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Posts Tagged ‘história’

Adeus primeiro semestre

A ansiedade costuma acabar comigo.

Este blog, por exemplo, começou de maneira bem tímida. Após a primeira postagem com um pouco mais de repercussão, acabei virando a noite em claro pensando nas possibilidades, responsabilidades e em tudo mais que eu poderia inventar por aqui. Hoje ele já passa das 100.000 visitas e pouca coisa do que bolei foi colocada em prática.

Nessa semana acabei o primeiro semestre da minha faculdade de História. No dia em que cheguei da matrícula também virei a noite em claro. Outro curso superior, no mesmo campus em que havia abandonado uma engenharia…

Mas dessa vez não tem volta, o curso é espetacular, estou no lugar certo. Abaixo duas fotos do Campus do Vale/UFRGS, onde passarei muitas das minhas noites nos próximos anos.

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Muita melancolia.  Uma das carreteras do Breno Fornari alí, exposta no meio de carros mil e outros modernos, esperando um comprador.

Existe também uma certa ironia, que só os conhecedores da história percebem. O ponto da loja fica no pé da subida da Eduardo Padro, exatamente onde as carreteras passavam voando para retornar ao bairro Tristeza. Isso no Circuito da Pedra Redonda, que parava a cidade de Porto Alegre e hoje é um ilustre desconhecido.

Patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, esse carro deveria cair nas mãos de quem conhece e preserva nossa memória. Só consigo pensar no Trevisan e seu museu, em Passo Fundo.

Que esse Ford coupé 1940, V8 292,  caia em boas mãos.

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Tenho uma colega de trabalho que fuma bastante. Entre uma escapada e outra ao longo do dia, e ritualmente após o almoço, lá está ela soltando a sua fumacinha.  Minha colega certamente nunca ouviu falar de Goethe, pensador e cientista alemão. Ela conhece a avenida de Porto Alegre, mas não o escritor que recebeu a homenagem e que nas suas linhas cravou a afirmação: “É mais fácil matar o monstro do que remover-lhe as entranhas”.

Ela é jovem e já mãe de um menino nos seus quatro anos de idade. E jovem do seu jeito já está sentindo que alguns aspectos de sua saúde pioram gradualmente. Recentemente escutei que nela não há mais prazer em fumar, mas o hábito está solidificado na sua rotina, tão natural quanto alimentar-se, cuidar de sua aparência (toda mulher é vaidosa) e dos estudos do seu filho, está também levar os cigarros à bituca pelas escapadelas do seu cotidiano.

Produto com saída, vício persistente. Mesmo quando não há mais prazer, segue vivo. A indústria do cigarro aproxima-se do pensamento de Goethe. Ela é como o conjunto de entranhas de um monstro que lutará até o fim por sua existência. Mesmo démodé em muitas regiões, segue vivo e forte na liberdade sadia que cada um têm de fazer as suas escolhas; vivo, mesmo com suas entranhas expostas de forma indigesta e o seu mantra repetitivo.

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A indústria do cigarro enriqueceu através da pompa e do status que ele trazia. Logo, onde havia apelo ao público consumidor, lá estava ela estampando seus produtos. Com o aumento do conhecimento de seus males, e maior divulgação das suas conseqüências, o charme foi sendo perdido, mas o dinheiro investido em visual já estava devidamente enraizado.

Um dos esportes mais ricos da atualidade anda alinhado com essa indústria desde que descobriu como é rentável levar um adesivo de marca em seus carros. A Fórmula 1 ajudou a fixar patrocinadores de uma maneira impressionante, a ponto de hoje os cigarros terem deixado as equipes (muitos países proíbem as suas propagandas), mas as equipes não conseguirem deixar os cigarros.

No começo dos anos 70 a John Player abraçou a equipe Lotus. Seus carros, antes com o verde inglês tradicional e depois com o marcante layout da Gold Leaf (cigarros), entravam em uma parceria longa e vencedora. Os Lotus modelo 72 de Fittipaldi, 78 de Andretti e 97T de Senna cravaram o preto e dourado como a pintura definitiva da equipe.

Em 2011, em meio a uma disputa pelo direito de levar o nome Lotus nas pistas, o padrão de pintura que remete ao cigarro volta a dar as caras, enfatizando qual a verdadeira através das cores vencedoras.

