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Posts Tagged ‘Brasília’

Pois todo mundo identifica um fusca apenas pelo barulho do motor, certo?

O motor boxer VW nasceu na década de 30 e não parou de evoluir durante os anos de produção em série, até que a Kombi trocasse de motorização e ele virasse de vez coisa do passado.

Durante a sua vida, o velho motorzinho sempre foi fiel as qualidades e aos defeitos que criaram a sua identidade . Confiabilidade, economia, desempenho urbano satisfatório e fácil manutenção fizeram dele  uma das máquinas mais conhecidas do mundo e renderam alguns mitos:

“Com um cabo do acelerador e uma correia reserva, dou a volta ao mundo…”

Mas para muitos as qualidades do boxerzinho não são suficientes, e estes partem então para uma adaptação. Aqui no Brasil já não é raro ver Volks anteriores a década de 80 com motores “AP” ou similares. E nessas, as qualidades se perdem e os ganhos são duvidosos. Muda a distribuição de peso, suspensão sofre, os freios precisam ser retrabalhados, tudo para entregar ao motorista emoções não muito diferentes as que um boxer bem trabalhado traria.

Para confrontar essa “receita”, eis que uma oficina inglesa especializada em VWs, a TypeTwoDetectives , criou um CARRO CONCEITO que trouxe, com muito bom humor, uma satisfação enorme aos puristas mundo afora. A vingança perfeita foi feita em cima de um moderno Golf, desconstruído, aproximado ao máximo da Brasília, carro que nasceu em terras tupiniquins e foi fonte de inspiração ao primeiro modelo do considerado sucessor do Fusca.

O Golf ganhou assim o cabeçote dianteiro do chassi, onde se apoiam os tubos da suspensão com seus feixes de mola,  o chapeu de napoleão, o tanque dianteiro, a suspensão traseira com sua cambagem negativa, o famoso câmbio, capela….um motor a ar!

Confiram algumas fotos do processo e o resultado final desta brincadeira, que cumpriu bem o papel de divulgar a oficina e vingar os adoradores do bom e velho boxer VW.

Clique abaixo para ver mais fotos do andamento do projeto, bem como ele pronto.

(mais…)

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No Rio Grande do Sul, infelizmente, o Museu da Ulbra foi leiloado para abrandar os prejuízos da união, decorrentes da singular administração do ex-reitor, hoje indiciado.

No Distrito Federal a união, que raramente investe em algum tipo de preservação de patrímônio histórico cultural e/ou tecnológico do país, requisita o espaço físico de um respeitado e importante museu particular para transformá-lo em um arquivo morto.

Engraçado, afinal, estamos numa época em que todas as organizações com pensamentos para um lugar além investem em arquivos especiais, digitalizando e armazenando documentos, conseguindo maior durabilidade com as mídias, economia de espaço e de custos, em detrimento dos moribundos e não mais justificáveis prédios de arquivo em grande escala. Sabiam que, inclusive, arquivologia moderna tem cada vez mais espaço nas questões dos concursos públicos?

É revoltante e incompreensível.

Eis o modo de pensar que, em nosso amado país, justifica um pouco o número de formandos de direito tão superior ao de novos engenheiros.

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Mil novecentos e setenta e quatro foi o ano em que meu pai tomou posse da revista Quatro Rodas, juntamente do pôster que a acompanhava, e que foi motivação para o post escrito por mim. Após encontrá-lo durante uma vasculhada por muito adiada nas coisas que ele deixou para trás, quando do fim do casamento com a minha mãe.

Ao abrir e folhear o jornal durante essa época talvez os brasileiros não vislumbrassem o quanto ela estava sendo rica em todos os setores. Enquanto os dedos iam ficando pretos pela tinta da impressão ruim, a vista mais atenta dos leitores podia estar captando fatos internacionais como a renúncia de Nixon, tentando entender o que foi o Watergate, querendo saber por que a turma do Secos & Molhados ainda seguia se pintando no seu segundo disco, embora  grande parte deles deveria estar mesmo era preocupados com a copa do mundo. Teríamos ou não a magia do time de 70?

