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Deux Chevaux

O cenário é o seguinte: um jornalista acostumado a disputar corridas e a fazer curvas no limite durante seus testes com carros esportivos nos mostra seu novo brinquedo. Citroen 2cv, seu sonho de infância, antítese de todos os carros que já mostrou em vídeo.

Chris, um dos integrantes do canal petrolhead Drive, do youtube,  apresenta e convida para um passeio no seu 2cv. Pouca velocidade, adrenalina e emoção; muitos detalhes e diversão.

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Atualmente, lembro-me de mais coisas vistas nas aulas de educação religiosa dos tempos de colégio de freiras do que das que vieram bem depois, nas cadeiras de cálculo da faculdade de engenharia, curso que eu abandonei.

As aulas eram ministradas por uma irmã velhinha, que ficava sentada a maior parte do tempo. Não conversávamos durante o período, afinal ela era uma pessoa especial, gostávamos da Irmã Laura. Mas acontece que por papelzinho o papo rolava solto; eu tinha uma namoradinha no segundo ano do segundo grau (Hoje mudou o nome, não sei mais), e “tagarelava” mais com ela nos períodos de educação religiosa do que fora do ambiente escolar.

Bem, todos já passamos por uma adolescência.

Quando os sapos invadiram o Egito

Lembro de quando a perseverante Irmã Laura contou que Ele, zangado com a potência egípcia, cheia de deuses, que teimava em escravizar o povo de Israel, mandou 10 pragas. Elas foram direcionadas para 10 divindades do povo do Nilo, esperando que aquela nação libertasse o povo de Israel e aceitasse um Deus apenas.

As águas ficariam vermelhas, rãs invadiriam a terra, moscas, piolhos, pestes, sarnas, trovões, gafanhotos, trevas e a morte de todos os primogênitos se seguiriam. O Êxodo é um livro rico, e os estudos modernos que explicam o que seriam as pragas também são interessantes.

As águas ganhariam a coloração avermelhada devido a uma mudança forte no clima. O aquecimento somado a escassez de chuvas baixaria o nível e elevaria a temperatura delas, trazendo uma indesejável alga vermelha (fato comum no Guaíba/RS, durante o verão).

Essa alga intoxica o rio, diminuindo a sua oxigenação, afetando todos os níveis de organização daquele ecossistema. Isso faria com que toda a população de rãs tomasse o solo, apavorando as pessoas e trazendo problemas como o posterior desequilíbrio trazido pela morte de toda a população anfíbia. Viriam os mosquitos em bando, sem predadores… E assim as pragas vão se explicando, uma a uma.

Quando os sapos invadiram a França


Muito tempo depois, o empreendedorismo de uma companhia fez a França ser tomada de assalto por um exército de sapinhos, mas a semelhança com a segunda praga do Egito serve apenas como “escada”, no meu texto, para a chegada dos simpáticos e valorosos Citroen 2CV para aquela região.

No final da década de 40 a arrasada França queria tomar novos rumos, erguer-se. A Citroen era controlada pelo grupo Michelin, que instituiu como seu gerente Pierre Boulanger. Boulanger lutava desde os anos 30 para trazer às terríveis estradas francesas um veículo barato, forte e confortável, destinado principalmente ao agricultor rural. A meta da empresa era dar a essas pessoas um carro que pudesse agüentar os solavancos das estradas precárias sem maltratar as colunas e os bolsos vazios dos humildes franceses, e se ele vencesse os acidentados trajetos sem quebrar um dentre uma dúzia de ovos depositados em algum de seus bancos, a missão estava cumprida com louvor.

Antes da Segunda Guerra protótipos circularam pelo país, mas só a partir do final do conflito que suas formas definitivas surgiram ao público, ainda sem motor, no Salão de Paris de 1948.

O carrinho, que nasceu para substituir as carroças puxadas a cavalo da população campestre, viveu dois momentos distintos durante este salão. Enquanto a imprensa especializada ridicularizava as suas formas, fazendo anedotas como um abridor de latas para quem levasse um para casa, filas de espera de 3 meses, devido aos pedidos do público, eram formadas na contabilidade da Citroen.

O carrinho tinha muitos predicados. O baixo peso, aproximadamente 500 quilos, exigia pouco do competente motor de dois cilindros e potencia de 9 cv, nos primeiros (o 2CV veio para baratear ainda mais o veículo, o enquadrando numa faixa especial de tributos). Eles devolviam um consumo próximo a 18 km/l, batendo em 70 km/h de velocidade máxima. A carroceria, que sentava em um chassi de aço, era toda fixada por parafusos, facilitando assim sua montagem e os seus reparos.

Todo esse conjunto era calçado em finos pneus diagonais (125/15) que, somados a suspensão independente nas quatro rodas, proporcionavam um bom manejo e um rodar macio, dentro das limitações de desempenho impostas pelo pequeno motor refrigerado a ar.

A vida dentro da cabine de um 2CV era bem peculiar. O acesso aos bancos de lona acontecia através de quatro portas, sendo as duas dianteiras suicidas. Para diminuir custos, um conveniente teto de lona substituía o metal, e sua prolongação poderia servir também como tampa do porta-malas. Teto este conveniente porque a baixa área envidraçada, com poucas aberturas, seria certamente um transtorno em dias quentes.

O painel seguia o conceito minimalista do carro, com um velocímetro,hodômetro  e um marcador rudimentar do nível de combustível, conceito aplicado também nos piscas externos, onde duas “orelhas”, atrás de cada um dos vigias traseiros, substituiam os usuais quatro indicadores.

Passado o choque inicial, a evolução do 2CV foi gradual ao longo dos 41 anos de produção, e o alcance das mais de 5 milhões de unidades vendidas foi muito maior que o número de carroças existentes na França do final dos anos 40. Hoje entusiastas do modelo preservam e desfilam o peculiar carro que povoou tanto a França, a ponto de virar um de seus símbolos mais marcantes.

Vie longue aux beautés Deux Chevaux

Bibliografia para este Post:

Best Cars Web Site

Cinquenta Carros que Mudaram o Mundo – Design Museum – ed. Autêntica

Revista Quatro Rodas, edição especial – Carro Clássicos, modelos que marcaram época

Agradecimentos para Ingryd Lamas e Rodrigo Lombardi pela ajuda com fotos.

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