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Posts Tagged ‘1953’

No dia 15 de setembro do ano de 1953, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense fechava os seus primeiros 50 anos de existência. O clube já guardava conquistas internacionais e regionais em sua caminhada, projetava agora crescimento e consolidação após o primeiro cinquentenário.

A mudança de casa faria parte desse processo, o Estádio Olímpico tinha sua construção acelerada. Ele entraria em cena no ano de 1954, em substituição ao Estádio da Baixada do Moinhos de Vento, que recebia os jogos do clube em uma zona nobre da cidade, mas estava obsoleto e ultrapassado frente aos novos padrões do futebol que a época trazia.

Nesta época um dos esportes de maior crescimento e visibilidade era a recém criada Fórmula 1. O campeonato nasceu no ano de 1950 para recuperar o atraso que a paralisação da Segunda Guerra Mundial impôs as corridas, era o fim da era do Grand Prix. A partir de sua criação, os melhores pilotos e as marcas mais poderosas de motores e automóveis disputariam campeonatos mundiais cheios de perigos e heroísmo.

Após três anos de sucesso os brasileiros ainda não tinham contato com a categoria, que já trazia o argentino Juan Manuel Fangio como um de seus campeões, a não ser por rádio e relatos – a primeira corrida em solo brasileiro só aconteceria na década de 70.

O esporte a motor, porém, seguia crescendo no sul do país, principalmente pelas corridas de carreteras que cortavam estados, cruzavam a fronteira brasileira e criavam os seus heróis locais.

Durante a Segunda Guerra um baque freou o esporte no país, o racionamento de combustível. Equipamentos de gasogênio eram instalados nos automóveis e corridas eram realizadas para estimular o uso do combustível alternativo e demonstrar a sua segurança. Apenas com o fim da segunda guerra o esporte novamente tornaria a receber total incentivo e voltaria a crescer.

A cidade de Porto Alegre, que já havia recebido corridas em suas ruas, promoveria em 1952 o I Grande Prêmio Porto Alegre, no Circuito da Farrapos. Esta corrida aconteceria no centro da cidade, abrigando duas categorias de carros, até 1200cc e Força Livre. Na Força Livre, 16 carreteras largaram para 25 voltas ao longo do trajeto que passava pela Av. Farrapos, Sertório, Cairu, Voluntários da Pátria e Ramiro Barcelos.

O evento, de grande sucesso de público e repercussão, teve como grande vencedor Júlio Andreatta e foi um dos motivadores para o acontecimento que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense traria para os habitantes da cidade, independente do time que torciam, no ano do seu cinquentenário: O Grande Prêmio do Cinquentenário Tricolor.

Em 1953 o Grêmio possuía um Departamento de Automobilismo, tamanha a popularidade do esporte na época. Compunham o Departamento grandes ídolos locais, como os irmãos Catharino e Júlio Andreatta, Diogo Ellwanger e José Rimolli.

Para celebrar os 50 anos do clube, o seu Departamento de Automobilismo, em conjunto com o Automóvel Clube do Rio Grande do Sul, promoveu ao redor do Parque da Redenção um dia de corridas, sendo a prova principal formada por um grid de 11 carros de grande potência, alguns de Fórmula 1.

O Circuito da Redenção, com extensão de três quilômetros, foi preparado de forma a dar segurança e comodidade ao público. Barricadas de segurança, nos moldes da década de 50, foram montadas nos pontos mais perigosos. Passarelas foram construídas para afastar os pedestres do tráfego veloz de veículos e arquibancadas para o grande público foram erguidas.

Participaram do evento onze pilotos. Os gaúchos Catharino Andreatta, José Otero e Artur de Souza Costa; os cariocas Henrique Casini, Benedito Lopes, Souza Costa e Gino Bianco; os paulistas Jair de Mello Viana, Luiz Valente e Rafael Gargiulo e os uruguaios Fontes e Oscar Gonzales. Eles conduziriam carros que muitos gaúchos apenas conheciam de relatos vindos do exterior: Quatro Maseratti A6GCM, Duas Ferrari 125 V12, Uma Ferrari  166, dois monopostos com mecânica Ford, um Allard J2 com motorização Chevrolet Cadillac e um Cunningham C3.

O Grêmio arcou com todos os custos de translado e estadia, que não foram poucos. A prova, marcada inicialmente para o dia 18 de outubro, foi adiada em uma semana devido à chuva que caía. Durante a semana os carros ficaram expostos no Posto Sagol, atraindo visitantes curiosos e ansiosos pela prova que ocorreria no final de semana seguinte.

Mas o dia 25 amanheceu igualmente chuvoso, e sob essas condições a prova ocorreu. Os pilotos tiveram enormes dificuldades no encharcado e escorregadio piso, muitas vezes com paralelepípedos do tráfego urbano, não podendo acelerar a pleno as suas máquinas. O grande público, mesmo assim, prestigiou em peso a competição e foi brindado com uma grande quantidade de rodadas e derrapagens.

Após 40 voltas, numa baixíssima velocidade média de 79km/h, Henrique Casino vencia com uma Ferrari, seguindo de Jair de Mello Viana, também de Ferrari, e Luiz Valente, num monoposto Ford.

Desta maneira o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense comemorava os seus 50 anos em grande estilo, apesar da chuva que insistiu em prejudicar o evento.

P.S.: Fotos do evento e informações foram tiradas do ótimo livro Automobilismo Gaúcho, Levantando Poeira, de Gilberto Menegaz. Recomendo a compra para todos que gostam do assunto.

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