Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Grand Prix’

Automobilismo visceral II

O mês de janeiro de 2011, época em que eu retornei para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, agora como estudante de História, vai terminando num clima retrô aqui neste humilde bloguinho.

No vídeo abaixo o caçador de Auto Union, Hermann Lang, nos leva para um passeio na Nurburgring de 1962. Além das belas imagens on board, temos Lang contando causos e explicando como sobreviver ao traiçoeiro percurso.

Uma arca do tesouro esse youtube, não?

 

Read Full Post »

Automobilismo visceral

Encontrei o vídeo abaixo neste post do ótimo Blog do Mestre Joca.

Foi como se a incrível matéria de capa da edição de janeiro de 2011 da Revista Warm Up ganhasse movimento. Ela versa sobre uma hipotética unificação de títulos na Fórmula 1, juntando as conquistas modernas com as decorrentes das provas de Grand Prix, ocorridas antes do ano de 1950.

Leiam a revista, leiam o post, vejam este vídeo.

Read Full Post »

A história moderna ocupa um espaço ridículo na linha do tempo da humanidade. Esse espaço só não é menor do que a memória que temos para fatos, feitos e lições trazidos por nossos antepassados. O mundo pós revolução industrial acelerou, e muito, o ritmo das passadas que alcançavam novas tecnologias. Uma geração passou a sempre vir com uma gama de opções, inventos; formas tecnológicas com praticidades muito superiores as que a geração anterior dispunha.

Talvez a distância cada vez maior para nossos antepassados tenha feito com que, por ignorância ou descaso, perdêssemos a dimensão dos seus feitos. Voltando apenas 100 anos na nossa historia, as coisas começavam a tomar a forma que conhecemos hoje. Casa, família, trabalho, deslocamento com automóvel e um cinema para relaxar.

Relembrarei dois personagens do mundo “preto e branco” que apontavam para os dias de hoje. Eles, com suas conquistas, influenciaram o que somos e o que gostamos.

**********

Sir Charles Spencer Chaplin Jr, ou simplesmente Charles Chaplin, foi uma pessoa com o dom certo, no lugar certo e na época certa. Ele contribuiu como poucos para o enriquecimento do espírito humano num período de cinzento desenvolvimento industrial, urbano e de intensos conflitos bélicos entre nações.

Nascido na Londres de 1889, cresceu influenciado por uma mãe artistas e batalhadora, e pelas agruras de um pai bêbado e frio. Teve os primeiros contatos com uma platéia ao enfrentar o grupo de pessoas que expulsou a sua mãe cantora do palco, acometida por uma laringite, durante uma performance. Com cinco anos ele desconcertou essas pessoas com uma canção popular de sua época, com 19 já era um dos principais atores do grupo teatral de Fred Karno, empresário Inglês.

Aos 24 anos, já na América, Chaplin afasta-se do grupo teatral onde desenvolveu o seu talento para a interpretação e é contratado pela Keystone Film Company, o cinema dava os primeiros passos e recebia a companhia de um jovem, sensível e talentoso artista.

Após uma fase de adaptação, Chaplin ganha, junto com o crescimento do seu personagem “vagabundo”, confiança e domínio do espaço em frente às câmeras.  Logo ele estava produzindo os seus filmes, e, o personagem de surrados trajes formais e olhar sofrido, traria para as telas do cinema um contraponto com as comédias excessivamente pastelões da época. Chaplin viria com tipos por vezes agressivos e violentos, mas que entregavam com cada vez mais qualidade boas doses de sentimentalismo, amabilidade, romantismo e carisma. Os expectadores tinham com quem se identificar dentro do mundo dos filmes mudos.

Fez fortuna com uma série de películas, e resistiu o quanto p0de a chegada dos diálogos no seu trabalho. O mundo dos anos 30 mudava rápido, o Reich de Hitler assombrava aqueles que tinham informação, e Chaplin cumpriu o seu papel, o papel que todo artista influente deve cumprir. Posicionou-se, com força.

Chaplin ridicularizou o mundo construído por Hitler, os seus trejeitos, a sua sociedade e o modo como as relações humanas estavam sendo mantidas. Discursou com uso do cinema contra um dos sistemas que mais se valia de propaganda, cumprindo, repito, o melhor papel que um artista influente pode ter.

A fama cresceu, o seu barulho incomodou muita gente, inclusive os americanos que tanto se beneficiaram da sua arte. Terminou sua vida na Inglaterra, recebendo ainda nela todas as honras merecidas, e fez muita gente querer seguir o seu caminho de 88 anos de vida, 81 enfrentando platéias.

**********


Francisco Landi, o Chico, nasceu na São Paulo de 1907. Perdeu o pai carroceiro aos 11 anos de idade, largou os estudos e foi trabalhar como ajudante de mecânico. Passados poucos meses, o patrão austríaco já via talento no moleque, que ganhava um aumento de 15 para 25 cruzeiros na sua renda mensal.

Chico Landi pegou gosto pela velocidade vendo o irmão Quirino preparar os Hudson que participavam de rachas noturnos, mas foi nas motos que começou a ter as suas primeiras experiências, até um tombo feio o afastar da brincadeira. Aos 18 anos compra um Hudson e começa a participar de corridas de rua, desafiando motoristas de taxi. No chão paulista participa de todas as provas que aparecem e, aos 26 anos, não perde a chance de se inscrever para a primeira competição oficial no Brasil, o Grande Prêmio Circuito da Gávea de 1933. Mas o carro com o qual ia disputar a prova sofre um acidente na véspera, o deixando sem meios para disputar a corrida.

Em 1934 a Gávea finalmente conhece Chico Landi, que ganha os torcedores acelerando para valer, mas uma quebra faltando 8 voltas para o final o afasta da corrida.

Nos sete anos seguintes Chico Landi foi personagem presente no Trampolim do Diabo, correndo atrás do sonho, que veio em 1941. O país, carente de ídolos em todas as áreas, agora tinha um herói, Chico, o volante que desafiava os carros mais rápidos do mundo, inclusive os Auto Union, vencia enfim a prova.

Em 1946, após a guerra e um recorde em Interlagos, começa a sua carreira internacional, participando de três provas na Argentina. Essa participação no sul da América, mais o destaque que a imprensa nacional dava para Landi, fez com que o piloto paulista conhecesse o chão europeu, infelizmente com mais uma quebra, desta vez no I Grande Prêmio de Bari. Mas a volta por cima não tardaria, em uma prova na argentina, bateria o grande Juan Manuel Fangio, no ano de 1948.

1948 foi um grande ano para Landi. De volta ao solo italiano, venceu o II Grande Prêmio de Bari, superando pilotos de ponta do automobilismo europeu e mantendo uma média de bons resultados, até os anos 50 chegarem e junto deles uma vontade de estar perto da família e de ter uma vida menos arriscada.

Próximo aos 50 anos, nosso Chico Miséria (Landi era um conhecido mão de vaca) era um ídolo nacional, realizado, e passou a correr apenas as provas que poderiam lhe render um bom ganho financeiro. E assim foi ficando na memória das pessoas, num período em que quase não guardávamos memórias, Landi fez o nome correndo para a torcida e fez também com que o mundo soubesse que também se corria de automóveis por aqui. Faleceu aos 82 anos, estando ligado ao mundo dos automóveis durante grande parte deles, fazendo muita gente querer seguir os seus passos.

**********


Bibliografia para este post:

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal

http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Read Full Post »