Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Circuito da Pedra Redonda’

Hoje a notícia de que Porto Alegre busca sediar uma etapa da Fórmula Indy correu as redes sociais e os veículos que cobrem automobilismo. Entre os trajetos propostos num primeiro momento, o que parece mais prático é o que passaria pela Usina do Gasômetro e pelo Anfiteatro Pôr-do-Sol, costeando o Guaíba num ambiente plano e de bela natureza.

A Av. Edvaldo Pereira Paiva, que durante os finais de semana vira passeio para pedestres e ciclistas tendo, inclusive, o tráfego de veículos restringido, deve ser a melhor região de Porto Alegre para uma corrida de monopostos, uma vez que Tarumã sequer foi cogitada.

A maioria da população da capital recebe de forma incrédula a notícia, o que poucos sabem é que até o final da década de 60 a cidade, muito menos habitada e urbanizada do que hoje, promovia eventos automobilísticos em suas ruas regularmente. Circuitos por onde Takuma Sato e sua trupe jamais ousariam passar.

Dos trajetos utilizados como pistas de rua, o mais desafiador foi o do Circuito da Pedra Redonda, ainda cultuado e reverenciado nos dias de hoje. Suas curvas e desníveis lançados ao longo de 15 quilômetros, localizados na região sul de Porto Alegre, tiveram durante o seu auge nos anos 50 e 60 uma espécie de tira-teima entre os ases gaúchos, que aprontavam nas Mil Milhas de Interlagos, e os paulistas sedentos por vingança nas terras do sul.

Pilotos como Camillo Christófaro, Chico Landi, Catharino Andreatta e José Asmuz levavam em suas carreteras o orgulho regional e, de quebra, ainda enfrentavam oponentes dos países vizinhos.

O hoje impensável circuito tinha a sua largada e chegada no bairro Tristeza, entre a Av. Otto e a Delegacia da Brigada Militar. Os carros subiam pela atual Wenceslau Escobar na direção da muito perigosa descida da Pedra Redonda, a entrada do bairro Ipanema pela Av. Cel. Marcos.

Difícil imaginar o trabalho para controlar as pesadas e potentes carreteras, com freios a tambor nas quatro rodas, na íngreme descida que culmina em uma curva, até hoje problema para os motoristas do trânsito cotidiano.

Já em Ipanema seguiam em alta velocidade até a curva da caixa d’água, onde viravam para o início da subida da Av. Cavalhada, acabando em uma veloz e perigosa descida após o encontro com a Av. Eduardo Prado.

As carreteiras seguiam em descida através da Av. Cavalhada até entrar, contornando uma curva de 90 graus, na Rua Dr. Otto Niemeyer.

A parte final do circuito ocorria no perigoso encontro, também em descida, da Rua Otto com a Praça da Tristeza e a sua igreja, ali estavam novamente no ponto de largada.

Durante bons anos famílias porto-alegrenses aglomeravam-se nas calçadas do seu bairro para ver as carreteiras passarem, trazendo consigo um número grande de incidentes terríveis. Com o crescimento da velocidade dos carros e da população na zona urbana, o perigo dos chocantes acidentes em vias públicas foi contornado com a inauguração de Tarumã.

As corridas pelas ruas da cidade, seja pelo Circuito da Pedra Redonda, seja pelo também desafiador Circuito da Cavalhada, ficaram na memória e em registros fotográficos, virando contos de avô para neto. A possibilidade do retorno das disputas nas vias da capital gaúcha, agora num evento internacional, promoveria também um reencontro do povo gaúcho – apaixonado por corridas – com a velocidade em trajetos normais do seu deslocamento cotidiano.

Seria uma grande homenagem aos antigos heróis que, com suas máquinas, fortaleceram o automobilismo muito além do nível regional.

Abaixo, um comparativo: O ontem e o hoje nas ruas do Circuito da Pedra Redonda.

*********************

Bibliografia para este post:

http://ruiamaraljr.blogspot.com/ e o seu “Histórias que vivemos”

Agradecimentos a Graziela Rocha pelo atencioso envio de informações

http://blogdoquadriculada.blogspot.com/

http://www.nobresdogrid.com.br/

http://blogdosanco.blogspot.com/

Read Full Post »