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Posts Tagged ‘Tarumã’

9 horas de Tarumã

Acorda.  Vamos pra Tarumã, tem 12 horas.

Ah, mas eu estou encerado.  Em mil novecentos e setenta e dois foi uma poeira dos infernos, nunca esquecerei.

Lá tem um DKW vermelho

Tô dentro, ele disse.

E lá fomos nós dois – eu e meu VW sedan 1969 – para Tarumã.

Cheguei ao Templo às 16 horas. Tempo de ver arrancadas, conhecer pessoas, ver as incríveis baterias da Classic e de beber.  E bebi…

Dentre as provas tradicionais restantes em nosso país, 12 horas de Tarumã figura com propriedade. Entre 1962 e 1968 nas ruas da zona sul de Porto Alegre, a partir de 1971 em Tarumã.

…segui bebendo até a hora da largada. Público em peso, clima lindo. Vi o alinhamento à Mans, a volta de apresentação, largada lançada e corrida. Logo percebi que a prova seguia formal na pista, mas no entorno o clima era de celebração e confraternização – automobilismo de verdade.

Valeu muito a pena.

Dormi no banco traseiro do fusquinha até o sol me acordar, às 09 horas ia para casa com uma dor infernal na cabeça.

No próximo ano termino as 12 horas de Tarumã – levarei barraca.

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Neste final de semana houve a Tradicional 12 Horas de Tarumã e,  antes como abertura, as duas baterias finais da temporada da Copa Classic RS.

Farei um post com calma, mas antes tenho que compartilhar uma foto sortuda tirada do meu celular: Na segunda bateria da Classic, Senhor Feoli, matando a saudade das corridas de DKW, vinha escalando o pelotão até pegar óleo e sair…Não sem antes passar a carretera do Ratão na frente de todo mundo.

(O grid da nossa copa de clássicos regional é algo um tanto especial)

Que venha 2012.

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Cavalo de campanha

Um dos carros mais simpáticos e interessantes que andam frequentando as pistas dos autódromos gaúchos, nesse ano de 2011, é o Corcel I de Fernando Lenke.

No último final de semana tive o prazer de acompanhar, em Tarumã, a terceira etapa da Copa Classic Gaúcha. Ao chegar nos boxes e ver o Corcelzinho estacionado lembrei, de cara, que em 1968 Bird Clemente e José Carlos Pace utilizaram um no último ano de corridas de rua na capital, as 12 Horas de Porto Alegre – Circuito Cavalhada-Vila Nova. Com um modelo 4 portas deram trabalho ao Fusca vencedor dos irmão Fittipaldi.

O valente carrinho nasceu em 1968 sob o emblema Ford, após a compra da Willys do Brasil pela empresa americana. Ela ganhou o projeto desenvolvido pela Willys em parceria com a Renault, pros franceses foi batizado de R12 – em Torres sempre aparecem bravos R12 trazidos pelos veranistas hermanos.

Guardo algumas fotos do meu pai, gurizão, sentado no porta-malas de um. Taí, teria um 4 portas da primeira série fácil fácil. O acabamento era incrível e o Kit Binno seria indispensável.

E assim, carregando um bom bocado de história consigo, o mustanguinho  segue fazendo a alegria de quem curte carros antigos e os valoriza. É impossível olhar para um grid tão bonito e não deixar de pensar que nascer na época errada é comum, triste é não saber viver a nossa.

Na última prova uma saída de traseira marcou a trajetória, e a lata, dos Corcéis em solo gaúcho. Abaixo imagens e vídeo do acidente. Apesar do estrago, o carrinho voltou a prova e foi embora de Maverick, cheio de pose.

P.S.: Fotos e vídeo da rodada foram surrupiadas do blog do Niltão Amaral

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Tarumã – 12.06

Que belo final de semana!

24 horas de Le Mans, rodada dupla da Indy no Texas, uma corrida maluca da F1 no Canadá, Moto GP e muita coisa legal em Tarumã.

O Tarumã, ensolarado, recebeu nesse dia dos namorados as trupes da Endurance, Copa Fusca, F 1.6 e Copa Classic Gaúcha. Um barato ver o envolvimento da turma pra que tudo vá bem na pista e fora dela.

