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Posts Tagged ‘Vida que Segue’

Raios Kubicos

Raios

Mostrasse eu a foto abaixo para algum andarilho do campus onde estudo, falando que aquele cara é muito sortudo e vencedor, por certo teria boas chances de ouvir: Ô! Todo homem que tem uma companheira fã de Beatles é…

Raios²

Kubica tem muita sorte, nasceu com simpatia e talento ao volante contagiantes. Tornou-se, pelo seu estilo, um dos pilotos mais populares da F1 estando sempre à margem das equipes de ponta. Em 2010 fez a torcida ganha nos seus anos de BMW acreditar em conquistas, nele tirou o máximo da sua Renault.

Ninguém sabe o que a temporada de 2011 da categoria traria para ele, mas sentimos – nós que gostamos da sua figura e de certa forma vivemos o esporte – no osso o que o começo do ano trouxe fora dela.

Raios³

Esse cara apoiado em muletas é um vencedor, está vivo. Sorte, por uma pequena distância a lâmina daquela murada não torna o trauma sofrido muito pior. Nesse momento, apenas o carisma e o talento que ele carrega justificam alguém olhar pra essa foto e pensar, de imediato, em prazos para vê-lo nas pistas novamente.

Kubica tem uma noiva fã de Beatles, certamente planos para uma família, familiares e amigos, está vivo e começará a luta para recuperar toda a funcionalidade do seu braço direito. Sim, seria incrível se ele, assim como Piquet fez com Indianápolis, legitimasse a sua maior vitória sentando novamente num carro de corridas, mas, agora, basta tê-lo de pé e inteiro, novamente.

Valeu, Kubica.

P.s.: É sempre justo e honesto dar créditos, né? Logo, a foto foi retirada do http://globoesporte.globo.com, que por sua vez a tirou do http://www.Fakt.pl

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Obrigado, vô

Difícil. Aos 28 anos de idade perco meu primeiro parente próximo. Meu avô paterno acaba de ficar um pouco mais longe.

Ramos, nome do vô, foi um baita cara e teve uma bela vida. Soldado da ONU, patrulhou a Faixa de Gaza quando foi criado o Estado de Israel, depois foi professor universitário, pintor e chefe escoteiro.

O texto abaixo faz parte das suas memórias sobre o período em que participou do Batalhão de Suez. Seus diários dariam um belo livro.

DE MEU CADERNO DE VIAGEM

Através do Atlântico – O “Show” das Toninhas –

O Cemitério Brasileiro no Mar – Viajores Luminescentes

Vejam, são três aqui!… Não, são cinco, olhem!…” Correria sobre o chão de ferro, vai ribombando como num gigantesco tambor. E a calma do banho de sol é rompida.

Todos se apinham no bico da proa para ver o “ show das toninhas”, dizia o Paulo de Tarso, meu companheiro de missão. Vinham, graciosas, de todos os lados, e parecia que sentiam alegria ao encontrar o navio. Cinzentas e roliças, dois metros, contorcendo-se em lances coleantes e rápidos, o suficiente para manter-se alinhadas, lado a lado; sem atraso, por uma hora, junto da quilha. Ao saltarem até fora da água para se adiantar, elas tinham o cuidado de virar-se de lado e nos olhar, como se entendessem os nossos aplausos. Estamos a recordar momentos vividos a bordo do ‘’Ary Parreiras’’, navio transporte de tropas de nossa Marinha, no rumo do Oriente Médio, integrando a Força de Emergência das Nações Unidas, na missão de guardar a integridade da Linha de Armistício estabelecida entre árabes e israelenses, na Faixa de Gaza.

Agora, atravessando o Atlântico. Este oceano, hoje tão calmo, nos deu, por vezes, alguma preocupação, quando violentos vagalhões se voltavam contra nós.

Era a luta de Netuno contra Éolo pelo domínio desta imensidão. E o ‘’Ary Parreiras’’, com seus cento e vinte metrinhos de comprimento, vai seguindo, firme na sua rota …Dois dias fazia que alguém gritara: ‘’ Meu Deus, isso que é Fernando Noronha? … Só se vê pontas de pedra espetando o céu”, enquanto eu admirava o contraste das linhas duras do mastro e da sua amarração, a suavidade do céu, o seu azul lá em cima, o seu rosado era tão pálido e bonito no horizonte… mas aquela coluna densa de fuligem que o chaminé despedia em baforadas, à cadência em que pulsavam as máquina, subia quase perpendicular e, muito alto, espargia-se num cogumelo, sujando o azul tão puro. Tudo justificava aquele mormaço; nem brisa, só calor… O mastro então, é um pêndulo preguiçoso, enfiado no meio do cordame, teso e mudo…parece a piteira do meu companheiro aqui do lado, muito comprida e metida entre os fiapos do bigode… tudo é calma, calma demais….também pudera! O sol está gostosamente morno, parece estar aqui fumando, a olhar o céu. Mas de repente, toda a calma se esboroa. Jato de vapor muito branco insurge-se contra a coluna negra que sobe da chaminé e vai abrindo caminho para um desagradável silvo: “Puhuuu…” Soprado rouco, intempestivo e desagradável mesmo! É de pensar-se: “Será que este maquinista não respeita a” Lei de Sossego Em Alto Mar?”… Mas todos se levantam, embora de cara azeda para ouvir o alto-falante: “Golfo vinte e uno”– código de identificação do navio-“ Atenção tropa” – isso e pra nós, pensei – “ Atenção Guarnição!”- ih… não , é pra todo o mundo- conclui; mas talvez seja um daqueles exercícios de “abandono de navio,’’ quando a gente só tem que correr e se procupar com duas coisas: o salva-vidas e o lugar junto ao bote de borracha

