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Acelera, Montoya

A Indy também terá suas atrações em 2014.

Montoya – que coube no carro – já dá suas primeiras aceleradas. Após algumas temporadas na Nascar, o colombiano precisa reencontrar a pegada dos monopostos.

Torceremos! O cara é uma figura.

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Fear and Loathing Mônaco – Final de semana  frustrante para quem esperava algo diferente da etapa da F1 – ok, temos mais um vencedor na temporada, o sem sal Webber.

Antes, na GP3, preliminar do evento oficial, o piloto russo Dimitry Suranovich assumiu uma postura anti-desportiva de assustar. Gilles Villeneuve às avessas, defendeu sua posição após perder a asa traseira, usando todos os meios possíveis para bloquear a passagem do  norte-americano Conor Daly na estreita pista urbana.

O terrível acidente na saída do túnel poderia ter graves consequências; a perda da licença para disputar provas automobilísticas é o mínimo desejado ao infame russo.

Poucas emoções na F1; apenas Pérez deu algum movimento à prova ao largar em último e quase pontuar.

A batida na partida tirou Koba da disputa e deu grande susto em Schumacher. O veterano, que cumpria punição e por isso não largou na ponta, mais uma vez deixaria de completar uma etapa – Rosberg o domina com facilidade.


A expectativa de chuva, que daria para Vettel um pulo do gato, não se confirmou. Seu companheiro de equipe venceu e empatou a vice-liderança do campeonato.

Campeonato que segue sendo liderado por Alonso. O espanhol faz uma de suas melhores temporadas, tirando mais resultados do que qualquer envolvido na criação do carro deste ano jamais poderia projetar.

E Jenson Button penou diante da Caterham de Kovalainen, para o constrangimento dos olhos atentos de Antonio Banderas.

Where the Buffalo Roam – A Indy 500 é sempre um barato de se acompanhar. Esse ano havia o batizado do chassis novo e a estreia de dois veteranos da F1 como atrações.

Após o hino, o voo dos aviões e o “start your engines”; após trocas seguidas de vácuo com seu companheiro da Ganassi, a atuação monstruosa de Kanaan animando as últimas voltas e a iniciativa transloucada de Sato em busca da vitória na última volta; Após 3 horas de fritura, Dario Franchitti se tornaria tri-campeão das 500 Milhas de Indianápolis.

Will Power e Mike Conway deram a grande pancada da prova:


E por fim: Um dos ex-personagens da F1, o homenageado em Mônaco, receberia bandeira preta por desempenho abaixo do aceitável no oval; o outro realizaria uma prova honesta e competente.

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Indy na Marginal

O Grande Prêmio Itaipava Armarinhos Fernando Magazine Luiza São Paulo Indy 300 Balas Dadinho Nestlé foi como um belo texto recitado por um grande gago. Bom e irritante ao mesmo tempo.

A corrida foi movimentada, as bandeiras amarelas ajudaram a criar variáveis, o primeiro “s” cumpriu sua função de causar tumulto e a pista estava bonita, bem sinalizada. O grande problema foi mesmo o despreparo da equipe de transmissão de imagens em fazer um trabalho fluido e organizado. Os cortes de imagens aconteciam nas horas erradas, para lugar nenhum, disputas não eram mostradas e as repetições não tinham todo o acontecido – sem contar a chatice do “super-slow” e a troca de nomes durante a narração.

Mas o texto lido pelo gago foi bom. Ah, foi. Os brasileiros remaram muito no chove-não-molha, os da equipe KV um tanto mais com suas táticas incompreensíveis. Aliás, Takuma Sato largou em último e chegou à terceira colocação graças justamente a sua tática, e por – milagrosamente – ter terminado a prova.

Bia Figueiredo foi combativa, merece muito mais, tem muito talento.  Castroneves terminou no quarto posto, e não tem do que reclamar o nosso brasileiro melhor colocado.

Will Power venceu com sobras, lidera a temporada com 180 pontos, seguido de Castroneves com 135. A próxima etapa será a monstruosa Indy 500, todos ao Templo!