Algumas coisas que me chamaram a atenção:

– Fusca AP amarelo de José Luis Fontes e Paulo Fontes, correndo QUATRO provas, entre Classic e Endurance, sem refresco.

– Carretera do Ratão, que fez uma disputa bonita com um Opala.

– Equilíbrio entre os monopostos da F 1.6

– Diversidade da Endurance: Voyage, Fusca, Maseratti, Ferrari, Fusion Stock, Audi…

– A agitação do Niltão Amaral, correndo e divulgando o evento. (Ele e Leonardo terminaram com seu Passatão em terceiro, após soma das baterias)

Algumas fotos do dia:

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No começo dos anos 90, era tradição meu avô materno, o Sr. José Silveira, receber os filhos e netos em uma praia minúscula do litoral gaúcho, chamada Santa Terezinha. Ele teve quatro filhas e um filho, somando-se os netos, a casa ficava lotada, e as histórias rolavam soltas entre um chimarrão e um doce caseiro.

Meu avô materno é um cara admirável, daqueles com uma vida recheada. Violinista aposentado da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, dois casamentos, muitos filhos. Aliás, sou abençoado por, aos 27 anos de vida, ter os dois casais de avós vivos e fortes. Meu paterno, Ramos, que chamo carinhosamente de Capitão Durepox, soldado aposentado da ONU, hoje morador da linda Florianópolis, é outro que logo pintará por aqui.

Pois no segundo veraneio em Santa Terezinha, eu já conhecia toda a praia. Jogava bola com os mais velhos, fabricava “carros” a partir de caixas de papelão, para competir na descida das dunas. Jogava também canastra e truco na casa dos vizinhos, criava valetas para sacanear os carros argentinos que exageravam na velocidade, e tentava namorar uma menina da casa de tijolos à vista, a do começo da rua.

E junto de tudo isso, escutava as muitas histórias do Sr. José, que sempre chamei, carinhosamente, de Pedro Bó. Ele, apaixonado por corridas, e pelo Internacional, acompanhou o desenvolvimento dos dois, e vendo que seu neto era gremista, sabia qual assunto me interessava mais.

Contava-me histórias sobre as baratinhas e carreteras, que corriam em provas de longa duração, pelas ruas de Porto Alegre e estradas do Rio Grande. Que levava a família toda para a curva da Praça da Tristeza, bairro da zona sul da capital, e, de lá, via os desengonçados vê-oitos, e outros carros menores, contornarem a curva, para depois, subirem a Av. Otto Niemeyer.

Contava que, na estrada de santo Antônio da Patrulha, antiga rota para o litoral gaúcho, havia uma curva apelidada de curva da morte, depois de uma descida, o terror dos freios a tambor das pesadas carreteiras, que rumavam numa disputa Porto Alegre/Capão da Canoa.

Adorava ouvir sobre tudo aquilo. Sempre pedia para ele repetir o causo do carro que se perdeu na curva da penitenciária da Brigada Militar, no bairro Tristeza. E ele contava, rindo, da carretera que entrou muro adentro, causando o maior estrago. Que a corrida seguia, os presos fugiam, e o piloto recebia voz de prisão. Minha mãe jura que a história é verdadeira.

No Rio Grande do Sul da década de 50, praticava-se um automobilismo diferente. Como não havia autódromos fechados, as corridas aconteciam em provas nas ruas das cidades, e em estradas intermunicipais estado adentro. O calçamento geralmente não existia, era chão batido e buracos. Os carros para essas provas deveriam ser rápidos e confiáveis. Para tal, os insanos pilotos desta época pegavam os Chevy’s e Ford’s americanos, retiravam o que podiam de peso, apimentavam os motores, e alinhavam a sua carretera.

A ligação de meu avô com esses carros aparece até quando relembra uma das maiores decepções que já teve. Ele possuía um dos carros mais bonitos que circulavam por Porto Alegre, um Citroen  Traction Avanti 1954 preto, que parava o trânsito. Meu avô conta que, onde quer que fosse, recebia propostas de compra. E acabou cedendo numa irrecusável, ganhou, assim, um gordo cheque sem fundos. A briga para reaver o carro foi grande, mas quando colocou os olhos nele novamente, já tinha sido picotado, transformado em uma carretera.

