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Donington Park

A segunda metade da temporada 2010 da Fórmula 1 começará com a liderança de uma equipe inglesa no campeonato de construtores, a McLaren,  e também com os ingleses Hamilton e Button, os dois pilotos desta equipe, ocupando respectivamente a 1˚ e a 2˚ colocações entre os demais pilotos.

Esse domínio inglês surpreende apenas se levamos em conta a força dos demais pilotos e de outras equipes, como a Red Bull, já que como nação, a Inglaterra cultivou bem a sua imagem de “terra do automobilismo”.

O Reino Unido sempre figurou na elite das artes que exigem força, técnica e precisão. Durante a Guerra dos 100 anos, por exemplo,  guerreiros dedicados vergavam exaustivamente seus pesados arcos de teixo, até dominar completamente a arte de fazer uma flecha encontrar letalmente o seu alvo; corrigindo vento, elevações do solo e demais obstáculos até o objetivo. Ninguém desejava enfrentar um arqueiro inglês bem posicionado.

No automobilismo, muito da tradição construída ao longo dos anos se dá pelo nascimento, no inicio do século passado, de três circuitos que moldaram o surgimento de heróis e, também, o gosto inglês por corridas de automóveis: Brooklands, Silverstone e Donington Park. Este último, objeto deste texto.

O desenho inicial de Donington Park surgiu, assim como nos mais tradicionais circuitos europeus, da ligação de estradas riscadas no solo. No condado de Leicestershire, em um terreno irregular e cercado de verde, no anos de 1931, Fred Craner realizou seu desejo de ter um local para realizar corridas de motocicletas em um belo trecho de 3518 metros.

No ano de 1933, Craner consegue a permissão para construir um circuito permanente, Donington é então extendida e aprimorada, passando a receber, já em 1933 corridas de automóveis, na primeira delas, vitória de Earl Howe a bordo de um Bugatti Type 51.

Em 1934 a pista é extendida novamente, recebendo eventos maiores, como as 300 milhas de Donington Park em 1935, prova vencida por Richard Shuttleworth e seu Alfa Romeo, após 4 horas e 47 minutos de corrida.

No ano de 1937 Donington recebeu sua maior ampliação, ganhando uma reta e a curva Melbourne, quase na divisa com o condado vizinho.

Esta configuração recebeu, nos dois anos seguintes, edições do Grande Prêmio de Donington. Prova que em 1937 e 1938 colocaram em disputa os carros mais avançados da época. Sob a sombra nazista, as flechas prateadas, Mercedes Benz 125 e os poderosos Auto Union Type C, esmagaram a concorrência.

Bernd Rosemeyer, Tazio Nuvolari, Hermann Lang e outros assombraram a Inglaterra com a superioridade da esquadra alemã, fazendo o circuito conhecer, no seu auge, o poderio tecnológico desta. Poderio este que, com o advento da Segunda Guerra Mundial, decretou, em 1939, o fim das atividades na pista, convertida em depósito de veículos militares, oficina de guerra e esconderijo de armamentos.

O circuito permaneceu fechado nos anos seguintes, até que, em 1977, o milionário britânico Tom Wheatcroft comprou o complexo, o transformando em museu vivo para sua vasta coleção de carros históricos de corrida, construindo prédios para abrigá-la e recuperando a pista.

Apesar do traçado original não ter sido completamente recuperado, devido as mudanças realizadas ao longo dos anos de inatividades, o circuito ressurgiu com sua identidade e suas características originais. Trechos de alta velocidade, muitos desníveis, pouca largura, o que dificulta as ultrapassagens, e, muito verde ao seu redor.

Com seu renascimento, passou a receber provas tanto de motos quanto de carros e, em 1993, com uma falha de Silverstone, Donington Park recebeu a sua única prova de Fórmula 1.

Os carros mais famosos do mundo rasgavam novamente o solo que nasceu para abrigar corridas de moto, em 1931. A corrida foi disputada sob condições irregulares e o mundo viu uma das atuações mais espetaculares de um piloto. O brasileiro Ayrton Senna fez uma primeira volta espetacular debaixo de muito chuva e ganhou a prova com quase uma volta de vantagem para o segundo colocado, Damon Hill.

Cultivar a tradição, resgatar, preservar e manter os sítios. Os Ingleses o fizeram com Donington Park no pós-Guerra, a pista que teve o auge no final da década de 30 recebeu a Fórmula 1 apenas uma vez, e foi uma corrida inesquecível.

Hoje segue viva, pulsante, esperando outra brecha por parte de Silverstone para receber novamente os carros da categoria.

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Bibliografia para este post:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Página_principal

http://www.silhouet.com

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