Ah. Como cereja do bolo, não havia quem conseguisse abrir as garrafas de champanhe levadas ao pódio. Supimpa.

P.S.: A foto é de Bruno Terena/Agência Warm Up

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Indy pós Alabama

Aos que acompanham: O que estão achando desta temporada da Fórmula Indy?

A segunda prova, no Alabama, foi muito movimentada e boa de ser conferida. Parece que o novo DW12 é, além de bonito aos olhos, competente naquilo que se propôs a oferecer.

No belo Barber Motorsports Park, estreito e cheio de desníveis, os pilotos conseguiram ganhar posições na base da velha pilotagem. Disputas como a de E.J. Viso e Andretti, lado a lado, foram uma constante. O carro parece ser tão forte quanto o chassi antigo, que aguentava muita porrada – o tal pára-choques traseiro foi bastante exigido hoje.

Will Power remou bastante e conseguiu uma boa vitória, creditada à tática da equipe Penske. Castroneves perdeu rendimento e finalizou em terceiro. Boa pontuação somada no seu grande começo de temporada. Barrichello fez um grande final de prova, ganhando boas colocações na última relargada e terminando com uma postura competitiva e agressiva no oitavo posto.

Respondendo, digo que estou gostando bastante desse início competitivo e bonito da Indy. Que venham as demais etapas.

Abaixo, um print do http://www.indycar.com com parte da atual classificação:

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O carro lindo acima será o novo brinquedo de Rubens. Finalmente veio o anúncio.

O Rodrigo Mattar tuitou ontem que tem se falado mais em Indy do que na Fórmula 1 após o início dos treinos da categoria americana – os brasileiros com toda certeza.

A Indy tem, digamos, a carta do Super Trunfo nesse momento de grandes mudanças. Pós baque pela morte do Wheldon, com a chegada do (lindo) carro novo e com a diminuição dos ovais no calendário, ter um veterano ex-Fórmula 1 em forma e motivado nas atrações é uma boa maneira de mostrar que a categoria segue forte e é atraente.

Quanto ao Rubens, só depende dele e de sua postura frente as cameras e ao dircurso verde-e-amarelo da BAND. Talento tem, de sobra, para se destacar.

E a BAND vai mostrar classificação e corridas na íntegra? A temporada toda? Sei não, sei não…

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Povos de outros tempos deixaram marcas ainda presentes nos dias atuais, mas infelizmente grande parte de suas crenças e costumes seja hoje desconhecida, principalmente por nós ocidentais.

Há 5.000 anos o mundo era diferente, menor. A percepção do cotidiano por parte dos indivíduos, e a sua religiosidade, também. A história era vista de forma cíclica e não linear, como num círculo, num traçado oval, as coisas retornariam na manhã seguinte para o ponto de partida.

Aquelas sociedades, lideradas por reis-sacerdotes, temiam a perda da manutenção da ordem dos acontecimentos e utilizavam-se das relações com um panteão de deuses para explicar o inexplicável – catástrofes, pragas, doenças, desastres. Sumérios, acádios e babilônicos tinham os seus, cada um representando um evento da natureza, das relações humanas e das suas atividades:

Enlil, senhor dos ventos, próximo a Abad, deus das tempestades; Samash, deus solar; Zabada, deus guerreiro, submisso a  Ishtar – deusa da fertilidade e da guerra; alguns nomes dentro de toda uma mitologia criada para explicar os mistérios que cercam tudo o que acontece no mundo.

Talvez JR Hildebrand, pobre JR Hildebrand, tenha sido neste último final de semana mais do que um infeliz acidentado. Talvez ele seja um escolhido. Instrumento de uma manifestação cruel de um esquecido Enlil, que escolheu um evento cíclico para demonstrar seu descontentamento. As coisas estão muito diferentes de 5.000 anos atrás, Enlil deve estar inconformado com o ostracismo.

