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Posts Tagged ‘crítica’

O filósofo e professor alemão Nietzsche criticou a industrialização quando essa modernizava e acelerava o mundo. Seus alunos estavam perdendo a imaginação, ficando menos inventivos – doavam mais tempo às máquinas bitolantes do que aos livros.

Ler, ler, ler…desde a antiguidade poucas atividades liberam mais a mente do que uma boa história. Intimamente, cada leitor molda seus personagens à trama proposta, desenha seus heróis e seus vilões, pinta o cenário, viaja no enredo – Nietzsche se surpreenderia ao ver como a imaginação tem vencido as seguidas modernizações, mesmo depois dos “dois mil”.

Imagina, Homem-Tempo*. Tu que sopras o teu sax sem medo, de bar em bar pela década de 40, tendo como estrada uma base bop de um conjunto de jazz maroto e nela deixando a imaginação criar de improviso frases e solos, senhor do tempo, do ritmo e do compasso; imagina pois ter o teu melhor solo tocado em outra época, num outro contexto – por outro artista, com outro instrumento – difícil funcionar, né?

Admiro a coragem do ótimo Walter Salles em abraçar o projeto de levar Jack Kerouac às telas do cinema, mas On the Road não deu certo. Talvez porque exista um Kerouac na mente de cada leitor – seu texto é pura imaginação; talvez porque não parece possível que uma reprodução de um improviso de jazz soe autêntica – o texto é um longo solo; ou simplesmente porque o resultado da minha leitura é mais denso e recheado que o produto que vi no cinema.

Achei o filme cheio de belas imagens, mas superficial e raso naquilo que realmente me fisga na obra – a reflexão de se estar em busca de um norte tendo diversos ímãs confundindo a bússola.  Marcante nas páginas do manuscrito, quase nada na tela do cinema.

* Homem-Tempo é o apelido que um músico virtuoso, Rollo Greb no livro, recebe quando os personagens do filme o observam no palco.

” (…) Quero ser como ele. Ele nunca se atrapalha, é capaz de entrar em qualquer uma, põe tudo pra fora, saca qual é a da vida, não tem nada a fazer senão seguir o ritmo. Cara, ele é o máximo!”

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