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That Is All

“Eu senti cheiro de grama.”

Sir Jackie Stewart, em depoimento para o documentário sobre George Harrison que Martin Scorsese tirou da cartola – Living in the Material World – narra um pouco do transe em que se via durante algumas corridas.

Volante, motor, carro e piloto, fundiam-se no que Stewart explica como um estado onde os seus sentidos estavam hiper-aguçados. Relata:

“Meus sentidos estavam tão otimizados que na entrada da curva senti cheiro de grama – algo estava errado – e aliviei o pé do acelerador. Ao contorná-la, percebi um carro na área de escape.”

Era o solo de Something, feito por Stewart com seu F1.

Não é novidade, George acompanhava de perto a categoria. Fã de velocidade, amigo pessoal de caras como Fittipaldi, Hunt, Lauda, além de Stewart… & que também conheceu o mito abaixo.

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Matrimônio

Jackie Stewart guiando sua linda Matra

…menos de duas semanas para o fim do primeiro semestre na faculdade. Tá quase

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Eu não gosto nem um pouco de Robbie Williams, não tem como, um ex-integrante de boyband inglesa (Take That), que leva uma carreira solo de músicas enlatadas e de alfinetadas sem graça com os irmãos Gallagher, do Oasis.

Mas o cara soube ganhar muito dinheiro e, com uma fração dele, pode fazer um clipe onde acertaram muito a mão.

No vídeo de “Supreme” o canastrão fez algo que, em sonho, eu e muitos outros malucos por corridas vivemos imaginando. Andou com passe livre pelos boxes, convivendo com um clima mais amador do que vemos hoje, cruzando com mecânicos e pilotos, em algum lugar lá do começo dos anos 70. Graças a tecnologia ele ainda tirou casquinha de tietes à Brigitte Bardot, encarnando um piloto de ponta.

Mesmo misturando épocas, vemos Mônaco, Spa, Interlagos, Nurburgring, Waltkins Glen e mais alguns cenários que não reconheci. E tem ainda o grande Jackie Stewart de Matra enfrentando o fictício Bob Williams, piloto de uma espécie de Lotus, com uma espécie de Colin Chapman como chefe, ambos oponentes na disputa do título da temporada de mentirinha.

O maior barato esse clipe, Robbie Williams à parte.

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Uma das coisas que mais gosto de fazer ao ver vídeos da era romântica do automobilismo é reparar nas casas próximas à pista. Algumas dessas casas são tão marcantes que até viraram nome de trechos, como Maison Blanche no Circuíto de La Sarthe, palco das 24 horas de Le Mans; o ponto de referência é assim incorporado ao traçado.

Essas casas, com suas varandas e janelas, presenciaram o nascimento e desenvolvimento do esporte a motor.  Tudo aconteceu porque muito antes do arquiteto Tilke dar traços aos circuitos ultramodernos, muitas vezes chegando a um resultado sem sal algum, entusiastas ligaram estradas das suas localidades, que corriam de forma natural sobre o relevo da região, para então nelas exigir tudo de seus automóveis.

Nos bosques belgas, numa região de muitas colinas e construções com influência holandesa, situa-se um circuito famoso por suas curvas e paisagens. Trata-se do belo e desafiador Spa-Francorchamps, palco de corridas de Grand Prix já na década de 20, e presente na primeira temporada da Fórmula 1 nos anos 50.

Seu traçado original espalhava-se de forma triangular pelo terreno, numa extensão de 14, 120 quilômetros. Esse trajeto foi idealizado por Jules de Their e Henri Langlois Van Ophem, utilizando as estradas que uniam Malmedy, Stavelot e Francorchamps. Essa pista foi inaugurada em 1922 e já em 1925 ocorria a primeira edição das 24 horas de Francorchamps.

A pista combinava curvas de alta, subidas e descidas, com apenas uma curva de lenta, a La Source, um cotovelo que marca o inicio do percurso. Após a La Source, temos a incrível Eau Rouge, curva única criada em 1939 para desafiar os pilotos e carros, antes de uma sequência de curvas e retas, que deixavam a volta com uma alta média horária, até encontrar novamente a La Source, após os aproximadamente 14 quilômetros percorridos.

