias cheirosas, ganham longevidade daquelas familiares aos grandes clássicos literários – não saem da cabeça.

Atemporal. O que foi visto como o “último grito” do seu tempo é revisitado anos depois. Um resgate visual dos trajes e trejeitos, da arquitetura e do contexto – dos maiores legados que o cinema nos proporciona.

Alguns destes até somem, mas a versão definitiva de um filme nunca será superada pela sua releitura.

O Sétimo Selo será sempre o sombrio, genial e diabólico trabalho de Ingmar Bergman; Casablanca o glamoroso, nebuloso e – talvez não hoje, talvez não amanhã – romântico de Michael Curtiz.

Insuperáveis. Igual ela voltando pra casa: perfeita, com ou sem o cheiro do cigarro pelos cabelos.

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