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“Money, it’s a gas…”

No “preto no branco” das sábias páginas do meu pequeno Aurélio, um herói se define por:

“1. Homem extraordinário pelos feitos guerreiros, valor ou magnanimidade. 2. Protagonista de obra literária.”.

Desde muito novo cultivo os meus heróis sem seguir a fórmula mágica do Aurélio. Alguns até eu já deixei pelo caminho; faz parte do amadurecimento rever conceitos, e, quando mudam os conceitos, mudam também as referências.

Povoam o meu mosaico de ídolos seres que, além de muito talento nas suas atividades, cultivam também certos hábitos excêntricos. Dentre essas pessoas, dois adoráveis malucos que me fazem tirar o chapéu foram destaque nos seus principais trabalhos, ganharam rios de dinheiro numa vida invejável, e, depois, souberam dar um belo destino aos bons trocados ganhos.

Não é só a semelhança no nome que aproxima esses dois. A paixão pela velocidade e por brinquedos caros também une Nick Mason e Niki Lauda.

Run Like Hell

Um conjunto formado em 1964, numa Londres tomada pela Beatlemania, teve sucesso e reconhecimento tomando um caminho totalmente oposto do consagrado “Fab Four”. Norteados pelo talento do conturbado Sid Barret, totalmente imersos em um som psicodélico e experimental, o Pink Floyd teve uma curiosa caminhada até o sucesso mundial.

A saída de Sid Barret por problemas mentais determinou uma mudança de rumos no som da banda. Do começo psicodélico a afirmação com uma sonoridade progressiva, Waters, Wrigth, Gilmour e o baterista Mason criaram grandes óperas-rock e emplacaram dois discos entre os mais vendidos em todo o mundo. Dark Side of the Moon e The Wall.

Entre os ótimos músicos, Nick Mason, baterista de cabelos compridos e bigode vistoso, chamava a atenção por sua levada perfeitamente adaptada ao tipo de som da banda. Por vezes até virtuoso, Mason firmou-se como músico de respeito e ganhou muito dinheiro.

Paralelo aos trabalhos na banda, Mason, um apaixonado por carros, aproximou-se de seus objetos de desejo. Iniciou, no final dos anos 70, uma coleção de carros de corrida clássicos. Passou a participar de rallys de regularidade e velocidade, logo transformando seu hobby em coisa séria.

Fundou a Ten Tenths, empresa que utiliza os carros de sua coleção, com a finalidade de alugá-los para entusiastas, produtores de filmes e programas de televisão, além de participar de corridas. No seu currículo, Mason soma cinco participações nas 24 Horas de Le Mans, presença na Mille Migla, participação documentada no rally mexicano La Carrera Pan Americana, além de exibição de seus carros no festival de Goodwood.



Na sua garagem podemos encontrar belezas como: Jaguar Type D 1955, Ferrari GTO, Ferrari 512S, Porsche 962, McLaren F1, a Ferrari 312 T3 de Gilles Villeneuve e o inigualável Auto Union D-type de 1939.

Na mesma época em que o Pink Floyd conquistava seu espaço, um jovem austríaco começava na Fórmula 1.

Learning to fly


Niki Lauda, jovem de família rica, começou a correr em 1968. Após três anos de aprendizado em categorias menores, iniciou sua caminhada da categoria principal,pela equipe March. Em 1974 foi contratado pela equipe Ferrari, onde conquistou dois campeonatos, perdendo um terceiro para Hunt, no ano de seu terrível acidente.

Após duas temporadas ruins na Brabham-Alfa Romeo (78 e 79), Lauda se afastou das pistas para fundar a sua companhia aérea.

A Lauda Air foi fundada em 1979, com missão de mostrar ao mundo o “estilo austríaco de voar”. Começou as operações em 1985 com serviço de táxi aéreo e pequenos trajetos. Em 1990 Lauda, já trí-campeão pela McLaren Tag-Porsche, obteve permição para realizar vôos internacionais, o que permitiu a Lauda Air investir em aeronaves maiores.O primeiro vôo internacional saiu de Viena para Sydney e Melbourne.

Hoje a companhia de Lauda presta serviços para a Austrian Airlines, possui uma frota de sete Boeing 737-800, cada um batizado com o nome de um artista famoso. Deste modo, Falco, Freddie Mercury, George Harrison, Gregory Peck, Frank Zappa, Miles Davis e Kurt Cobain realizam vôos para a Europa, América do Norte e para o Sudoeste asiático.

Durante a sua existência a Lauda Air contabiliza a perda de uma aeronave. No ano de 1991 o Boeing 767 apelidado de Amadeus Mozart caiu na Tailândia, matando 223 passageiros e a tripulação.

“…new car, caviar, four star daydream…”

Lauda e Mason fizeram as suas vidas em duas atividades pelas quais eu sou completamente apaixonado. Música e automobilismo.

