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Posts Tagged ‘James Hunt’

A hora do Rush

Algumas semanas atrás (14/09), fui conferir “Rush” no cinema.

A minha expectativa em relação a este filme nasceu muito antes, quando começaram a pintar num fórum da AutoSport os primeiros boatos e imagens do projeto. Conferindo a evolução e os comentários percebi que não se tratava de um documentário, mas de um romance costurado ao enredo real vivido naquele ano dentro da Fórmula 1.

Tendo essa noção do que encontraria na telona, tudo o que o diretor Ron Howard me ofertou foi pura satisfação. Não vou resenhá-lo, prefiro indicar um belo texto publicado pelo Rodrigo Mattar em seu blog. Quero, sim, registrar um momento surgido em decorrência do filme: dia desses, na minha ida para a faculdade, um grupo de mulheres discutia a trama (trabalho dos atores, roupas, os perigos desse esporte naqueles tempos e principalmente a saga dos dois pilotos), e eu escutava tudo de orelha em pé, logo atrás.

Aí se encontra o que eu mais destaco nesse belo trabalho que fez Ron Howard, o trato dado por ele aos personagens que recheiam esse esporte. Assim como visto antes no medo da morte que McQueen enfrenta em Mans, ou na pegadinha que a equipe da Nascar aplica no jovem piloto de Dias de Trovão, é o jogo humano e emocional vivido entre romanceados Lauda e Hunt que dá cor ao filme – abrindo a porta para uma nova geração de expectadores e admiradores, lembrando que diferentes e ricas personalidades vencem ou perdem junto dos seus carros.

O filme é lindo, capricha no enlace entre imagens de época e refilmagens. Ele renova, e de certa forma também explica, o interesse que desperta o automobilismo.

Obrigado, Ron.

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Tooned James Hunt

A animação dos carrinhos em Mônaco ficou lindona!

Lembrando que dia 13 de setembro RUSH chega aos nossos cinemas, em Porto Alegre pela rede GNC.

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Esse é pra ter em dvd, na sua coleção pessoal.

Rush tá nascendo caprichado, Ron Howard completamente atento aos detalhes. Que venha logo!

Curtam o trailer e alguns takes extras, é tudo demais.

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Na efervescente Inglaterra da década de 60, romper de forma juvenil aos padrões que a sociedade impunha significava entrar para o time liderado por Brian Epstein. Jovens do sexo masculino, espelhando-se nas capas dos vários singles lançados pelo quarteto mágico, gastavam horas ao espelho, munidos de uma tesoura, até alcançarem um perfeito penteado Beatle.  Apenas assim eles teriam a atenção das garotas que gastavam por sua vez horas decorando letras do Please Please Me, sonhando com o nariz do Ringo e ensaiando os berros que usualmente chegavam antes dos Beatles, onde quer que eles fossem.

Todos queriam ser o quinto Beatle!

E ele surgiu naturalmente no futebol inglês. Irlandês, para ser mais preciso.

O meu ídolo no mundo das quatro linhas era um meia ousado, rápido, driblador e carismático. Jogador de um dos times mais populares da Inglaterra, o Manchester United.  George Best tinha todas as características de uma estrela inglesa, era boa pinta, irreverente, diferenciado no que fazia, possuía o indefectível cabelo Beatle, que ao passar dos anos cresceu para os ombros, como cresceram as barbas, e os abusos…

O maior ídolo da torcida dos Red Devils nunca teve uma postura de atleta. O seu talento para se destacar dentro de uma partida de futebol era proporcional ao número de mulheres que o acompanhavam e ao consumo de bebida fora dele. E como se destacava em campo!

Boêmio convicto, Best seguidamente não comparecia ou se atrasava aos treinos, mas compensava com arrancadas que levantavam a torcida e aterrorizavam os marcadores.

“Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”

O alcoolismo matou George Best, mas enquanto teve saúde para jogar, seu talento se destacava frente aos demais.

A categoria máxima do automobilismo tem um passado recheado de histórias e heróis. Costumamos chamar de “fase romântica“  a época em que tudo que hoje seria absurdamente perigoso e inconcebível acontecia.  E eram tempos maravilhosos esses onde charutinhos cravejados de rebites desafiavam cortantes guard rails. Onde depois inventivos garagistas procuravam o caminho da inovação ao invés da imitação, criando coloridos e heterogêneos carros em grids de corridas que fizeram o esporte ganhar dimensão mundial. E onde os riscos e as perdas fizeram o bom senso buscar diminuir as chances de algo errado acontecer nesse esporte.

Um dos últimos expoentes da fase romântica da Fórmula 1 era um típico ídolo inglês da década de 70.

Com o som e a atenção de George Harrison, Lauda e Fittipaldi viram esse inglês cabeludo vencer o campeonato de 1976 e freqüentar o paddock mantendo um estilo de vida similar ao do quinto Beatle Irlandês que já não brilhava tanto nos campos ingleses.

James Hunt era mulherengo, fumante não apenas de cigarros, gostava de festas e bebidas. Tal como Best, ele chegou à condição de ídolo admirado pelo seu talento durante o exercício da sua profissão, independente de ser ou não modelo de comportamento.

Não vejo o esporte apenas como ferramenta de desenvolvimento e modelo para a juventude, pelo menos não quando excessivamente unido ao politicamente correto.  Mais do que isso, tenho um atleta como um ser humano buscando superar seus concorrentes e seus limites próprios, mas não deixando de ser um ser humano, como eu.  Acho falso e irritante querer que os expectadores e consumidores se identifiquem com pessoas sem defeitos, sem vícios, com máquinas de treinar e vender produtos na televisão.  Não somos e nunca seremos assim.

Claro que tenho uma capacidade muito maior do que um pré-adolescente buscando referenciais em diferenciar o que prejudica uma pessoa em sua vida, mas os atletas que são coerentes com as suas personalidades e as expõem de forma honesta, conquistando seu espaço frente aos demais pelo talento acompanhado da figura humana, sempre me serão mais interessantes que os enlatados e insossos preferidos da mídia e dos patrocinadores.

A importância de seguir a cartilha que dita às relações com os patrocinadores tem tirado dos atletas a espontaneidade frente às câmeras, criando uma relação falsa do fã com seu ídolo. Deve ser sempre um desconforto querer regrar a personalidade perfeita do esportista padrão quando aparecem anti-heróis que cativam e se destacam, sem que para isso deixem de mostrar a pessoa que brilhou pelo talento antes que por sua imagem e/ou comportamento.

Talvez por isso eu tenha lamentado tanto a saída de Kimi Raikkonen do esporte que aprendi a amar olhando para o seu passado. Kimi, além de ser um dos melhores pilotos quando nos seus dias, é dono de um impagável mau humor, personalidade forte e não disfarça a sua atração por bebidas destiladas. Kimi se destaca nesse mundo, ele fará falta dentro e fora das pistas da Fórmula 1.

George Best era o quinto Beatle, Kimi Raikkonen corre com o pseudônimo de James Hunt, que George Harrison adorava; todos especiais, únicos e marcantes.

Meus ídolos, apesar de imperfeitos.

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