Spa sempre teve muitas semelhanças com Nurburgring. O trajeto longo e desafiador, a paralisação durante o período da Segunda Guerra Mundial, as mudanças climáticas constantes, por vezes até mesmo tempo seco e chuvoso na mesma volta, e a ocorrência de acidentes tanto violentos quanto fatais.

Nos primórdios, talvez devido à tecnologia da época, os acidentes não foram graves, mas com o aperfeiçoamento dos carros ao longo dos anos a coisa virou. No ano de 1960 houve em Spa uma das etapas mais negras da história do automobilismo, com eventos graves que  vitimaram os pilotos Chris Bristow e Alan Stacey, também Stirling Moss se acidentou, quebrando as suas duas pernas e escapando milagrosamente da morte.

Em Spa ocorreu também o maior susto da vida de Jackie Stewart. O escocês aquaplanou com seu BRM na chuva de 1966 e bateu forte, ficando preso nas ferragens, ensopado de gasolina. Por sorte o pior não aconteceu, mas este susto foi responsável pela cruzada de Stewart por mais segurança nas pistas e ao posterior boicote ao traçado antigo por parte dos pilotos.

Mas o belo circuito também foi palco de grandes momentos. As disputas de Fangio, Farina e Ascari com suas Mercedes, Lancia e Ferrari, na década de 50, criaram uma legião de apreciadores do esporte. Na década seguinte a história seguiu com G. Hill, J. Clark, P. Hill, Gurney, Bruce McLaren…heróis que vivenciaram o aumento da velocidade e dos perigos, sempre levando seus Ferrari, Cooper, BRM, Lotus, Eagle e outros “charutinhos” da forma mais veloz ao longo caminho asfaltado que dificilmente acompanharia a evolução dos carros.

Spa se afastou da Fórmula 1 em 1970, para voltar ao calendário, reformada, em 1983. Agora com metade da extensão original, mais seguro e igualmente desafiador. Principalmente por ter preservado os 3 quilômetros iniciais, ela recebia os velozes carros da era turbo, que cruzavam então as míticas La Source, Eau Rouge, Raidillon, e despencavam 2,5 quilômetros morro abaixo, entre as curvas Rivage e Stavelot.

Assim, muitas daquelas casas voltavam a ter nas suas proximidades o movimento dos carros de corrida, que reencontravam o cenário que levou Spa-Francorchamps a ser um dos mais tradicionais circuitos do mundo.

Autódromos com essa tradição devem ser preservados, mesmo que a evolução leve a procura por circuitos menos cativantes. Ocorrendo isto, quando olharmos para o passado, as curvas e os perigos de outrora ainda estarão disponíveis, com suas histórias e lendas.

Muito foi perdido com o passar dos anos em outros locais importantes. Existem hoje apenas lembranças das curvas inclinadas de Avus, em Berlim, e Brooklands,na Inglaterra, por exemplo. Outros trechos foram apenas deixados de lado, ainda podem ser recuperados, como o anel externo e a parte antiga de Interlagos, mesmo assim termos Spa-Francorchamps ainda no calendário da Fórmula 1, juntamente de Monza, Mônaco e Silverstone,  é uma vitória para quem conhece a história deste esporte.

Bibliografia para este post:

http://www.downforcef1.wordpress.com

http://www.pt.wikipedia.org

http://www.mundo-rolamentos.blogspot.com

Você também pode gostar de:

Avus, em Berlim

Mônaco e sua história

Nurburgring- Nordschleife , o Inferno Verde

Monza na sua versão mais veloz e perigosa

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Termino a pequena série sobre as minhas duas pistas preferidas passeando pelos quase 22 km de desafios chamado Nurburgring- Nordschleife, o inferno verde.