Ambos conquistaram uma enormidade de fãs, alguns inclusive seguiram suas profissões inspirados neles, o que confirma a sua importância nas áreas em que, quase juntos, começaram a despontar como ícones.

Ambos também flertaram com um certo perigo nas suas vidas e estão ainda firmes nos dias de hoje. Seja esse perigo o temeroso automobilismo dos anos 70, seja ele o consumo inconseqüente de drogas e álcool, o fato é que os dois souberam fazer fortuna com gosto, e hoje, sabem gozar muito bem de tudo que o dinheiro lhes oferece.

Adoráveis excêntricos esses meus dois heróis.

Sites Relacionados:

http://www.laudaair.com/site/index.php

http://www.tentenths.co.uk/

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Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros

De forma ocasional, enquanto organizava alguns materiais para estudar ao longo da semana, esbarrei em pequenas coisas que me chamaram a atenção e me fizeram perceber, quase como uma revelação,  algo que já deve ser uma verdade evidente para muitos.

Ultimamente venho tendo a felicidade de conhecer e trocar ideias com pessoas incríveis, todas elas de regiões, idades, profissões e rotinas muito diferentes umas das outras. Chato que sou, certamente ainda de maneira ingênua, tento aprender o máximo com aqueles que tem mais bagagem;  seria muito burro da minha parte não “bancar  a esponja” durante essas conversas.

Eis que, enquanto organizava as minhas coisas, achei algo que ando bolando para colocar futuramente no retrovisor do carro que estou reformando. Passatempo puro, vou prendendo em uma espécie de cordão os ingressos dos shows que já fui na vida, para depois, talvez, pendurar no retrovisor do carrinho já reformado.

Pensando nessas coisas que ocupam o tempo livre, me chamou a atenção a existência de algo em comum na vida das pessoas mais legais que ando conhecendo nos últimos tempos. Todas elas apresentam um projeto paralelo, um hobby que envolva um certo comprometimento, todas trabalham também para si em determinadas horas da semana.

Nascendo a vontade

Deve ser muita pretensão achar que as individualidades se contentarão com um dia-a-dia todo voltado para atividades que trarão benefícios apenas para terceiros, um salário frio e a virada para o mês seguinte. Ainda mais se for num contexto de rotina maçante, com bem pouco bem-estar.

Essas mesmas individualidades, cada uma do seu modo, procuram algo gratificante para ocupar o tempo livre. Seja uma coleção de gibis, um álbum de figurinhas, montagem de carrinhos em miniatura ou a reforma de um antigo de verdade. Na escolha do hobby vai muito da personalidade das pessoas, obtida durante a sua formação.

O carro com que o avô levava a criança para a escola, um trauma pelo álbum de figurinhas nunca completado em alguma Copa passada, a arte gráfica de um gibi, uma coleção de motos inspiradas no filme Easy Rider. Filme que pode ter sido assistido anos atrás depois da aula, com um gibi esquecido na mão, comprado com a grana que deveria ser usada em um pacote de figurinha do álbum da Copa, aquela. Quem disse que um hobby apenas é a lei?

Comprando a ideia

Partindo da premissa que aquilo que é feito de bom grado e por iniciativa própria é executado com o máximo de esmero, todo projeto paralelo tem o seu valor, sempre superestimado por quem se dedica a ele, claro. Essa relação de comprometimento e troca começa no momento que abraçamos uma causa, e ela é mantida sabe-se lá por quanto tempo.

Nenhum dinheiro deste mundo compra, por exemplo, a pujante coleção de ímãs de geladeira da mãe de um amigo. Cada simpático objeto traz recordações de viagens e momentos, a ponto dela se animar e começar a criar os seus próprios. Os artesanatos, comprados ou criados, transformaram aquela porta branca de metal numa espécie de relicário aberto, multicolorido, um dos orgulhos da Tia Neide.

Curtindo o resultado

Nada que desmereça esta história, mas todo trabalho realizado com dedicação e carinho, para que se chegue ao resultado de algo único e desejável, é feito também com o intuito de ser mostrado. Todo dono de um hobby é, no fundo, um grande exibido.

Existem aqueles que realizam essas obras com tanto talento que elas naturalmente viram atividade de trabalho, fonte de renda e reconhecimento. Objetos artesanais, artes gráficas digitais ou não, textos, poesias… Quando algo que começa como um passatempo torna-se coisa séria, é porque a vocação foi posta a prova e confirmada.

O que vale, no final das contas, é a escapada constante da rotina, o momento de trabalhar para si, crescer como pessoa. Não existe terapia melhor que correr atrás de um projeto pessoal, seja ele simples ou não. Estudar, comprar materiais, trocar idéias e experiências, fazer o máximo para que aquilo que tanto pode ter começado como uma paixão arrebatadora, ou uma coceira despretensiosa, torne-se uma prazerosa maneira de enriquecer o cotidiano, para depois, a obra pronta ser mostrada com muito orgulho.

Em que pé anda o seu hobby da vez?

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