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Posts Tagged ‘George Best’

“Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei”

George Best, todo orgulhoso com seu novíssimo Lotus Europa 1967.

Não tenho muitos ídolos no futebol, um deles é o George Best.

O cara fez fama na Inglaterra da metade da década de 60. Boa pinta, com dinheiro e muita vontade de aprontar, Best foi um dos primeiros personagens gerados pelo futebol que frequentavam várias páginas dos jornais além das reservadas ao esporte.

“Dizem que tentei dormir com sete Misses Mundo. Não é verdade. Foram apenas quatro. As outras três é que vieram atrás de mim.”

O estilo de vida que o Beatle do Manchester levava ajudou a comprometeu a sua saúde e os anos 70 foram difíceis. O ídolo só foi reencontrar um pouco de paz no futebol americano, junto com estrelas que por lá ganhavam dólares e mostravam o esporte para um novo público.

Faleceu corroído pelo alcoolismo, ciente de tudo que fez em vida e deixando claro que não era exemplo para ser seguido.

Seus últimos dias foram no hospital, ao lado de sua família e do amigo Denis Law. Aos pés da cama, uma carta com a seguinte assinatura: “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”. Sobre ela, Best disparou: “Este foi o último brinde da minha vida”

Trechos em itálico foram retirados da Wikipedia.

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Na efervescente Inglaterra da década de 60, romper de forma juvenil aos padrões que a sociedade impunha significava entrar para o time liderado por Brian Epstein. Jovens do sexo masculino, espelhando-se nas capas dos vários singles lançados pelo quarteto mágico, gastavam horas ao espelho, munidos de uma tesoura, até alcançarem um perfeito penteado Beatle.  Apenas assim eles teriam a atenção das garotas que gastavam por sua vez horas decorando letras do Please Please Me, sonhando com o nariz do Ringo e ensaiando os berros que usualmente chegavam antes dos Beatles, onde quer que eles fossem.

Todos queriam ser o quinto Beatle!

E ele surgiu naturalmente no futebol inglês. Irlandês, para ser mais preciso.

O meu ídolo no mundo das quatro linhas era um meia ousado, rápido, driblador e carismático. Jogador de um dos times mais populares da Inglaterra, o Manchester United.  George Best tinha todas as características de uma estrela inglesa, era boa pinta, irreverente, diferenciado no que fazia, possuía o indefectível cabelo Beatle, que ao passar dos anos cresceu para os ombros, como cresceram as barbas, e os abusos…

O maior ídolo da torcida dos Red Devils nunca teve uma postura de atleta. O seu talento para se destacar dentro de uma partida de futebol era proporcional ao número de mulheres que o acompanhavam e ao consumo de bebida fora dele. E como se destacava em campo!

Boêmio convicto, Best seguidamente não comparecia ou se atrasava aos treinos, mas compensava com arrancadas que levantavam a torcida e aterrorizavam os marcadores.

“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”

O alcoolismo matou George Best, mas enquanto teve saúde para jogar, seu talento se destacava frente aos demais.

A categoria máxima do automobilismo tem um passado recheado de histórias e heróis. Costumamos chamar de “fase romântica“  a época em que tudo que hoje seria absurdamente perigoso e inconcebível acontecia.  E eram tempos maravilhosos esses onde charutinhos cravejados de rebites desafiavam cortantes guard rails. Onde depois inventivos garagistas procuravam o caminho da inovação ao invés da imitação, criando coloridos e heterogêneos carros em grids de corridas que fizeram o esporte ganhar dimensão mundial. E onde os riscos e as perdas fizeram o bom senso buscar diminuir as chances de algo errado acontecer nesse esporte.

Um dos últimos expoentes da fase romântica da Fórmula 1 era um típico ídolo inglês da década de 70.

Com o som e a atenção de George Harrison, Lauda e Fittipaldi viram esse inglês cabeludo vencer o campeonato de 1976 e freqüentar o paddock mantendo um estilo de vida similar ao do quinto Beatle Irlandês que já não brilhava tanto nos campos ingleses.

James Hunt era mulherengo, fumante não apenas de cigarros, gostava de festas e bebidas. Tal como Best, ele chegou à condição de ídolo admirado pelo seu talento durante o exercício da sua profissão, independente de ser ou não modelo de comportamento.

Não vejo o esporte apenas como ferramenta de desenvolvimento e modelo para a juventude, pelo menos não quando excessivamente unido ao politicamente correto.  Mais do que isso, tenho um atleta como um ser humano buscando superar seus concorrentes e seus limites próprios, mas não deixando de ser um ser humano, como eu.  Acho falso e irritante querer que os expectadores e consumidores se identifiquem com pessoas sem defeitos, sem vícios, com máquinas de treinar e vender produtos na televisão.  Não somos e nunca seremos assim.

Claro que tenho uma capacidade muito maior do que um pré-adolescente buscando referenciais em diferenciar o que prejudica uma pessoa em sua vida, mas os atletas que são coerentes com as suas personalidades e as expõem de forma honesta, conquistando seu espaço frente aos demais pelo talento acompanhado da figura humana, sempre me serão mais interessantes que os enlatados e insossos preferidos da mídia e dos patrocinadores.

A importância de seguir a cartilha que dita às relações com os patrocinadores tem tirado dos atletas a espontaneidade frente às câmeras, criando uma relação falsa do fã com seu ídolo. Deve ser sempre um desconforto querer regrar a personalidade perfeita do esportista padrão quando aparecem anti-heróis que cativam e se destacam, sem que para isso deixem de mostrar a pessoa que brilhou pelo talento antes que por sua imagem e/ou comportamento.

Talvez por isso eu tenha lamentado tanto a saída de Kimi Raikkonen do esporte que aprendi a amar olhando para o seu passado. Kimi, além de ser um dos melhores pilotos quando nos seus dias, é dono de um impagável mau humor, personalidade forte e não disfarça a sua atração por bebidas destiladas. Kimi se destaca nesse mundo, ele fará falta dentro e fora das pistas da Fórmula 1.

George Best era o quinto Beatle, Kimi Raikkonen corre com o pseudônimo de James Hunt, que George Harrison adorava; todos especiais, únicos e marcantes.

Meus ídolos, apesar de imperfeitos.

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