‘’– Atenção! Em trinta minutos, formatura geral. Uniforme: O de Parada’’.

Na corrida para não se atrasar, não sentimos aquela meia-hora passar, então, já o sol era uma linda laranja, mergulhando no oceano e pintando de bronze a face dos oficiais reunidos no convés superior. O Comandante diz , emocionado, algumas palavras e lança ao mar uma grande coroa de flores. No mesmo instante a bandeira nacional, acompanhando o movimento do sol, desce do mastro, para repousar também, enquanto a coroa desliza sobre o cemitério brasileiro… nesta região, onde mais de trinta navios brasileiros foram torpedeados e afundados por submarinos alemães, durante a II Grande Guerra. O primeiro navio torpedeado foi o “Cabedelo’’ e o último foi o ‘’Campos’’, levando para as profundezas um milhar de criaturas, nos anos l942-43.. E a travessia continua. Você sabe como é o brasileiro, para cada momento, às vezes mesmo triste, arranja um piada. E isso muito ajuda para quebrar a monotonia de uma viagem longa.’’…Doze nós… desse jeito tiraremos nosso tempo como marujos…soltou essa alguém, mas já ouviu; ‘’Cala-te seu trouxa, o negócio é demorar mesmo, para ganharmos do Tio Sam, tutu verde, seu paspalho, verdinho, tá ?… De outra feita: sol fazia brilhar o dorso de uma baleia que esquichava no azul ao longe. Diz o ingênuo virtuoso ‘’Olhem, é toda branquinha, é a Moby Dick…. já alguém rebateu: É sim, pateta, mas a tetra-netinha dela, eu sou o Qui-Que-Quod e tu seu… és o filhote dela mesmo!’’ Vejam que coincidência e a ironia do momento. É que quem recebeu toda a carga de ironia, foi o pobre do gordinho Frederico. Nova ordem, ressoa, cortando nossas risadas: ‘’Golfo Vinte e Uno – o código de nosso navio- Amanhã, às cinco horas e trinta mintos, atravessaremos a Linha do Equador…’’

À noite, para evitar o beliche e o enjôo, fui esperar o sono bem sentado lá no meio da “ balança”- espaço no centro do navio. Mas queria olhar o mar. Então entrego-me à contemplação da massa leitosa que, ciclicamente, vem chocar-se contra o casco do navio. Referve espumante, afasta-se e deixa à mostra uma escuridão intensa, para depois tornar a investir, tão branca… rugindo agressiva. Num desses intervalos dos choques surdos na muralha ir de e férrea, fascinaram-me o olhar, milhares de estrelinhas convergindo para mim. Parecia que todas combinassem ir de encontro a um ponto situado a dois metros abaixo da linha da água e do meu olhar. Aglomeradas, agora, num foco grande e esférico, quase me ofusca a vista e, repentinamente, com uma explosão de luz silenciosa, afastam-se rapidamente, como se um circuito acumulado de carga elétrica fosse deflagrado.O que tanto me encantou, nada mais eram que esses maravilhoses viajores luminiscentes que se chamam “planctons”. Micro-organismos constituídos de moléculas de magnésio. São radioativos, portanto, e comestíveis. Enfim, uma curiosidade que se revela àqueles que contemplam a magnitude das pequeninas coisas deste grande mundo, tão pouco conhecidos por muitos.

Às duas da matina, encantado com reflexões, com essas visões fascinantes, tonto de sono, fui em busca do meu beliche no alojamento Avante I, arrastando os pés para não tropeçar em nada, ouvia o rugir das ondas que se agitavam por sobre a proa…. a porta de ferro ringiu para eu entrar. Alguém acordou e quis me gozar, vendo minha chegada como um duende madrugador: “Malandro, hein?, foi dar uma voltinha na praça…”

(Continua)

Sim vô, continua!

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