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Posts Tagged ‘carburadores’

Nas últimas semanas meus dias encurtaram. A faculdade de História, que comecei no mês de março, acabou com as noites desocupadas em que criava textos para este blog e estudava para, vejam só, voltar à faculdade.

Durante essa época eu também ligava o meu fusquinha 1969 regularmente. Essa rotina não posso mais manter e sempre soube que, a partir do momento que ele ficasse mais dias desligado, as incomodações de todo carro carburado logo chegariam.

Mas não imaginei que fosse ser tão logo. Meu carro não estava pegando e quando pegava, engasgava ao ganhar velocidade. Distribuição revisada e os problemas continuavam; foco na carburação.

Hoje tive, enfim, um tempo para me dedicar apenas ao carrinho. Munido de uma garrafa de solvente e um esguicho “bengalinha” maior do que a que estava no mecanismo (45 e 60), mais um kit de reparos do Solex 30, mãos na massa.

Culpado encontrado. A gasolina, danada, não estava indo da cuba para a admissão. O diafragma estava bom, o problema era uma bucha de borracha que, no meu, existe na haste que liga o acionador do diafragma ao eixo do carburador (próximo ao marcado na foto). Essa bucha corrige o pouco de folga existente no meu eixo.

Acontece que, com o calor do alternador, a borracha perdia as suas propriedades e saía da posição, impedindo o diafragma de trabalhar. Bucha encaixada, carro ligado ainda queimando um bocado de solvente e a alegria de dirigir um 1300cc esperto de volta.

Hoje ganhei meu dia. Agora como estudar o meu polígrafo sobre a Mesopotâmia sabendo que a bucha de borracha segue lá, próxima ao alternador?

Se fosse fácil, não teria a mesma graça. Logo terei que meter a mão na massa, novamente.

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Divido aqui uma tese nem tão absurda assim. Eu penso que existe também culpa da Bosch, em uma pequena parte disso tudo.

Sim, jogo nas costas da empresa de Stuttgart um pouco da razão desta cada vez menor amabilidade humana. O pavio está curto demais, o raciocínio comprometido e as coisas boas e simples quase despercebidas.

A tecnologia escraviza o homem.  Aí está uma frase conhecida e batida. Afinal, não somos hoje totalmente dependentes da comodidade surgida ontem? E não optamos por ela, mesmo sabendo que as conseqüências nem sempre são as melhores?

O fato é que, na correria que eu observava no dia-a-dia dos adultos em meus tempos infantis, em alguns momentos notava um gesto de paz e reflexão. Na mesa de jantar, na cerveja em frente à televisão, na pescaria do feriado… Eles existiam e eram válidos.

Mas nenhum chegava perto daqueles que eu percebia durante os três, quatro, talvez cinco minutos que hoje, por culpa da Bosch, não existem mais. A máquina precisava de tempo, o homem o dava.

Ignição virada, afogador ou meia aceleração no pedal, olho no marcador de temperatura e a mente refletindo. Problemas, soluções, planos do dia revisitados e definidos enquanto o ponteiro da temperatura levemente se mexe. A aceleração vai sendo aliviada, testando a lenta do motor até o momento certo de sair.

Injeção eletrônica de combustível. Aí está uma parte do conjunto de motivos da atual falta de trato com o próximo percebida, do motorista que dobra a primeira curva ainda dando o nó na gravata, do cidadão que não respeita simples filas, daqueles que se satisfazem tirando de outrem qualquer tipo de vantagem inútil, de não mais existir a lei natural de que a minha liberdade termina quando começa a do próximo.

Talvez, e ai a minha tese deixa de ser esdrúxula, talvez apenas três, quatro ou cinco minutos de reflexão pela manhã fariam toda a diferença.

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Durante um bom período da história, dedicar-se à busca por remédios que curariam todas as doenças do ser humano, combinando elementos químicos e ciências físicas, era estar muito próximo daqueles que buscavam encontrar, através da combinação de metais inferiores, a obtenção de ouro.

Os alquimistas modernos ainda buscam tal remédio. A contra-medida para as mazelas do corpo e do espírito ainda não foi encontrada, mas, ao longo da evolução dos nossos conhecimentos, estimulantes paliativos foram descobertos e ofertados para melhorar o cotidiano, e, de certa forma, frear o desgaste da mente.

Combustíveis para a alma, o café e a gasolina viciam e despertam o raciocínio humano que, dependente dos seus prazeres, cria engenhosas máquinas para fazer seu uso e otimizar os seus efeitos. Relação estequiométrica, física aplicada, alquimia pura. Duas “engenhocas do vício” fizeram, e seguem fazendo, a alegria do entusiasta dependente. A cafeteira e o carburador tem lá as suas semelhanças.