Ou talvez JR Hildebrand, pobre JR Hildebrand, que tinha nas mãos a vitória da centésima edição de uma das provas automobilísticas mais importantes no panteão das provas automobilísticas do mundo conhecido. Que bateu na última curva, cruzando depois os ladrilhos da vitória aos trancos e barrancos, sendo ultrapassado nos últimos metros por um afortunado Wheldon… Talvez, sei lá, ele tenha profanado um zigurate, tirado uma lasca do Código de Hamurábi, esquecido a Porta de Ishtar aberta num dia frio e irritado a deusa do amor. Quem sabe ele não tirou uma onda da tiara de chifres que Naram-sin usa nas suas representações?

Algo inexplicável aconteceu e nem a mitologia dá conta. O automobilismo é fascinante.

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Hoje a notícia de que Porto Alegre busca sediar uma etapa da Fórmula Indy correu as redes sociais e os veículos que cobrem automobilismo. Entre os trajetos propostos num primeiro momento, o que parece mais prático é o que passaria pela Usina do Gasômetro e pelo Anfiteatro Pôr-do-Sol, costeando o Guaíba num ambiente plano e de bela natureza.

A Av. Edvaldo Pereira Paiva, que durante os finais de semana vira passeio para pedestres e ciclistas tendo, inclusive, o tráfego de veículos restringido, deve ser a melhor região de Porto Alegre para uma corrida de monopostos, uma vez que Tarumã sequer foi cogitada.

A maioria da população da capital recebe de forma incrédula a notícia, o que poucos sabem é que até o final da década de 60 a cidade, muito menos habitada e urbanizada do que hoje, promovia eventos automobilísticos em suas ruas regularmente. Circuitos por onde Takuma Sato e sua trupe jamais ousariam passar.

Dos trajetos utilizados como pistas de rua, o mais desafiador foi o do Circuito da Pedra Redonda, ainda cultuado e reverenciado nos dias de hoje. Suas curvas e desníveis lançados ao longo de 15 quilômetros, localizados na região sul de Porto Alegre, tiveram durante o seu auge nos anos 50 e 60 uma espécie de tira-teima entre os ases gaúchos, que aprontavam nas Mil Milhas de Interlagos, e os paulistas sedentos por vingança nas terras do sul.

Pilotos como Camillo Christófaro, Chico Landi, Catharino Andreatta e José Asmuz levavam em suas carreteras o orgulho regional e, de quebra, ainda enfrentavam oponentes dos países vizinhos.

O hoje impensável circuito tinha a sua largada e chegada no bairro Tristeza, entre a Av. Otto e a Delegacia da Brigada Militar. Os carros subiam pela atual Wenceslau Escobar na direção da muito perigosa descida da Pedra Redonda, a entrada do bairro Ipanema pela Av. Cel. Marcos.

Difícil imaginar o trabalho para controlar as pesadas e potentes carreteras, com freios a tambor nas quatro rodas, na íngreme descida que culmina em uma curva, até hoje problema para os motoristas do trânsito cotidiano.

Já em Ipanema seguiam em alta velocidade até a curva da caixa d’água, onde viravam para o início da subida da Av. Cavalhada, acabando em uma veloz e perigosa descida após o encontro com a Av. Eduardo Prado.

As carreteiras seguiam em descida através da Av. Cavalhada até entrar, contornando uma curva de 90 graus, na Rua Dr. Otto Niemeyer.

A parte final do circuito ocorria no perigoso encontro, também em descida, da Rua Otto com a Praça da Tristeza e a sua igreja, ali estavam novamente no ponto de largada.

Durante bons anos famílias porto-alegrenses aglomeravam-se nas calçadas do seu bairro para ver as carreteiras passarem, trazendo consigo um número grande de incidentes terríveis. Com o crescimento da velocidade dos carros e da população na zona urbana, o perigo dos chocantes acidentes em vias públicas foi contornado com a inauguração de Tarumã.

