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Posts Tagged ‘projetos’

A Fórmula 1 é fascinante!

Em 1984 a Tyrrel corria com o carro abaixo:

tyrrel012_1984

Esse é o Tyrrel 012, sendo conduzido por Stefan Johansson – dono de um dos capacetes mais legais que já pintaram por aí.

O “formato de caça F14” é bem parecido com o que a Brabhan usou no BT52 do ano anterior (1983).

Daí no final de julho, em testes na pista de Zandvoort, a Tyrrel aparece com as novidades abaixo:

TyrrelTest21984

TyrrelTest1984

O carro que Stefan Bellof guiou nesse teste trazia inovações na traseira.

O formato Coca-Cola, que deixava a bunda do carro mais presa ao chão, faria sucesso na McLaren MP4/2 e chegaria ao título de 1985 nas mãos de Alain Prost.

(Sobre essa cria de John Barnard, escrevi um post bem legal que vai nesse link.)

McLaren MP4 2

Tecnologia que vai e vem, espionagens e parcerias.

Curiosidades que me deixam curioso.

Quem souber mais sobre o projetista da Tyrrel e do trabalho feito por ele ao longo da temporada de 1984, se apresente.

Fonte: Forum do http://www.autosport.com/

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Nos últimos dias venho bolando um projeto de vida que vai me exigir muito esforço, dedicação e um comprometimento que eu nunca tive com coisa alguma durante a minha já não tão curta existência.

O objetivo buscado, a linha traçada até ele e o modo como se vai percorrer este caminho é quase um projeto de engenharia. Frio, pensado, rascunhado e finalmente colocado em prática.

Claro que tudo fica mais fácil quando se tem a certeza de que é este o rumo certo a ser tomado. Tendo esta certeza, o fator que vai determinar se tudo ocorrerá de acordo com os planos passará a ser a determinação, ela que não deixará o ânimo cair quando as coisas que abrimos mão resolverem fazer falta no nosso dia-a-dia.

Em raríssimas exceções os grandes objetivos são alcançados em nossas vidas sem que esse caminho seja percorrido, e por isso quando conquistados, eles são tão valorizados. Minha luta para o mês de Julho em diante será solitária e bonita. Tudo que depender do meu esforço será feito.

Ao longo da semana, durante o meu “estudo de caso” particular, por diversos momentos me desliguei do que estava fazendo pensando nos pontos fortes e fracos do que defini como meta e caminho.

E numa noite em que revisitava os arquivos do Blog do Saloma, grande fonte de informações, me deparei novamente com as fotos de um protótipo muito particular, e dessa vez a luta de seu idealizador Bica Votnamis, para materializar seu sonho, me foi mais forte do que à surpresa que as linhas inusitadas do Caçador de Estrelas  me proporcionaram tempos atrás, quando pela primeira vez o vi em algum blog.

Nascido na Romênia, Bica desembarcou no Brasil em 1954, com seus então onze anos de idade. Fugindo das dificuldades do pós-guerra, sua família se instalou em São Paulo, e lá Bica tomou gosto pela mecânica, trabalhando na oficina montada por seu pai.

Com vinte anos começou a participar de corridas numa época em que o automobilismo nacional explodia. O ano de 1964, época em que as Mil Milhas não estavam sendo realizadas devido a disputas políticas, foi o ponto de partida para a carreira de Bica.

Após um ano de estréia sem grandes resultados, participa da prova que marcou o reinício das Mil Milhas em 1965, fazendo dupla com Caetano Damiani, a bordo de uma carretera Chevrolet com motor Corvette. Tiveram um ótimo desempenho, perdendo a vitória devido a um problema na embreagem do seu carro, mas chegando mesmo assim na segunda colocação.

No ano seguinte correu com uma já ultrapassada carreteira feita por ele, tendo como base um Obsmobile. Vale lembrar que em 1966 a incrível carretera n˚18 de Camillo Christófaro venceu esta prova, mas o fez de forma heróica. Os modernos DKW Malzoni, Karmann-Guia Porche, Simca e Alpine já mostravam qual era a tendência para os próximos anos.

E talvez por hoje compreender o contexto que era então vivido, que a luta de Bica para colocar o projeto dos seus sonhos nas pistas tenha me chamado tanto a atenção nesta semana.

Sabendo que os próximos anos seriam de mudanças, Bica rascunhou com giz na parede de sua oficina um projeto futurista que deixaria qualquer entendido da época descrente. Inspirado no caça aliado “Star Fighter”, da Lockheed. Era, em resumo, um chassis parecido com os fórmulas antigos, mas onde o piloto sentaria, ao invés de atrás do eixo traseiro, em uma espaçosa cabine à frente do dianteiro.

Objetivo traçado, Bica colocou a equipe de sua oficina aos trabalhos e, em apenas cinco meses, o projeto ganharia vida.

Sabendo que geraria comentários desmotivadores, Bica restringiu o acesso para a sua oficina somente aos amigos de confiança. Foi criado para o protótipo um chassis treliçado, nele repousaria uma carroceria de alumínio. O conjunto era impulsionado por um forte motor de Chevrolet derivado de um Corvette. A sua montagem no entre-eixos, o pouco comprimento e a suspensão independente nas quatro rodas mostram que Bica queria um carro capaz de ser rápido também no miolo de Interlagos.

O carro ficou pronto num tempo digno de aplausos, e causou as opiniões esperadas. Não me cabe analisar a qualidade do projeto, estou exaltando a garra e a perseverança com que ele foi alcançado.

E na edição de 1967 das Mil Milhas de Interlagos, prova que viu a estréia de uma equipe internacional, a Team Palma, vinda de Portugal com seus Porche e Lotus, que viu a estréia do Fitti-Porche e das vencedoras Berlinetas sob nova direção, o sonho de Bica foi interrompido por terceiros.

Fotografia de João Saboia

Embora tenha participado dos treinos iniciais, o carro não foi homologado pela direção da prova, que o riscou da lista de inscritos. E a decepção de não poder voar com seu protótipo de sonhos durante a prova, tendo apenas um volante quase horizontal e o pára-brisas à frente, deve ter sido enorme para Bica. Na mesma noite o Caçador de Estrelas era desmontado e sua mecânica transferida para uma carreteira, que por azar caiu da rampa de acesso a caçamba de um caminhão e avariada, também não correu.

Bica traçou depois outros vôos para a sua vida. Veio morar na minha Porto Alegre, por aqui fixou residência e trabalho. Construiu também mais dois protótipos, o Caçador II e o Caçador III, até sofrer, no ano 2000 um ataque cardíaco, aos 57 anos de idade no aeroporto Salgado Filho.

A história deste romeno batalhador, com seu pouco de loucura, me tocou. Tenho mais do que os cinco meses que ele precisou para transformar o meu sonho em realidade, e diferente de Bica, que teve seu tapete voador puxado, a minha luta não dependerá de terceiros para ser validada.

Espero ao final de tudo ser um vencedor, como foi Bica Votnamis, que já me serve de inspiração.

Bibliografia para este post:

http://www.bandeiraquadriculada.com.br

http://www.interney.net/blogs/saloma/

http://mestrejoca.blogspot.com/

http://pandinigp.blogspot.com/

http://mauriciomorais.blogspot.com/ foi o responsável pela criação do belo pôster que ilustra o post

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