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Posts Tagged ‘JR Hildebrand’

Povos de outros tempos deixaram marcas ainda presentes nos dias atuais, mas infelizmente grande parte de suas crenças e costumes seja hoje desconhecida, principalmente por nós ocidentais.

Há 5.000 anos o mundo era diferente, menor. A percepção do cotidiano por parte dos indivíduos, e a sua religiosidade, também. A história era vista de forma cíclica e não linear, como num círculo, num traçado oval, as coisas retornariam na manhã seguinte para o ponto de partida.

Aquelas sociedades, lideradas por reis-sacerdotes, temiam a perda da manutenção da ordem dos acontecimentos e utilizavam-se das relações com um panteão de deuses para explicar o inexplicável – catástrofes, pragas, doenças, desastres. Sumérios, acádios e babilônicos tinham os seus, cada um representando um evento da natureza, das relações humanas e das suas atividades:

Enlil, senhor dos ventos, próximo a Abad, deus das tempestades; Samash, deus solar; Zabada, deus guerreiro, submisso a  Ishtar – deusa da fertilidade e da guerra; alguns nomes dentro de toda uma mitologia criada para explicar os mistérios que cercam tudo o que acontece no mundo.

Talvez JR Hildebrand, pobre JR Hildebrand, tenha sido neste último final de semana mais do que um infeliz acidentado. Talvez ele seja um escolhido. Instrumento de uma manifestação cruel de um esquecido Enlil, que escolheu um evento cíclico para demonstrar seu descontentamento. As coisas estão muito diferentes de 5.000 anos atrás, Enlil deve estar inconformado com o ostracismo.

Ou talvez JR Hildebrand, pobre JR Hildebrand, que tinha nas mãos a vitória da centésima edição de uma das provas automobilísticas mais importantes no panteão das provas automobilísticas do mundo conhecido. Que bateu na última curva, cruzando depois os ladrilhos da vitória aos trancos e barrancos, sendo ultrapassado nos últimos metros por um afortunado Wheldon… Talvez, sei lá, ele tenha profanado um zigurate, tirado uma lasca do Código de Hamurábi, esquecido a Porta de Ishtar aberta num dia frio e irritado a deusa do amor. Quem sabe ele não tirou uma onda da tiara de chifres que Naram-sin usa nas suas representações?

Algo inexplicável aconteceu e nem a mitologia dá conta. O automobilismo é fascinante.

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