Nurburgring surgiu em 1927 através da união de trilhas existentes no solo germânico com a finalidade de ser além de uma moderna e veloz pista de corridas também um campo de provas para os carros de passeio dos fabricantes alemães. Para tal, os responsáveis pela obra não abriram mão do relevo original, mantendo as subidas e descidas que criaram curvas cegas e saltos, levando os carros a situações extremas e tirando o sono dos pilotos.

O circuito era constituído de um extenso e desafiador anel norte (Nordschleife), utilizado nas corridas principais e por um traçado mais convencional chamado anel sul (Sudschleife) utilizado principalmente em corridas de motocicleta.

Mas foi mesmo Nordschleife que fez a fama de Nurburgring. Através dos seus quase 22 km de extensão o anel norte acompanhou a evolução do automobilismo até que essa evolução já não mais o tivesse como um sítio viável. Na medida em que a velocidade aumentava, a pista ficava mais estreita e temerária.

No ano de 1971 ele foi completamente recapado, ganhou áreas de escape no lugar de cercas de madeira, melhores guard-rails, árvores dos arredores foram cortadas e zebras instaladas, mas as grandes distâncias a serem percorridas ainda dificultavam o pronto atendimento aos pilotos acidentados e complicavam a transmissão das emissoras de televisão.

Dos heróis que viveram a época de ouro da Fórmula 1 dois pilotos estão diretamente ligados ao anel norte: Jackie Stewart e Niki Lauda.

Stewart obteve uma vitória épica no ano de 1968 a bordo de seu Matra. Neste ano a corrida teve uma chuva fortíssima (devido ao seu comprimento eram comuns diferenças climáticas em uma mesma volta). Este temporal transformou o inferno verde numa montanha russa de aquaplanagens iminentes nas partes baixas e forte nevoeiro nas altas. Sob estas condições altamente impróprias ele cruzou a linha de chegada 4 segundos na frente de Grahan Hill e seu superior Lotus, dando ao escocês voador, vice-campeão da temporada de 1968, que já tinha fama de ter facilidade para memorizar as 172 curvas o respeito pela sua coragem e condução em pista molhada.

Niki Lauda leva no rosto as marcas de Nordschleife. Nele sofreu em 1976 um acidente com a sua Ferrari que resultou em forte incêndio. O socorro demorou e ao chegar uma Porche Carrera adaptada para enfrentar pequenos incêndios tentava combater as chamas enquanto três pilotos, Harald Ertl, Guy Edwards e Arturo Merzario combatiam as chamas com extintores e ajudavam a remover niki dos destroços. A balaclava não impediu o fogo de atingir o rosto de Lauda, provocando fortes queimaduras. Milagrosamente um mês e meio depois desta quase tragédia ele retorna as pistas após se recusar a fazer uma cirurgia plástica.

Desde então o anel norte foi destinado a categorias menores do automobilismo e aos track days. O mesmo traçado que o automobilismo por anos teve como seu maior desafio, onde tanques americanos andaram na segunda guerra mundial e que os alemães têm orgulhosamente como a pista onde apenas os melhores se destacam sobreviveu intacta a evolução do esporte e suas emoções podem ser revividas por motoristas que pagam para andar com seus carros de rua no circuito fechado.

Termino o post dando uma palhinha de como seria ter esse circuito hoje no calendário da Formula 1moderna. Uma volta On Board com Nick Heidfeld e seu BMW através das curvas, subidas e descidas que fizeram história. Em nenhum momento o carro é acelerado a pleno, o carrossel é feito sem tangência e mesmo na condição de passeio, a pista se revela muito desafiadora.

Um dia em Nordschleife ao volante de qualquer carro deste mundo, é tudo que eu peço. E ele não precisa ser veloz, quero poder ler os tradicionais escritos dos entusiastas no asfalto (Lauda’s turn , death carroussel, stairway to heaven…), me surpreender com curvas cegas aparecendo, subir e descer colinas acompanhando a paisagem e procurar marcas nos guard-rails feitas pelos mais afoitos…

…eu sei que quero muito dessa vida!

Fontes de pesquisa para este post:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Página_principal

http://www2.uol.com.br/bestcars/bestcars.htm

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