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Posts Tagged ‘Travessura’

Travessuras atômicas

O dicionário Michaelis tenta por que tenta me convencer que “travessura” pode ser “maldade infantil”. Como se adultos não fizessem das suas; como se toda traquinagem fosse oposição ao bem.

Como exemplo concreto, vejam o que este meu amigo aprontou já do alto dos seus 1m90cm de altura – princípios morais não me permitem revelar o seu nome.

Piloto querido da D3, defendendo a cor vermelha do seu “pinico atômico”, ele penava para acompanhar os Fuscas de Ricardo Mogames e Laércio, culpa de uma primeira marcha pra lá de longa que amarrava a sua largada. Pois o pequeno travesso, após uma noite de cálculos, decidiu apostar em uma relação de marchas onde a 1ª e 2ª fossem mais curtas, alongando a 3 ª e 4 ª, e com ela foi aos treinos.

Assim como criança que fez arte treme ao ser pega por um pai brabo, varinha de marmelo em mãos, piloto foge de chefe de equipe/preparador/mecânico furioso. O ponteiro espia do conta-giros, que marca o giro máximo alcançado e só pode ser “zerado” com uma chave, faz o papel de dedo-duro nessa história.

Acompanhem e imaginem a cena, no começo do treino:

“Mandaram eu dar umas voltas só para experimentar, ver se não vazava nada e estava tudo certo, para depois andar forte. Sempre deixava um Rolex que ganhei de minha mãe quando fiz 14 anos, uma relíquia, com alguém da equipe. Nesse dia escutei: Pô, para dar umas voltinhas, vai até sem luvas!

Quando estava saindo do Box, já entrando no Retão, vi que o espelho da esquerda estava fora do lugar e tentei colocar a mão pela vigia para arrumar. Todo desajeitado, coloquei a mão na vigia e meu precioso relógio soltou! Quando fiz o movimento para segurar, acelerei a barata – Acho que na 2ª marcha, quando vi o motor estava voando!!!! Olhei o conta-giros e estava a uns 9.000 rpm.

Fez um buraco no bloco, uma parte da biela foi parar uns cem metros longe, fiquei lá com cara de bunda esperando a bronca.”

Pois como também diz o Michaelis, travessura pode ser “malícia”. E por saber que iriam fazer arte esse meu amigo conta, ele que vive várias histórias, que vários pilotos entravam no carro com uma chave secretamente copiada na manga – assim podiam zerar o seu conta-giros e voltar aos boxes com caras de santos.

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Este post é uma homenagem ao amigo Rui Amaral, do baita blog Histórias que vivemos, e que se estende a todos os pilotos e fãs dos saudosos pinicos atômicos.

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