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Posts Tagged ‘Kubrick’

Nesta quarta-feira a Virgin Racing tornou-se a primeira dentre as quatro equipes novas da Fórmula 1 a apresentar seu carro para a temporada de 2010. A equipe, que se destaca pelo apelo jovem como ferramenta de marketing, mostrou, de fato, o que deve estar entre as mais bonitas e agressivas pinturas da temporada, que dará cores a um projeto feito de modo rápido e limpo, sob a prancheta de um software, totalmente no campo virtual.

E justamente essa obsessão em ligar o moderno ao virtual pregou uma peça numa empresa que tem o dinamismo na comunicação como uma de suas bandeiras.

Ao criar o clima de time roqueiro durante a apresentação dos pilotos, ela trouxe junto uma singular expectativa em torno de como seria a primeira aparição do seu carro. Talvez um show de luzes e fumaça, talvez um Steppenwolf ácido e distorcido sonorizando o retirar dos panos, ou por que não um clima intimista, acústico, enquanto os pilotos com as suas jaquetas de couro posariam para os flashes dos fotógrafos e responderiam aos jornalistas presentes.

A Virgin Racing poderia facilmente seguir se destacando apenas sendo coerente com a sua imagem, mas optou por imitar os outros times nesta insossa nova mania de apresentar as suas novidades através do distante e frio youtube-streaming jeito de aparecer. E a informática que tanto ajudou na hora de projetar o carro, falhou na de vender o peixe.

Genioso,  Hal decidiu que não haveria modernoso carro novo em real time, mas não avisou ninguém, nem mesmo ao chefe Sir Richard Branson, que naquele momento deveria estar olhando atônito para seu net book, sem compreender porque o mundo não via o seu carro novo. E viu, com uma hora de atraso, após Hal liberar o brinquedo, certamente feliz pela traquinagem feita.

Esse baita mico escancarou o quão irônica é a vida do ser humano que tanto investe na sua formação com tempo e dinheiro, buscando ter a sua independência, mas sempre vinculando a sua evolução à criação e/ou busca por novos meios de ter o seu dia-a-dia cada vez mais dependente da informatização.

Ao longo dos anos, ciclicamente, tudo que se aproxima do exagero é repensado e acaba por virar motivo de chacota ou arrependimento. Passe os olhos em fotos antigas de sua família, as capas de discos de 20 anos atrás, note os cromados e rabos de peixe dos veículos americanos da década de 50, os penteados e roupas, cada época teve o seu modismo e quase todos foram enterrados na vala comum do exagerado, mas com a informatização isso parece que não ocorrerá, pois, infelizmente, o ser humano a reinventa durante cada novo lançamento, aumentando a teia que o prende.

Bem fez Frank Williams que pensou: Somos uma equipe de corridas, nosso foco não é o youtube.

Por certo, o clássico mecanismo da porta dos boxes do circuito de Valência dificilmente deixaria de funcionar a contento, o som do novo Ford V8 não teria acústica melhor em nenhum outro lugar senão dentro de uma apertada garagem;  e dessa garagem partiu a nova e real Williams FW32  em busca de asfalto e quilometragem, deixando o seu cheiro de combustível e algum movimento no ar.

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