As corridas pelas ruas da cidade, seja pelo Circuito da Pedra Redonda, seja pelo também desafiador Circuito da Cavalhada, ficaram na memória e em registros fotográficos, virando contos de avô para neto. A possibilidade do retorno das disputas nas vias da capital gaúcha, agora num evento internacional, promoveria também um reencontro do povo gaúcho – apaixonado por corridas – com a velocidade em trajetos normais do seu deslocamento cotidiano.

Seria uma grande homenagem aos antigos heróis que, com suas máquinas, fortaleceram o automobilismo muito além do nível regional.

Abaixo, um comparativo: O ontem e o hoje nas ruas do Circuito da Pedra Redonda.

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Bibliografia para este post:

http://ruiamaraljr.blogspot.com/ e o seu “Histórias que vivemos”

Agradecimentos a Graziela Rocha pelo atencioso envio de informações

http://blogdoquadriculada.blogspot.com/

http://www.nobresdogrid.com.br/

http://blogdosanco.blogspot.com/

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Até poucos instantes atrás eu acompanhava uma bateria da F-3 através do site oficial do autódromo velopark.

Muita chuva nesta região gaúcha durante esse final de semana, que resultou em uma prova complicada. Dos apenas 11 carros que largaram, 4 conseguiram vencer a dificuldade trazida pela água na pista. Embora a drenagem parecesse eficiente, o volume que caia dos céus não condizia com uma etapa segura de corrida de monopostos. A bateria foi vencida por Pietro Fantin, depois de uma linda ultrapassagem sobre Yann Cunha, já nos instantes finais.

Mais uma etapa de alguma categoria do automobilismo que eu acompanho usando apenas meu notebook e minha conexão de internet. Noto que poucos procuram alternativas ao que é oferecido na televisão aberta, mas, felizmente, com o aumento de ofertas em serviços on-line, o leque de opções para quem gosta de automobilismo também cresce.

Atualmente, a categoria de maior poderio econômico é uma das menos atraentes ao internauta, a Fórmula 1 praticamente nos obriga a seguir uma corrida com a companhia da televisão ligada.

O live timing da fórmula 1, encontrado no seu site oficial, é oferecido de forma gratuita após um cadastro. Os dados que temos ao acompanhar os treinos e as corridas são os mesmos que os pilotos e equipes tem a sua disposição. Em uma tela que lembra os antigos sistemas operacionais DOS de computadores 386, tudo que é relevante em informação de condição de pista e cronometragem é passado.

Sem imagens e sem som em tempo real, o site da Fórmula 1, assim como muitas outras coisas ligadas ao esporte que Bernnie alavancou, parou no tempo.

O live timing oferecido pelo Velopark para acompanharmos on line as atividades do final de semana foi uma bela surpresa. Transmissão de imagens com as câmeras do autódromo, sem cortes, mais todas as informações de  cronometragem em pista, mostram que o novo autódromo construido na região da grande Porto Alegre sabe vender o seu peixe.

Mas é na americana Fórmula Indy, através do portal de transmissões, que recebemos, após cadastro, um show de imagens e informações. Lembrando que opções para acompanhar a categoria não faltam, em 2010 ela é transmitida pelo canal Band e pelo portal Terra.

Para quem acompanha através do site, interatividade total com a tecnologia existente.

Entre as possibilidades, transmissão em alta definição com imagens de pista e narração oficial. Americanos sabem fisgar a audiência, e se a televisão não transmite ou não gostamos do narrador, existe o serviço completo no portal. Com os patrocinadores deles, claro. Pelo modo de câmeras do circuito, um trecho da pista pode ser escolhido. Por exemplo, o famoso “s” em descida de Laguna Seca. Alguém no mundo deve querer ver a corrida por aquela câmera e ter todos os dados do que acontece no resto da pista ao lado, pelo portal da Indy, consegue.

Mas se queremos ver a corrida pela perspectiva de um piloto?  Alguns são escolhidos para portar a câmera on-board, que ficam disponíveis durante a corrida. Através de um clique no carro desejado podemos sair da transmissão das câmeras de pista, com a narração oficial, para a carona de um piloto. Nesta modalidade, temos também acesso aberto as comunicações do piloto com a sua equipe via rádio, bem como a cronometragem normal de pista.