A Marlboro entrou na Fórmula 1 através da equipe BRM, em 1972. O desenho na carteira transformou-se em um belo conjunto quando na carenagem de um monoposto. Em 1974 lá estava Fittipaldi eternizando a imagem na grande McLaren, parceria também vencedora e marcante com Senna 14 anos depois. Após o período na McLaren, começava então a destruidora união Ferrari/Marlboro/Schumacher.

Nos dias de hoje, basta olhar para o carro da equipe italiana , lá está ela e sua subliminar “gravatinha” num fundo branco.

A Rothmans estampou a equipe March durante boa parte dos anos 70 e início dos 80. Neste período ela ampliou seu alcance para outras categorias, motociclismo, turismo e rali. Nos anos 90 voltou à Fórmula 1 juntando-se a equipe Williams e seu projeto para receber Senna. Com Senna, tragédia, mas com Damon Hill e Jacques Villeneuve, os títulos desejados.

Hoje a Williams reforçou na sua pintura para 2011 o desejo de retornar aos tempos de vitória, sair do pelotão intermediário. E, ao trazer uma imagem vencedora nos traços, trouxe junto a indústria do tabaco.

E até a Hispania, sabe-se lá porque, ao mostrar o que pode vir a ser o seu carro, fez todo mundo lembrar da Lucky Strike, antiga patrocinadora da BAR. A marca de cigarros que fez um trabalho forte no motociclismo e depois entrou na Fórmula 1 pela porta errada, mas mesmo assim, foi marcante pelas belas pinturas dos seus carros.

Vício difícil de se largar, é esse dos cigarros

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Atualmente, lembro-me de mais coisas vistas nas aulas de educação religiosa dos tempos de colégio de freiras do que das que vieram bem depois, nas cadeiras de cálculo da faculdade de engenharia, curso que eu abandonei.

As aulas eram ministradas por uma irmã velhinha, que ficava sentada a maior parte do tempo. Não conversávamos durante o período, afinal ela era uma pessoa especial, gostávamos da Irmã Laura. Mas acontece que por papelzinho o papo rolava solto; eu tinha uma namoradinha no segundo ano do segundo grau (Hoje mudou o nome, não sei mais), e “tagarelava” mais com ela nos períodos de educação religiosa do que fora do ambiente escolar.

Bem, todos já passamos por uma adolescência.

Quando os sapos invadiram o Egito

Lembro de quando a perseverante Irmã Laura contou que Ele, zangado com a potência egípcia, cheia de deuses, que teimava em escravizar o povo de Israel, mandou 10 pragas. Elas foram direcionadas para 10 divindades do povo do Nilo, esperando que aquela nação libertasse o povo de Israel e aceitasse um Deus apenas.

As águas ficariam vermelhas, rãs invadiriam a terra, moscas, piolhos, pestes, sarnas, trovões, gafanhotos, trevas e a morte de todos os primogênitos se seguiriam. O Êxodo é um livro rico, e os estudos modernos que explicam o que seriam as pragas também são interessantes.

As águas ganhariam a coloração avermelhada devido a uma mudança forte no clima. O aquecimento somado a escassez de chuvas baixaria o nível e elevaria a temperatura delas, trazendo uma indesejável alga vermelha (fato comum no Guaíba/RS, durante o verão).

Essa alga intoxica o rio, diminuindo a sua oxigenação, afetando todos os níveis de organização daquele ecossistema. Isso faria com que toda a população de rãs tomasse o solo, apavorando as pessoas e trazendo problemas como o posterior desequilíbrio trazido pela morte de toda a população anfíbia. Viriam os mosquitos em bando, sem predadores… E assim as pragas vão se explicando, uma a uma.

Quando os sapos invadiram a França


Muito tempo depois, o empreendedorismo de uma companhia fez a França ser tomada de assalto por um exército de sapinhos, mas a semelhança com a segunda praga do Egito serve apenas como “escada”, no meu texto, para a chegada dos simpáticos e valorosos Citroen 2CV para aquela região.

No final da década de 40 a arrasada França queria tomar novos rumos, erguer-se. A Citroen era controlada pelo grupo Michelin, que instituiu como seu gerente Pierre Boulanger. Boulanger lutava desde os anos 30 para trazer às terríveis estradas francesas um veículo barato, forte e confortável, destinado principalmente ao agricultor rural. A meta da empresa era dar a essas pessoas um carro que pudesse agüentar os solavancos das estradas precárias sem maltratar as colunas e os bolsos vazios dos humildes franceses, e se ele vencesse os acidentados trajetos sem quebrar um dentre uma dúzia de ovos depositados em algum de seus bancos, a missão estava cumprida com louvor.

