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Posts Tagged ‘vocação’

Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros

De forma ocasional, enquanto organizava alguns materiais para estudar ao longo da semana, esbarrei em pequenas coisas que me chamaram a atenção e me fizeram perceber, quase como uma revelação,  algo que já deve ser uma verdade evidente para muitos.

Ultimamente venho tendo a felicidade de conhecer e trocar ideias com pessoas incríveis, todas elas de regiões, idades, profissões e rotinas muito diferentes umas das outras. Chato que sou, certamente ainda de maneira ingênua, tento aprender o máximo com aqueles que tem mais bagagem;  seria muito burro da minha parte não “bancar  a esponja” durante essas conversas.

Eis que, enquanto organizava as minhas coisas, achei algo que ando bolando para colocar futuramente no retrovisor do carro que estou reformando. Passatempo puro, vou prendendo em uma espécie de cordão os ingressos dos shows que já fui na vida, para depois, talvez, pendurar no retrovisor do carrinho já reformado.

Pensando nessas coisas que ocupam o tempo livre, me chamou a atenção a existência de algo em comum na vida das pessoas mais legais que ando conhecendo nos últimos tempos. Todas elas apresentam um projeto paralelo, um hobby que envolva um certo comprometimento, todas trabalham também para si em determinadas horas da semana.

Nascendo a vontade

Deve ser muita pretensão achar que as individualidades se contentarão com um dia-a-dia todo voltado para atividades que trarão benefícios apenas para terceiros, um salário frio e a virada para o mês seguinte. Ainda mais se for num contexto de rotina maçante, com bem pouco bem-estar.

Essas mesmas individualidades, cada uma do seu modo, procuram algo gratificante para ocupar o tempo livre. Seja uma coleção de gibis, um álbum de figurinhas, montagem de carrinhos em miniatura ou a reforma de um antigo de verdade. Na escolha do hobby vai muito da personalidade das pessoas, obtida durante a sua formação.

O carro com que o avô levava a criança para a escola, um trauma pelo álbum de figurinhas nunca completado em alguma Copa passada, a arte gráfica de um gibi, uma coleção de motos inspiradas no filme Easy Rider. Filme que pode ter sido assistido anos atrás depois da aula, com um gibi esquecido na mão, comprado com a grana que deveria ser usada em um pacote de figurinha do álbum da Copa, aquela. Quem disse que um hobby apenas é a lei?

Comprando a ideia

Partindo da premissa que aquilo que é feito de bom grado e por iniciativa própria é executado com o máximo de esmero, todo projeto paralelo tem o seu valor, sempre superestimado por quem se dedica a ele, claro. Essa relação de comprometimento e troca começa no momento que abraçamos uma causa, e ela é mantida sabe-se lá por quanto tempo.

Nenhum dinheiro deste mundo compra, por exemplo, a pujante coleção de ímãs de geladeira da mãe de um amigo. Cada simpático objeto traz recordações de viagens e momentos, a ponto dela se animar e começar a criar os seus próprios. Os artesanatos, comprados ou criados, transformaram aquela porta branca de metal numa espécie de relicário aberto, multicolorido, um dos orgulhos da Tia Neide.

Curtindo o resultado

Nada que desmereça esta história, mas todo trabalho realizado com dedicação e carinho, para que se chegue ao resultado de algo único e desejável, é feito também com o intuito de ser mostrado. Todo dono de um hobby é, no fundo, um grande exibido.

Existem aqueles que realizam essas obras com tanto talento que elas naturalmente viram atividade de trabalho, fonte de renda e reconhecimento. Objetos artesanais, artes gráficas digitais ou não, textos, poesias… Quando algo que começa como um passatempo torna-se coisa séria, é porque a vocação foi posta a prova e confirmada.

O que vale, no final das contas, é a escapada constante da rotina, o momento de trabalhar para si, crescer como pessoa. Não existe terapia melhor que correr atrás de um projeto pessoal, seja ele simples ou não. Estudar, comprar materiais, trocar idéias e experiências, fazer o máximo para que aquilo que tanto pode ter começado como uma paixão arrebatadora, ou uma coceira despretensiosa, torne-se uma prazerosa maneira de enriquecer o cotidiano, para depois, a obra pronta ser mostrada com muito orgulho.

Em que pé anda o seu hobby da vez?

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