E se dois carros com as câmeras on-board começam uma disputa por posição em pista? Através da opção “compete mode” podemos abrir a visão dos dois pilotos, acompanhando o embate e as orientações vindas dos boxes.

As opções vão surgindo e sendo aprimoradas, cabe a audiência buscar os meios que mais investem no bem-estar do telespectador e na sinceridade da entrega de informações para consumir as suas imagens. Ao longo dos próximos anos muita coisa deve ainda evoluir, sempre sendo puxada pelo modo americano de ver esporte. No automobilismo, Indy e Nascar, vanguarda na atual era online e já investindo nos aplicativos de iphones e afins, novos canais que usam informações em streaming e com vendas crescentes pelo mundo, mostram bem o caminho que outras categorias devem seguir. Para isso, serão necessários investimentos e menos privilégios para as tvs abertas.

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Em uma das muitas praças daquele subúrbio barra pesada de Nova York, na única quadra que não tomava sol frontalmente, uma turma de figuras carimbadas nas páginas policiais, bem condicionada fisicamente pelas rotineiras fugas através dos grandes parques, costuma ter a sua saudável e legal prática esportiva diária, ao cair do dia.

Dois chicanos, um porto-riquenho, um cubano e um canadense enfrentam bravamente o forte time dos americanos locais em um acirrado basquete de rua. Americanos que se deliciam em comprovar a superioridade yankee frente aos forasteiros, mal entrosados pela comunicação ruim, oriunda dos seus dialetos variados.

Aquele basquete de rua, acidentes a parte, não é dos mais violentos. Ao lado da risca que divide a quadra ao meio, junto do tradicional três-em-um estéreo que só fala gangsta, ficam os canivetes, socos-ingleses, adagas e os ameaçadores tacos de beisebol, apetrechos que completam a vestimenta casual deles, mas não durante as partidas.

Pois o time de imigrantes anda agora desfalcado. E não por culpa das derrotas vexaminosas para o time da casa. Acontece que o canadense não tem mais cara de aparecer na frente dos americanos. Eu explico: Cada um dos imigrantes tem o seu esporte preferido, e nenhum deles é o basquete. Enquanto os mexicanos adoram um futebol, o porto-riquenho não perde um torneio amador de boxe, o cubano coleciona figurinhas de catchers, para ele os atletas mais corajosos do mundo, o canadense é fã de Fórmula Indy.

E assim que o time adversário descobriu o pôster do Paul Tracy na porta do armário do canadense, ele nunca mais teve paz. Ouvia: “Ainda se fosse Nascar! Esporte de maricas! Teu pai não te levou para ver Hockey? Ao menos lá tem socos!“

Isto nunca foi problema para o nosso bravo canadense, mas, o que aconteceu naquele dia 10 de fevereiro, sim, e desde então ele nunca mais foi visto. Corria o jogo como sempre, cotoveladas e dribles, mas os imigrantes, liderados pelo corpulento canadense, mantinham uma pequena vantagem no placar. Até que um do time da casa, o da ficha mais suja, sem parente conhecido, com a mente totalmente voltada para o crime, apela aos gritos: “E o novo carro da Indy, ruivo leitoso? Gostou daquele falo com rodas? Te imaginas sentado em um? Yo!“

E o canadense nunca mais foi visto.

Hoje veio a público a imagem do que deve ser a nova geração de chassis para a Fórmula Indy, a categoria de monopostos americana, que está  tentando recuperar a força que tinha à época da Cart.

E o cenário previsto me assustou. Que projeto bizarro!

Sempre pensei nas corridas como uma forma de entretenimento, seja no automobilismo europeu, seja no americano. E a Indy, IRL, Cart, pela grande quantidade de disputas que proporciona, sempre foi uma grande alternativa aos finais de semana sem Fórmula 1.

