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Posts Tagged ‘1969’

Em maio, na volta de um bom final de semana passado em Florianópolis, iluminei a BR101 com a luz de leitura do ônibus em que viajava. Fiquei boa parte dessa viagem montando o roteiro de revisões, e demais coisas importantes, que eu deveria cumprir para deixar meu Fusca 69 pronto para a viagem Porto Alegre/Passo Fundo – nessa cidade aconteceria, nos dias 23 e 24 de junho, um evento para reunir a turma dos motores a ar.

Dia 23: Foram aproximadamente 340km percorridos. Saímos em quatro carros às 3 horas da Capital. Logo que entramos na estrada e passamos a manter velocidades entre 80 e 100km/h esqueci a tensão, relaxei o corpo e passei a curtir a viagem. Para quem nunca dirigiu um Fusca é assim: ao atingir a velocidade desejada tu alivia um tanto o pé do acelerador, ele se encarrega de manter ela constante.

Enfrentamos um frio abaixo dos 5°C, boa parte do caminho foi subindo serra, a serração em alguns momentos deixava pouca coisa a vista na frente do carrinho – porcamente iluminada pelos ricos dos olhos-de-boi dos fusquinhas. Mas a viagem foi incrível.

Ver o sol nascendo na estrada agita as ligações sinápticas do cérebro, devagar a luz dos faróis é substituída pelo verde e cinza à frente, o pedágio se paga.

Na correria do dia às vezes falta tempo para fechar os olhos por uns 5 minutos e descansar a cabeça; no nascer do dia, após horas dirigindo, o efeito é inverso: olhos bem abertos, a mente descansa com mais luz – o cenário muda e a jornada passa para uma nova etapa.

Perto das 7 horas entramos na cidade de Passo Fundo, missão cumprida, carro perfeito na estrada. Próximo da entrada do evento uma batida forte na traseira, carro impossibilitado. Game Over.

A foto abaixo é da última segunda-feira, 09 de julho. Carro recebido da funilaria, da revisão da parte elétrica, da regulagem, da troca do escape…

Muito coisa passou pela minha cabeça durante esses dias. Ao final de tudo um carro é só um monte de ferro – e ferro se desentorta, solda, pinta. Existem tantos a venda (projeto que começa, projeto que termina), e tem as histórias que se acumulam.

Mas ainda não desisti do meu. Ano que vem preciso fazer a viagem de volta, conferir se o sol nascendo por aqui é tão bonito quanto por lá.

Vocês me entendem?

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Onde está o Wally?

 Hoje fui trabalhar com o 1969, as férias da faculdade permitem.

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Acabou que lembrei de uma passagem de On the Road, do Kerouac, onde Sal Paradise conta como Dean Moriarty desceu uma serra da Califórnia, com seu Hudson desligado e em ponto morto. Tangenciava cada curva no limite, ultrapassando cada carro que aparecida, não podia perder o embalo nunca.

“Ele conhecia todos os truques, todos os segredos de uma ultrapassagem de primeira classe (…) Percorremos cinquenta quilômetros sem gastar uma só gota de gasolina “

Em agosto levarei o 1969 para conhecer a serra gaúcha. Com o motor sempre ligado, claro, não tenho a garganta de um Hudson para alimentar.

 

 

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Eu pretendo fazer um post, mas tenho que compartilhar antes este vídeo que meu amigo Cristian editou. Neste domingo acompanhei o Clube do Fusca de PoA em um belo passeio.

Eu nunca tinha visto meu carro andando em gravação, muito menos comigo dirigindo (chego todo pimpão aos 50 segundos)

Que venham muitos outros mais

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Beatles and Beetle

Ficou bom, não?

 

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Quando se encara a reforma de um carro, duas das dificuldades que mais jogam contra a disposição durante os primeiros tempos da empreitada são o tempo e o investimento feitos no que não aparece aos olhos. Mecânica, elétrica, e tudo aquilo que resulta em segurança ao rodar.

E o que mais se quer é rodar, carro existe para isso.

Penei durante as primeiras etapas da reforma (não restauração, não optei pela originalidade) do meu Fusca 1969. O dinheiro suado foi, durante 15 dos 18 meses dela, gasto justamente no principal, mas menos aparente. Refiz linha de combustível, elétrica, freios, embuchamento, troquei o cabeçote do chassi, setor de direção…um exercício de persistência, onde comprar um frisinho ou qualquer outro ítem de acabamento era nada mais do que relembrar que o resultado final ia, sim, ser aparente e compensador.

Terminada a parte mecânica, vi o que é apaixonante durante o ato da reforma e/ou restauracão de um veículo. Deixar como imaginamos ao batermos os olhos nele pela primeira vez, acabado, um galinheiro por dentro, tristonho por fora…a cereja do bolo é revelar como idealizamos o carro quando este ainda não passava de um projeto, uma ideia maluca, a vontade de realizar algo.

Nessa semana me sinto um vencedor. Compartilho com vocês recordações da última etapa, o espaço onde eu pretendo, durante muito tempo, curtir os baratos, os passeios, momentos e amizades que esse meu projeto, enfim pronto, trará; é hora da retribuição.

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Fazendo compras

Se tem uma coisa que eu odeio, e fujo o quanto posso, é acompanhar uma mulher no mercado.

Posso ficar de bobeira, fazendo nada durante horas, que a sensação de tempo perdido não será maior do que a de 15 minutos andando em círculos por entre as fileiras de produtos.

Horas atrás fui convocado para esta missão, e chamei reforço. Meu idoso carro, que aos poucos volta à vida normal de um automóvel, foi fazer o rancho do mês, reencontrando, pela primeira vez desde que refiz a sua mecânica, essas tarefas usuais para as quais qualquer veículo nasce.

Que tal o passeio?


O maior barato! Fazer compras é sempre uma oportunidade para ter novos amigos, trocar experiências, rever a vizinhança. Não lembro a última vez que fiz, faz tempo… mas lembro bem da primeira, lá em 1969.


Muito diferente de hoje?


Era mais colorido, muito mais. Me sinto meio deslocado, não entendo a língua dos jovens, nem pára-choque de lâminas metálicas eu vejo mais. Com quem eu vou tirar um sarro aqui? Nos meus bons tempos adorava contar vantagem pra cima dos DKW’s. – Ô fumacento, vão comprar um óleo de cozinha pro teu tanque também? Ah, eu era terrível.


Hoje tem coisa pior, muito pior do que qualquer “Déka” já foi…


Espero me enturmar com esses jovens franzinos, mas aquela minha turma era Tric-tric-rolimã que só. Aliás, ainda se fala Tric-tric-rolimã?


Não, hoje se fala “dukaralheo”. E fica tranquilo, se não tem mais DKW’s indo fazer compras, o ar continua não fervendo.


Verdade! Graças ao meu bom deus Porsche, o ar nunca ferverá. Dukaralheo!



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Depois de longos 10 meses, pegamos novamente uma estrada.

A folga dele, assim como a da sua direção, virou história para os netos.

Pneus calibrados. 23 na frente, 25 atrás. Sem barulho das folgas nos terminais e nos embuchamentos.

Parada no posto de gasolina, motor desligado, sem medo. Alternador e bateria nova em uma elétrica revisada. “Manda 50 reais, no débito.”

Meio tanque no marcador novo, marca VDO, agora calibrado.

Por dentro, sem música. O aparelho de CD era o grande vilão da elétrica, mas o motor, redondinho, assobia.

Andei sem rumo e sem susto por um tempo. Matar uma saudade é assim mesmo, quando nos damos conta, cada um está no seu canto novamente, esperando o próximo passeio.

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