O Sr. José tinha como ídolo Catharino Andreatta. Mas lembra com carinho de Breno Fornari, Feoli e Menegaz. Ele me ensinou que, passados alguns anos, em provas de estrada, as carreteras comandavam, mas nos circuitos de rua, os DKW, Fusca , Aero-Willys, Berlineta e Gordini davam trabalho. E diz que juntando tudo, o carro mais bonito que já correu por essas bandas é a carretera do Camillo.

Camillo Christófaro tinha velocidade no sangue. Sobrinho de Chico Landi, cresceu vendo os carros de Grand Prix do tio,  tornou-se mecânico e piloto. Morador do Canindé, decorava seus carros com um lobo dos gibis do filho, daí o apelido de Lobo do Canindé. E sempre levava o número 18 nos carros, uma homenagem para a sua esposa.

Camillo viu a invasão das carreteras gaúchas nas primeiras Mil Milhas em Interlagos, construiu as suas, e quando percebeu a desvantagem que elas tinham nos circuitos fechados, montou a definitiva, a Carretera n˚18.

Um pacato Chevrolet 37, que servia para transportar a família, foi severamente cortado. Teve seu entre-eixos encurtado e altura diminuida. O pára-brisas foi inclinado, a frente foi substituída por uma de alumínio, inspirada nos charutinhos da F1 dos anos 60. Os freios eram a disco, para frear a cavalaria do motor Corvette.

Camillo possuía uma Ferrari 250TR. Esse carro sofrera um acidente em 1962, onde morreu o piloto Fernando Mafra Moreira, conhecido como Rio Negro. Ele ganhou a sucata de presente de Aguinaldo de Góes Filho, o dono. Deste carro, aproveitou a suspensão traseira De Dion em detrimento dos feixes de mola e também o tanque de combustível, na sua carreteira.

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Desta mistura inusitada nasceu o carro mais marcante e vencedor do automobilismo brasileiro. De aspecto único, a carreteira de Camillo angariou uma legião de fãs. O carro correu de 1963 a 1971, nos últimos anos, ganhou largos pneus slick, que lhe deram mais competitividade.

Sua principal conquista foi a lendária Mil Milhas de 1966. Mas tanto ela, como o Brasileiro de Velocidade na Marginal do Rio Pinheiros, sobre um Lamborghini Miura, mais as participações em provas como a inauguração de Tarumã, no RS,  em Curitiba, na Guanabara, colocaram esse carro no imaginário de muitos amantes de velocidade do país inteiro, gente como o meu avô, que viu esse esporte surgir e ganhar corpo, e hoje relembra seus heróis e seus carros.

Hoje essa carretera descansa, restaurada, e entusiastas como eu e meu avô, não entendem como empresas brasileiras criam réplicas de AC Cobra e afíns, carros estrangeiros, quando poderiam oferecer aos consumidores uma réplica deste sonho, nascido no Canindé.





Bibliografia para este post:

Livro Mil Milhas Brasileiras – 50 anos ; Lívio Oricchio

http://www.obvio.ind.br/

http://brazilexporters.com/blog/index.php?blog=5&title=a_carretera_18&more=1&c=1&tb=1&pb=1

http://www.ruiamaraljr.blogspot.com

http://www.blogdosanco.blogspot.com/

www.interney.net/blogs/saloma/

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Um dos circuitos mais tradicionais do automobilismo brasileiro fica a apenas 20min de onde resido. Trata-se do Autódromo Internacional de Tarumã, que está localizado no município de Viamão, colado em Porto Alegre. Existe um bom trecho a ser percorrido para chegar nele, mas por ser feito através de três extensas avenidas, toda a distância é vencida em menos de meia hora. Eu sou morador da zona sul da cidade, porém hoje o circuito de Tarumã está distante, muito distante, não só de mim, mas dos habitantes de todas as regiões de Porto Alegre.