E junto das disputas dos pilotos contra o relógio e contra eles mesmos, o automobilismo traz o encargo de desenvolver a tecnologia que usamos no nosso dia-a-dia. A Fórmula 1, com as suas montadoras, tornou-se referência pelo investimento delas no desenvolvimento de melhores e mais confiáveis motores, transmissões, freios, para dar um atrativo aos consumidores, que compram o produto derivado dos carros que levam a marca na pista.

Na Indy, essa missão cabe principalmente aos fornecedores de motores. Pergunto: Que atrativos teria uma disputa entre veículos tão diferente aos fabricados, para os expectadores e para as montadoras?

O desenho proposto cai como uma revolução total. Dimensões, estrutura, forma de dirigir. Ele transformaria a Indy americana numa categoria extraterrestre. Vejo que já começam a questionar o projeto, levantando questões como a baixa pressão aerodinâmica na área frontal, somada ao curto entre-eixos, que daria ao carro pouca maneabilidade, dificultaria as ultrapassagens. Como a maior bitola traseira seria um problema para os pilotos, que corridas em circuitos de rua não mais seriam possíveis.

Eu questiono também o conceito. Acho que quanto mais o automobilismo se distanciar do que o expectador tem em suas mãos, maior será o desinteresse dele em acompanhá-lo.

E se a Fórmula Indy olhar para o seu próprio passado, verá que um dos maiores gênios do automobilismo já criou uma grande revolução no modo dos americanos conceberem seus carros de corrida, sem que, para isso, descaracterizassem o esporte.

Colin Chapman pode ter mostrado o caminho no final da década de 60. Ele, construtor de carros de corridas na Europa, ao ver o quanto o automobilismo americano estava atrasado, resolveu ganhar uns dólares extras vencendo as 500 Milhas de Indianápolis. Após algumas tentativas, sempre com carros mais avançados que o dos americanos, finalmente levou a prova em 1965 com o Lotus 38.

Em 1967, vendo futuro em um projeto que utilizava a turbina de helicópteros, Chapman começou a desenvolver o seu revolucionário Lotus 56, com frente em cunha, por não precisar de refrigeração, e aproximadamente 450 hp de potência, despejados ao solo através de uma não menos revolucionaria tração nas quatro rodas. Era um carro diferente de tudo que corria na sua época, sem para isso, deixar de ser um carro.

O  Lotus 56 não teve um bom desenvolvimento nos testes, acidentes cobraram a vida de pilotos e frearam as melhorias, mas dos três carros que alinharam em Indianápolis, um disputou a liderança da corrida, perdendo por problemas mecânicos durante uma bandeira amarela .

O Lotus 56 ainda evoluiu, surgindo em 1971 na versão “B“ para os circuitos europeus da Fórmula 1. Mas eram muito rápidos e não contavam com a possibilidade de freio motor, logo, os deficientes freios da época ficavam sobrecarregados e para pará-lo, como disse Fittipaldi, era um Deus nos acuda.

Da evolução do projeto do Lotus 56 surgiu o Lotus 72, carro que teve uma longa e vencedora trajetória, frequentando os grids na primeira metade da década de 70.

Penso que Chapman mostrou o caminho aos americanos, na casa deles, no final da década de 60. Acompanhei as propostas das concorrentes que desejam fornecer o novo chassi da Indy, algumas revolucionárias, mas coerentes com um esporte de gente que se aperfeiçoa no kart e nas categorias de acesso para tentar brilhar na Indy, e de lá partir para a categoria máxima do automobilismo, a Fórmula 1. Pelo menos assim deveria ser.

O projeto esdrúxulo da Delta Wing isolaria a Indy no mundo dela, aumentaria a popularidade da Nascar,  exterminaria de vez os pilotos de fórmulas daquele país e, mataria, claro, o nosso bravo e sumido canadense de desgosto.

Bibliografia e apoio para este post:

http://continental-circus.blogspot.com/

http://colunistas.ig.com.br/victormartins/ , pela atenção e por toda a força dada. Atenção, Pirituba e Campo de Marte!

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