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Posts Tagged ‘avô’

A nossa mente não segue uma fórmula exata para criar os registros que viram memórias. Logo, por não existir uma Báskara, um Teorema de Pitágoras ou o Binômio de Newton das recordações, acabamos por gravar para sempre coisas sem importância ao mesmo tempo em que nos debatemos para resgatar uma data, um nome ou um acontecimento. Uma injustiça com os saudosos, eu diria.

Do que eu nunca esqueci, tem algo que sempre escondi. Em algum lugar no final dos anos 80, acredito que em 1987, aprontei uma daquelas…

Na época em que crescia para o mundo convivia com meus avós paternos, morávamos na mesma casa. Quando não estava enchendo eles de perguntas, pedindo histórias, aprendendo com eles a fazer um caleidoscópio, jogar xadrez ou falar inglês, eu fazia era arte.

O vô tinha um Gol LS 1600 dos primeiros, branco, tirado zero. Adesivo do exército no vidro dianteiro, botão de injetar gasolina no carburador, estepe sobre o motor, tampa do porta-malas barulhenta que só e duas perigosas travas do banco traseiro rebatível – prendi o dedo numa certa vez. Cresci ao redor daquele carro, não dava muito valor e hoje tenho saudade dele.

Quem aí sabe ver quando uma criança faz algo por maldade ou por brincadeira? Bom, certo dia enquanto andava pelos canteiros da casa, sabe-se lá por que, algumas pedras me chamaram a atenção. As tais pedras andaram pela caçamba de um caminhão de brinquedo por um tempo e, não me perguntem a razão – eu não sei por que, foram parar dentro de uma das rodas dianteiras do Gol.

A roda tinha algumas janelas para ventilar o disco de freio. Lá dentro coloquei umas cinco inocentes pedras e segui a minha vida, fui brincar de outra coisa.

O vô dava aulas na PUC, morávamos na zona sul da cidade. No fim de tarde seguinte entro na garagem e estão, meu pai e ele, tirando o último parafuso da roda e descobrindo as pedras que caíam totalmente gastas no chão.

“Taí o motivo da barulheira.”

Minha cara me entregou, acho.

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Movimentando peças

Na última segunda os gaúchos foram brindados com um feriadão. Gozei o meu em Florianópolis, junto do meu casal de avós, de dindos e duas primas, além do meu pai. Mas a estrela desses dias foi, por uma série de fatores, o meu avô paterno.

A blogueira Ingryd Lamas certa vez me falou que eles são criaturas especiais. Simples e perfeita a afirmação da Ingryd. O meu não foge a esta regra, já fez de tudo e mais um pouco nesta vida.  Soldado da ONU, ajudou a abrir a Faixa de Gaza com o Batalhão de Suez, professor, chefe escoteiro e cheio de histórias, meu avô é um mundo.

Pois ele participou – ainda participa na verdade – diretamente da minha criação. Durante o período que estive em Florianópolis lembrei que aprendi a jogar xadrez com ele.

Era um método engraçado. O vô foi enxadrista premiado no exército, e eu era um piá jogador médio de Atari. Pois durante bons anos a metodologia dele consistia em me dar corda, fazer pegar gosto pelo jogo, e eu ia aprendendo na seguinte toada. Ele provocava situações, errando de propósito para que eu me colocasse em condição vantajosa no jogo e tivesse facilidade de montar ataques.

Já eu, por mais que tentasse acertar, errava coisas banais. Pra comer uma peça sem grande importância, acabava entregando uma de maior hierarquia e assim, prejudicava toda a minha estratégia.

Meu avô foi um cara persistente dentro da tarefa de me ensinar xadrez, e eu aprendi.

Foi muito bom ter ido até Florianópolis.

Acontecerá neste final de semana o Grande Prêmio de Cingapura de Fórmula 1. O 15° round será mais um embate, dessa vez noturno, entre os postulantes ao título de 2010.

Curiosamente, a disputa desse ano traz consigo uma semelhança com as ingênuas partidas de xadrez  que eu levava com meu avô, nos velhos tempos.

Vejamos.  Vem existindo o jogo para que pilotos abram mão de sucessos pessoais com o intuito de ajudar seus companheiros. Vem acontecendo também sucessivos erros, muitas vezes bobos, dos principais postulantes ao título.

Tudo isto, normal em corridas, colabora para que tenhamos um campeonato cheio de possibilidades, e polêmicas.

Faltam apenas cinco etapas para que seja definido o novo campeão, após um recorde(?) na troca de líderes.

Felizmente na Fórmula 1 não existe a chance de se propor o empate.

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