O consumo da cafeína remonta ao século IX.Desde que o pastor Kaldi observou que suas cabras ficavam mais espertas após comer folhas e frutos de um cafeeiro, pessoas vêm fazendo uso do grão, torrado pela primeira vez na Pérsia do século XVI.

O cultivo e a comercialização dos grãos  movimentaram a economia mundial, criaram disputas pela posse de colônias produtoras e de rotas de navegação; geraram riquezas e conflitos. E para que, nos dias de hoje, o homem faça uso de forma prática do produto já industrializado, ocorreram avanços, assim como a criação de um genial invento.

No século XVI os persas consumiam café por infusão. Jogavam água fervendo em uma xícara onde descansava o grão moído, esperavam a mistura acontecer e bebiam o forte e impuro líquido. No final do século XVIII, o farmacêutico francês François Antoine Descroisilles inventou o que hoje chamamos cafeteira. De forma rudimentar, ela consistia de dois recipientes colocados um sobre o outro e separados por um filtro. Este invento foi aperfeiçoado por outro francês, Antoine Cadet de Vaux, que melhorou os materiais utilizados no processo, criando a cafeteira de porcelana em 1806.

A cafeteira moderna, evolução das surgidas no século XVIII, é uma simples combinação de fenômenos. A água é aquecida em um compartimento, por meio de uma resistência elétrica. Ao ferver, bolhas são criadas e empurram a água para cima do mecanismo, através de um pequeno tubo. O tubo despeja, em forma de pingos, água quente sobre o pó do café, e o líquido resultante, filtrado, é consumido.

Assim, fazemos uso de forma controlada da droga que possui fatores medicinais e que, em até 20 minutos após o seu consumo, acelera o raciocínio por meio da dopamina. Cafeína é combustível.

A comercialização em larga escala da gasolina chegou junto do aperfeiçoamento do motor de combustão interna, mas, o uso dos derivados de petróleo, ocorre desde 4000 a.C. Na Mesopotâmia, Egito, Pérsia e Judéia o betume era utilizado para pavimentar estradas, calafetar construções e no aquecimento e iluminação das casas.

A extração do petróleo, por meio de poços, aparece com os chineses e árabes, utilizando o produto, entre outras coisas, para fins bélicos. O surgimento da indústria petrolífera, na metade do século XIX, trouxe o crescimento do uso dos seus derivados e a conseqüente valorização de cada barril de petróleo produzido. O domínio das regiões abundantes do chamado “ouro negro” passou a ser, também, fonte de riqueza e de conflitos. Paralelo a tudo, a crescente popularização dos veículos impulsionados pelos motores de combustão interna tornou o homem dependente de um combustível fóssil obtido da destilação fracionada do petróleo, feita entre 40 e 200 °C, a gasolina.

Para regular a mistura ar/combustível, que cria as explosões e alimenta o motor daqueles que vieram para substituir os cavalos, o homem criou uma genial engenhoca, que ajudou a popularizar o automóvel. O carburador.

O carburador foi inventado em 1883, pelos cientistas húngaros Donát Bánki e János Csonka. Os primeiros consistiam de um tubo que ia da cuba de combustível até a câmara do pistão, cortado por uma borboleta que coletava ar, regulando a mistura e o conseqüente número de rotações por minuto.

Durante a sua evolução, eles mudaram da forma de latas para os complexos corpos Quadrijet. Sua função, porém, sempre foi manter a relação estequiométrica ideal, independente da exigência de aceleração. Para isso, o combustível é sugado por uma série de tubos, onde, por meios de passagens calibradas de ar, é feita a mistura ar-combustível a ser jogada na câmara de combustão. O principio não mudou, o que evoluiu foi a tecnologia embarcada junto dele. Os simples, mas sensíveis carburadores mecânicos foram aperfeiçoados para carburadores eletrônicos, e hoje quase que completamente substituídos pela injeção eletrônica de combustível.

Através deles, fazemos uso de forma controlada, de acordo com o comando dado no acelerador, do impulso e da velocidade transferida aos nossos veículos. O movimento é, então, obtido pela explosão do combustível fóssil na câmara de combustão dos nossos motores. Gasolina é estimulante.

Causa e conseqüência, alquimia pura. Nos dois processos, formas ou matérias são transformadas em outras, alterando as proporções dos elementos através dos processos de destilação, combustão, aquecimento e evaporação. O produto final é, então, utilizado por pessoas em busca de prazer, desligamento, estímulo, energia e inspiração.

Tome um café, pegue a estrada.

Bibliografia que utilizei para fazer este post:

http://pt.wikipedia.org.br/

http://casa.hsw.uol.com.br/cafeteiras.htm

http://www.webmotors.com.br/

P.s.: A foto do carburador solex, limpinho, imponente, tinindo de novo, é o do meu Fusca 1969, também estimulante e combustível.

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