Aos oito anos de idade fiz com meu dindo dois passeios que me marcaram. A bordo de seu Camaro Azul emplacado em Florianópolis, rebaixado e decorado então com belas rodas e o barulho característico de um V8 small-block Chevrolet, passeei devagarzinho por uma esburacada e cheia de quebra-molas Porto Alegre dos anos 80, sem pressa nenhuma. Eu era uma criança inocente, exibida dentro do carro de sonho do meu dindo, indo ao Zoológico num sábado e a Tarumã no dia seguinte.

Do zoológico quase nada lembro. Lá descobri que não gosto nada de maçã-do-amor, mas macacos adoram. Que hipopótamos são animais estranhos e zebras tímidas.

Agora de Tarumã, lembro tudo.

Enquanto aprendia a ler reforçava o estudo folheando as revistas Quatro Rodas (eram boas) que meu pai assinava. Havia no final delas, antes da página com frases de caminhões, depois dos carros importados que só apareciam no litoral gaúcho com placas argentinas, boas páginas dedicadas ao automobilismo brasileiro. Não apenas à F1 de Piquet-Mansell-Senna-Prost e aos opalas da Stock Car. Existia o ‘’Brasileiro de marcas e pilotos’’, ‘’Copa Fiat’’, ‘’Fórmula Chevrolet’’, ‘’Fórmula 3000’’, as categorias do kart, etc. Existia automobilismo, existiam páginas sobre ele. Outros tempos.

Na ida ao zoo folheava uma revista no banco do carona daquele Camaro, não perdendo tempo com anúncios do Bosh modelo San Francisco ou Los Angeles (hoje perderia), só queria as páginas de automobilismo. No outro dia conheceria Tarumã!



Toda a família foi ao circuito que na época fervia. Chegamos cedo, nos instalamos no barranco ao fim da reta principal. Lembro-me do Camaro sempre à vista, da fumaça branca e do cheiro de churrasco vindo de todos os cantos, da reta principal virar uma pequena descida, e essa pequena descida se transformar na temível curva 1. Ao fim de tudo, um muro recheado de pneus. Que cenário!



Daquele ponto, entre um gole de Coca Cola de garrafa, carne com pão e chimarrão (quando algum adulto me oferecia), vi um show de acrobacias com carros, namorei o carro madrinha, um XR3 conversível que circulava tão exibido quanto eu dentro do Camaro,vi o grid recheado de  passats, escorts, chevettes e voyages, todos alinhados perto de mim. Lembro que esse grid rendeu muitas disputas e batidas. Torcia pelas batidas, adorei a curva 1 de Tarumã.

Tarumã recebeu a primeira corrida de Stock Car, é o palco de tradicionais provas de longa duração e ajudou a preparar pilotos e carros que fortaleceram o respeitado automobilismo brasileiro. Mas ela parou no tempo. O acesso é perigoso e confuso, estacionamentos ruins e sem segurança, a infra-estrutura para o público é quase nula, o local destinado à imprensa precisa de melhorias, assim como o de trabalho das equipes.

A pista segue maravilhosa, veloz e desafiadora, mas as categorias e o público gaúcho, amante do automobilismo, ganharam a opção do moderno Velospark em Nova Santa Rita. Tarumã fica a poucos minutos de todos que moram em Porto Alegre,.mas por essas razões o complexo se afastou de todos. Hoje recebo apenas convites para prestigiar provas de arrancadas que não me atraem, e do calendário apenas as provas da Fórmula Truck e Stock (ali não mais) são bem divulgadas.

Ela esta defasada, necessita de investimentos e para isso precisa adimitir que a Stock Car vai sim fazer falta. Perder a Stock, que ali começou deve vir como um sinal aos administradores.

Quanto ao Camaro do meu dindo, hoje ele restaura um verde, aquele pegou fogo, foi por ele mutilado e virou um carro de arrancadas, também verde. Ele queima borracha em Florianópolis, agora com um big-block , acrílicos no lugar de vidros, muita fibra e massa.

O Camaro do meu dindo está longe e perdeu o seu glamour, assim como o circuito de Tarumã.

Fontes para o post:

http://blogdosanco.blogspot.com/

http://www2.rachataruma.com.br/inicial/index.php (Não achei um site…….)

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