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Posts Tagged ‘vida’

Contra o que for hereditário

A cada parto, a cada luto;

A cada perda, a cada lucro…

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Essa imagem anda rolando pelo Tumblr e é das coisas que eu sempre pensei em montar.

Cá entre nós: que incrível essa Toleman, né?

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O destino num cubo mágico

Pois o destino é um cubo mágico. Daqueles que foram moda, venderam aos montes e agora devem estar todos engavetados, que poucos afortunados conseguem sucesso durante a brincadeira.

Somos lembrados de que o destino é isso a todo o momento: “O senhor não autenticou o protocolo de requerimento, complete duas linhas verdes e volte aqui”. Viver podia ser tão mais fácil. Aliás, é justo avisar que a sua companhia perfeita pode estar ali na face amarela completa, mas pedaços de outras cores tenderão a entrar no caminho primeiro.

Montar cada face, colocando peças no lugar e hora corretos. Ao acordar, escolher entre uma roupa sóbria ou colorida; entre o novo tênis branco ou o surrado vermelho; ir de carro ou tirar a bicicleta da garagem.

Giramos as peças, giram as peças por nós, mas não deve existir dúvida de que toda vitória justa só acontece quando ninguém ajeita o nosso lado. Isso só cabe a você, por mais quadrado que seja.

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Hoje completei mais uma linha na montagem do meu, outro semestre da Faculdade de História passou.

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Segura essa barata…

O importante, na vida corrida, é nunca deixar a traseira passar a frente da barata.

Simbora que já é junho.

 

 

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Lembro bem o que representou o caso Ben Johnson na minha infância. No final de 1988 o canadense estava, em virtude do escândalo de doping nas Olimpíadas de Seul, em revistas, jornais e na minha aulinha de educação física.

Infográficos, palestras com as conseqüências pro organismo, lições de espírito esportivo e olímpico…  A minha geração teve ali um forte exemplo de deslealdade, e viu os desdobramentos dele – no joguinho das Olimpíadas que tinha no meu Atari, teria que punhetear até a morte o controle pra ser o Ben Johnson daqueles 100m rasos.

Indiscutível. Esporte é vida, fator de inserção social, caminho saudável e que deve estar presente na rotina de qualquer criança durante seu desenvolvimento. Crianças são influenciáveis.

Opa! Temos uma analogia. Permitam-me, acho válida.

Na relação pai e filho, cabe ao primeiro educar, impor limites, guiar e mostrar as conseqüências das “artes” feitas, do valor do estudo e do caráter.  Crianças, por natureza, adoram desafiar os limites impostos pelos pais.

Um jovem que começa a praticar um esporte precisa de referenciais. Educação, do corpo e da mente, andam juntas na formação de um indivíduo que, sempre espelhado nos exemplos e nas atitudes de quem já está em um nível superior, procura evoluir a cada dia.

Quem “educa” e dá limites para esses atletas referenciais, já em níveis superiores, nunca deve ter a postura de um pai omisso, que passa a mão na cabeça, acoberta e empurra com a barriga os problemas existentes na sua casa.

É fundamental que alguns caminhos sejam sempre claros. Mas, infelizmente, os pais também erram.

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Desenlaces

Um amigo meu vai vender o seu carro.

Ele, casado e já pai de família, pretende desfazer-se, afastar-se, deixar de somar novas marcas no hodômetro do seu protegido.

Deve estar maluco, largar assim seu sonho de metal nas mãos de outro Vital.

Abandonar um filho adotivo, encontrado sem documentos, filiação e totalmente dependente do novo protetor. Que reaprendeu a andar e a parar; rejuvenesceu recuperando a sua identidade e os seus traços cromados; que fez das suas artes e traquinagens para depois, enfim, ser levado ao cartório.

“Nome tal, filho de, nascido em, vulgo isso, eu, o despachante, dou fé.”

Deixar um(a) ótimo(a) companheiro(a) nas mãos de outro alguém. Após bons passeios, muitas conversas e confissões, fotos e estórias. Após exibirem-se, sabendo de ego contente que outros humanos o(a) olhavam. Depois de criar um círculo de amigos ao redor desta companhia, e a companhia nunca reclamar da atenção prestada à eles.

Mas entendo o meu amigo. Ele é casado e pai de família, essa parte de sua história surge, diariamente, através das mãos de outro artista. Mas ele pode renovar-se, deixar de ser passageiro indefeso na sua trajetória para então criar nela subtítulos, assumindo míniprojetos e se alimentando deles, criando parte de si mesmo.

A missão com aquele ser querido terminou, um não soma mais nada ao outro. A porção que agora falta está em outro agregado mecânico que logo será trazido para a família.

Eu entendo.

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O meu Saramago

Saramago partiu.

O escritor, que afirmou que a pior coisa da morte é o não mais estar, faleceu, aos 87 anos de vida.

Saramago foi daqueles seres que, em vida, ganharam dimensões extraterritoriais, atemporais, muito maiores que as do seu corpo velho, que tanto em vida produziu.

Tornou-se cidadão do mundo, pelo alcance e influência de sua obra. Nunca mais Saramago do Distrito de Santarém, Saramago do mundo! Da mesma turma dos não mais Quintana de Porto Alegre, Drummond das Minas Gerais, Cervantes da Espanha… Todos, patrimônios culturais, acima das fronteiras desse mundo.

E sem fronteiras, Saramago viveu nesta nossa época de rápido deslocamento físico pelos continentes, e de informação, pelos meios que dispomos. E, como cada um de nós, fez uso das ferramentas disponíveis.

Conectou-se na rede através de um blog , defendeu as suas ideologias políticas em fóruns e palestras mundo afora, e, talvez,  toda essa contemporaneidade de atividades, para muitos, o tenha restringido como aquele escritor ateu, comunista, pessimista e de longas frases,  saído de Portugal.

Triste estereótipo, aceito apenas por quem nunca o leu, ou, por aqueles não tenham a capacidade de retirar de um texto mais do que as letras ditam, no seu preto no branco.

Eu ingressei, alguns anos atrás, na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Chegar lá foi uma luta, era o meu êxito e a realização de todos os meus familiares. Mas, a vivência do curso, o dia-a-dia dos estudos, cada nova cadeira, tudo, era uma nova confirmação de que estava fora do meu lugar.

E, em meio a esta frustração que era a minha realidade, resolvi passar os intervalos vagos entre as cadeiras dentro da biblioteca do campus. Lá, encarei o meu primeiro grande livro. Com o Jesus Cristo humano e questionador de Saramago, com o Deus de um plano imperfeito de “O evangelho segundo Jesus Cristo”, eu, nada ateu, nada comunista, longe da idade e do brilhantismo no autor, entendi que a minha cruz não deveria ser carregada por aquele caminho, e o mudei, e o estou mudando, desde então.

Faleceu o nosso Saramago, mas ele sempre estará por aí. Vivo, influente e desafiador, nas linhas que escreveu.

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