Antes da Segunda Guerra protótipos circularam pelo país, mas só a partir do final do conflito que suas formas definitivas surgiram ao público, ainda sem motor, no Salão de Paris de 1948.

O carrinho, que nasceu para substituir as carroças puxadas a cavalo da população campestre, viveu dois momentos distintos durante este salão. Enquanto a imprensa especializada ridicularizava as suas formas, fazendo anedotas como um abridor de latas para quem levasse um para casa, filas de espera de 3 meses, devido aos pedidos do público, eram formadas na contabilidade da Citroen.

O carrinho tinha muitos predicados. O baixo peso, aproximadamente 500 quilos, exigia pouco do competente motor de dois cilindros e potencia de 9 cv, nos primeiros (o 2CV veio para baratear ainda mais o veículo, o enquadrando numa faixa especial de tributos). Eles devolviam um consumo próximo a 18 km/l, batendo em 70 km/h de velocidade máxima. A carroceria, que sentava em um chassi de aço, era toda fixada por parafusos, facilitando assim sua montagem e os seus reparos.

Todo esse conjunto era calçado em finos pneus diagonais (125/15) que, somados a suspensão independente nas quatro rodas, proporcionavam um bom manejo e um rodar macio, dentro das limitações de desempenho impostas pelo pequeno motor refrigerado a ar.

A vida dentro da cabine de um 2CV era bem peculiar. O acesso aos bancos de lona acontecia através de quatro portas, sendo as duas dianteiras suicidas. Para diminuir custos, um conveniente teto de lona substituía o metal, e sua prolongação poderia servir também como tampa do porta-malas. Teto este conveniente porque a baixa área envidraçada, com poucas aberturas, seria certamente um transtorno em dias quentes.

O painel seguia o conceito minimalista do carro, com um velocímetro,hodômetro  e um marcador rudimentar do nível de combustível, conceito aplicado também nos piscas externos, onde duas “orelhas”, atrás de cada um dos vigias traseiros, substituiam os usuais quatro indicadores.

Passado o choque inicial, a evolução do 2CV foi gradual ao longo dos 41 anos de produção, e o alcance das mais de 5 milhões de unidades vendidas foi muito maior que o número de carroças existentes na França do final dos anos 40. Hoje entusiastas do modelo preservam e desfilam o peculiar carro que povoou tanto a França, a ponto de virar um de seus símbolos mais marcantes.

Vie longue aux beautés Deux Chevaux

Bibliografia para este Post:

Best Cars Web Site

Cinquenta Carros que Mudaram o Mundo – Design Museum – ed. Autêntica

Revista Quatro Rodas, edição especial – Carro Clássicos, modelos que marcaram época

Agradecimentos para Ingryd Lamas e Rodrigo Lombardi pela ajuda com fotos.

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Desenlaces

Um amigo meu vai vender o seu carro.

Ele, casado e já pai de família, pretende desfazer-se, afastar-se, deixar de somar novas marcas no hodômetro do seu protegido.

Deve estar maluco, largar assim seu sonho de metal nas mãos de outro Vital.

Abandonar um filho adotivo, encontrado sem documentos, filiação e totalmente dependente do novo protetor. Que reaprendeu a andar e a parar; rejuvenesceu recuperando a sua identidade e os seus traços cromados; que fez das suas artes e traquinagens para depois, enfim, ser levado ao cartório.

“Nome tal, filho de, nascido em, vulgo isso, eu, o despachante, dou fé.”

Deixar um(a) ótimo(a) companheiro(a) nas mãos de outro alguém. Após bons passeios, muitas conversas e confissões, fotos e estórias. Após exibirem-se, sabendo de ego contente que outros humanos o(a) olhavam. Depois de criar um círculo de amigos ao redor desta companhia, e a companhia nunca reclamar da atenção prestada à eles.

Mas entendo o meu amigo. Ele é casado e pai de família, essa parte de sua história surge, diariamente, através das mãos de outro artista. Mas ele pode renovar-se, deixar de ser passageiro indefeso na sua trajetória para então criar nela subtítulos, assumindo míniprojetos e se alimentando deles, criando parte de si mesmo.

A missão com aquele ser querido terminou, um não soma mais nada ao outro. A porção que agora falta está em outro agregado mecânico que logo será trazido para a família.

Eu entendo.

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