Não tivemos a magia, ela estava com a laranjada holandesa que também não ganhou a Copa, mas eram os anos do milagre econômico. O general Médici, gremista de Bagé, apoiador do AI-5 no final dos anos 60, acabava seu governo deixando muitas obras de melhorias da infra-estrutura, baixa inflação e um grande crescimento econômico. Isso fez com que os proprietários de Galaxie e Landau dessem pouca importância aos postos de gasolina e ao índice de 65% para a desnutrição da população brasileira, era o ame-o ou deixe-o, os incomodados que se retirem.

Passava na televisão a novela da vez, Fogo sobre a Terra, e o Brasil do tri recebia pela terceira vez a Fórmula 1, do novo herói  nacional Emerson Fittipaldi.

Chegando de Buenos Aires, agora as máquinas coloridas e de formas ainda heterogêneas enfrentavam o traçado clássico de Interlagos. O público lotou o autódromo para torcer por seu campeão, agora defendendo novas cores. Mas além do Rato, na McLaren, o público presente ainda podia ter contato visual com lendas do naipe de Lauda, Stewart, Regazzoni, um quase adolescente Hunt, a promessa Carlos Pace e o veterano Grahan Hill, entre outros.

A corrida foi vencida por Emerson, após uma bandeira vermelha motivada pela chuva que deixou o asfalto com uma mistura de borracha, água e vidro quebrado. Sim, a civilizada platéia pagante atirou garrafas de vidro na tentativa de atrapalhar os pilotos adversários, provavelmente um argentino em especial, e pelo pneu furado que mudou o resultado da corrida, o objetivo foi alcançado. Eram outros tempos, Emerson recebeu sua coroa de louros, seguido de Regazzoni-Ferrari e Ickx-Lotus. O promissor piloto brasileiro Carlos Pace acabou na quarta posição, na mesma volta do terceiro colocado, pilotando um Surtess.

O Brasil vivia sob a batida e a batuta da sua ditadura militar. Os regimes totalitários, incoerentes que são, sempre precisaram trabalhar muito bem com marketing, tanto que para isso nunca deixaram de trazer os meios de comunicação para o seu lado. O esporte é um dos melhores modos de aproximar o governo da população. Médici, por exemplo, foi aplaudido no Maracanã após o tri em 70, e viu no circo que esteve antes em São Paulo um modo de colocar Brasília, e seu nome, em evidência.

Para tal, organizou-se em 1974 uma corrida extra-campeonato, na semana seguinte a Interlagos, para celebrar a inauguração do “Autódromo Presidente Emílio Garrastazu Médici”, localizado na capital federal, e aumentar as festividades da transferência do controle da nação para o general Geisel.  Emerson teve a companhia do irmão Wilson no grid de 12 carros, esvaziado pelas ausências da Lotus e da Ferrari.

A corrida foi curta, teve apenas 40 voltas e a vitória de Fittipaldi, na pista em que ele ajudou a conceber, pois foi a partir de seus relatos sobre as qualidades e deficiências dos circuitos internacionais que projetaram o que era tido como o mais moderno e seguro autódromo do Brasil. De fato, havia apartamentos para os pilotos, garagens, heliportos e visibilidade ao público para quase toda a pista. Porém o traçado era fácil demais, estreito e com poucos pontos de ultrapassagem.

Falhou na missão de superar o desafiante Interlagos, assim como em poucos anos falhou o regime militar, não conseguindo manter-se no comando de um país jovem e sedento pela democracia. Mudaram a forma de governo e o nome do autódromo, hoje Autódromo Internacional Nelson Piquet.

Encerro aqui, escutando o segundo e último disco do Secos & Molhados, a segunda e última postagem feita a partir daquele pôster encontrado esquecido numa pilha de revistas e jornais amarelados; pôster que me remeteu ao não vivido ano de 1974, e que agora me entrega seguro à realidade dos anos de dois mil e dez, onde ainda não entendemos por completo o que significaram os anos de chumbo, e nem sabemos exatamente porque aquele grande vocalista, ainda hoje se pinta, vez por outra, em algumas performances.

Bibliografia para a escrita deste post:

http://pt.wikipedia.org

http://continental-circus.blogspot.com/

E agradecimento especial ao @DuCardim pelo material enviado, que me ajudou muito!

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