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Posts Tagged ‘nurburgring’

Termino a pequena série sobre as minhas duas pistas preferidas passeando pelos quase 22 km de desafios chamado Nurburgring- Nordschleife, o inferno verde.

Nurburgring surgiu em 1927 através da união de trilhas existentes no solo germânico com a finalidade de ser além de uma moderna e veloz pista de corridas também um campo de provas para os carros de passeio dos fabricantes alemães. Para tal, os responsáveis pela obra não abriram mão do relevo original, mantendo as subidas e descidas que criaram curvas cegas e saltos, levando os carros a situações extremas e tirando o sono dos pilotos.

O circuito era constituído de um extenso e desafiador anel norte (Nordschleife), utilizado nas corridas principais e por um traçado mais convencional chamado anel sul (Sudschleife) utilizado principalmente em corridas de motocicleta.

Mas foi mesmo Nordschleife que fez a fama de Nurburgring. Através dos seus quase 22 km de extensão o anel norte acompanhou a evolução do automobilismo até que essa evolução já não mais o tivesse como um sítio viável. Na medida em que a velocidade aumentava, a pista ficava mais estreita e temerária.

No ano de 1971 ele foi completamente recapado, ganhou áreas de escape no lugar de cercas de madeira, melhores guard-rails, árvores dos arredores foram cortadas e zebras instaladas, mas as grandes distâncias a serem percorridas ainda dificultavam o pronto atendimento aos pilotos acidentados e complicavam a transmissão das emissoras de televisão.

Dos heróis que viveram a época de ouro da Fórmula 1 dois pilotos estão diretamente ligados ao anel norte: Jackie Stewart e Niki Lauda.

Stewart obteve uma vitória épica no ano de 1968 a bordo de seu Matra. Neste ano a corrida teve uma chuva fortíssima (devido ao seu comprimento eram comuns diferenças climáticas em uma mesma volta). Este temporal transformou o inferno verde numa montanha russa de aquaplanagens iminentes nas partes baixas e forte nevoeiro nas altas. Sob estas condições altamente impróprias ele cruzou a linha de chegada 4 segundos na frente de Grahan Hill e seu superior Lotus, dando ao escocês voador, vice-campeão da temporada de 1968, que já tinha fama de ter facilidade para memorizar as 172 curvas o respeito pela sua coragem e condução em pista molhada.

Niki Lauda leva no rosto as marcas de Nordschleife. Nele sofreu em 1976 um acidente com a sua Ferrari que resultou em forte incêndio. O socorro demorou e ao chegar uma Porche Carrera adaptada para enfrentar pequenos incêndios tentava combater as chamas enquanto três pilotos, Harald Ertl, Guy Edwards e Arturo Merzario combatiam as chamas com extintores e ajudavam a remover niki dos destroços. A balaclava não impediu o fogo de atingir o rosto de Lauda, provocando fortes queimaduras. Milagrosamente um mês e meio depois desta quase tragédia ele retorna as pistas após se recusar a fazer uma cirurgia plástica.

Desde então o anel norte foi destinado a categorias menores do automobilismo e aos track days. O mesmo traçado que o automobilismo por anos teve como seu maior desafio, onde tanques americanos andaram na segunda guerra mundial e que os alemães têm orgulhosamente como a pista onde apenas os melhores se destacam sobreviveu intacta a evolução do esporte e suas emoções podem ser revividas por motoristas que pagam para andar com seus carros de rua no circuito fechado.

Termino o post dando uma palhinha de como seria ter esse circuito hoje no calendário da Formula 1moderna. Uma volta On Board com Nick Heidfeld e seu BMW através das curvas, subidas e descidas que fizeram história. Em nenhum momento o carro é acelerado a pleno, o carrossel é feito sem tangência e mesmo na condição de passeio, a pista se revela muito desafiadora.

Um dia em Nordschleife ao volante de qualquer carro deste mundo, é tudo que eu peço. E ele não precisa ser veloz, quero poder ler os tradicionais escritos dos entusiastas no asfalto (Lauda’s turn , death carroussel, stairway to heaven…), me surpreender com curvas cegas aparecendo, subir e descer colinas acompanhando a paisagem e procurar marcas nos guard-rails feitas pelos mais afoitos…

…eu sei que quero muito dessa vida!

Fontes de pesquisa para este post:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Página_principal

http://www2.uol.com.br/bestcars/bestcars.htm

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Atualmente tem sido um tanto enfadonho assistir algumas corridas em pistas que não favorecem em nada as ultrapassagens, transformando às duas horas na frente da televisão numa entediante contemplação de uma fila indiana de carros que se ultrapassam apenas em paradas nos boxes, quebras ou erros de pilotos provavelmente tão entediados quanto você. Contra tudo isso chega um pacote de novas regras para 2010, mas em determinadas pistas simplesmente não há o que fazer.

Tenho como um dos meus passatempos garimpar vídeos da F1 antiga – principalmente da década de 60 – no youtube e espero sempre encontrar um novo nos blogs que acompanho.  Sempre é uma aula de destreza e bravura ver os velozes e temerários ‘’charutinhos’’ cortando retas estreitas, jogando suas traseiras em curvas cegas e enfrentando os aclives e declives em estradas com árvores, animais, pessoas e tudo mais que poderia causar uma tragédia nos seus arredores;  infelizmente elas aconteciam.

Neste passeio via streaming por uma época que já não existe mais conheci algumas pistas que me tiraram o fôlego: Spa, a maluca AVUS, Rouen, Zolder com suas subidas e descidas,o traçado antigo de Interlagos, Laguna Seca que felizmente sobrevive….mas nenhuma me despertou tanta curiosidade quanto o antigo traçado misto com oval de Monza e os mais de 20 km de desafios em Nurburgring-Nordschleife.

Uma pista veloz ligada a um circuito oval com curvas inclinadas em 35 graus é o sonho de qualquer adolescente jogador de Gran Turismo, mas nas décadas de 50 e 60 a formatação para altíssimas velocidades da pista devia causar calafrios em quem enfrentava o asfalto do templo italiano da velocidade. Durante o filme Grand Prix é possível se ter a real sensação de como era desafiante a transição do plano reto para o inclinado e confusa a passagem pela reta principal que não tinha divisão e abrigava seis pistas (hoje ficam os boxes nas três internas).

Esses elementos formavam um cenário de sonho,  inimaginável nos dias hoje. Infelizmente a parte oval foi desativada por questões ambientais, mas suas ruínas estão preservadas e são muito visitadas. Lá, como aqui em Interlagos existe uma corrente que tenta a restauração do traçado antigo, infelizmente algo praticamente inviável.

Eu penso como deve ser manter um ritmo forte e constante num circuito imenso e repleto de desafios. Concluo que Jackie Stewart foi um escocês iluminado. Esse camarada sabia como poucos memorizar o traçado e se manter rápido sobre ele. Composta de muitas curvas (172 para ser mais preciso), saltos e até cotovelos inclinados apelidados de carrosséis, o inferno verde foi o maior desafio imposto aos pilotos da Fórmula 1.

Devido às dificuldades de socorro aos acidentados e as transmissões para televisão, a corrida foi transferida para um circuito convencional, mas as desafiadoras curvas dos vales germânicos podem ser desbravadas em track days, onde o tráfego é interrompido e um pouco desta época revivida.

A evolução e os aprimoramentos moldam as coisas para os padrões de seu tempo, mas nunca conseguirão retirar o saudosismo de quem viveu ou gostaria de ter vivido a época de ouro da Fórmula 1. Ou alguém prefere a cena abaixo?

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