Feeds:
Posts
Comentários

Deux Chevaux

O cenário é o seguinte: um jornalista acostumado a disputar corridas e a fazer curvas no limite durante seus testes com carros esportivos nos mostra seu novo brinquedo. Citroen 2cv, seu sonho de infância, antítese de todos os carros que já mostrou em vídeo.

Chris, um dos integrantes do canal petrolhead Drive, do youtube,  apresenta e convida para um passeio no seu 2cv. Pouca velocidade, adrenalina e emoção; muitos detalhes e diversão.

Vai curtir a tua aposentadoria, mas não some do mundo.

Um dia te compro.

Como tantas outras crianças, aprendi a ler frases curtas um pouco antes do normal na caminhada escolar. Matemática até hoje não consegui, mas com palavras simples comecei a brincar cedo, sem muito acompanhamento.

Uma das coisas que lembro dessa época era a minha frustração ao tentar ler revistinhas. Como fui meio autônomo, não compreendia a convenção da leitura dos quadrinhos e tentava acompanhar a história no sentido vertical; desse modo, a menos que  a narrativa fosse muito óbvia, eu não compreendia – tempos depois lembro ter tido uma espécie de déjà vu ao pegar uma revista da Marvel e ficar perdido novamente.

“Como espetam as pontas das páginas do tempo (…)”, resmungaria Jack Kerouac em um dos seus romances*. É possível fazer uma relação interessante entre a lógica de uma história narrada com uso de imagens e a percepção da passagem do tempo que o artista tinha à época em que a criou.

Thompson, em Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial**, que ficaria popularmente conhecido como o “texto dos reloginhos”, aponta como se deu a grande revolução na percepção da passagem do tempo do século XIV em diante. Ele mostra como o relógio marcou uma transformação no cotidiano das pessoas: antes, num ambiente rural, suas atividades eram pautadas em ritmo próprio pelos trabalhos junto aos animais, pelo canto do galo, pela luz solar – nas cidades, o sino da igreja marcava uma forte referência temporal;  porém, com a popularização dos relógios, vieram novas referências que resultariam em uma vida regrada, no ritmo dentro da revolução industrial, nos prazos e no afastamento dos familiares – e o ponteiro dos minutos surgiria para atender a moderna necessidade de existirem mais “escalas” ao longo do dia.

As ilustrações nos códices e nos grandes afrescos medievais são ótimas fontes para observarmos essa transformação. Os artistas desse período gravavam as suas narrativa dentro de uma lógica própria.  Como ilustra abaixo a “Adoração dos Magos”, de Gentile da Fabriano (1370 – 1427), as ações se desenrolavam em uma grande “frame”, ou numa sequencia de imagens, onde é comum encontrarmos ao centro ou em tamanho destacado o personagem principal  em uma período marcante; ao passo que ao seu redor se desenrolam , sem ordem definida ou linear, outras etapas de sua vida e/ou da história contada.

Gentile_da_Fabriano_Adoration

Avançando no tempo, foi do estadunidense Richard Outcault (1863 – 1928) uma das primeiras histórias  montadas no modelo que seguimos atualmente. No final do Século XIX, esse artista aperfeiçoou suas tirinhas de jornal para um formato que cairia no gosto dos leitores e evoluiria para histórias maiores e mais complexas, que são tão populares na cultura contemporânea a ponto de influenciarem diferentes centros e migrarem para outras mídias, como o cinema, atingindo ainda mais pessoas.

yellowkidEste processo foi iniciado em uma imprensa que, assim como o relógio, marca muito particularmente a passagem do tempo  – quinzenal, semanal, diário – entre uma comunidade. Além de aproximar histórias e difundir pensamentos e sonhos, ela cria os laços traduzidos nos dramas, polêmicas e dificuldades comuns aos leitores dessa comunidade.

É necessário lembrar, também, que muito antes de tudo isso, as paredes de Lascaux já recebiam narrativas de caçadas e rituais – feitas aproximadamente 15.000 anos atrás, dentro de uma lógica totalmente distinta (e, nesse caso, acredito que original). As paredes dessas cavernas mostram como é humano o ato de criar uma arte para que outras pessoas entrem em contato com histórias, e também como é desafiante para seres de épocas diferentes as compreenderem totalmente.

Eu gosto de pensar que a audiência de Lascaux vivia no paraíso da ausência dos compromissos modernos, quase como eu há muitos anos atrás, quando pegava uma revistinha em quadrinhos apenas para tentar decifrar seus códices.

Ah, como espetam essas pontas das páginas do tempo…

*******

* Kerouac, em Os Subterrâneos.

** THOMPSON, Edward P. Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras, 1998

Esse texto foi construídos ao longo de meses, quando o tédio batie, e nasceu com forte influência da professora da UFRGS Cláudia Mauch.

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-historias-em-quadrinhos

72 Martini, Dry

A receita abaixo foi retirada do portal da Veja/SP. Segundo o sagaz barman Kascão, o caminho do coquetel perfeito passa por:

“3 gotas de vermute; 100ml de gim seco; Cubos de gelo e 1 azeitona verde com caroço. Encha uma coqueteleira com cubos de gelo e retire o excesso de água. Pingue três gotas de vermute, de preferência francês, e misture com uma colher. Em seguida, despeje na coqueteleira o gim seco. Mexa novamente durante dez segundos. Coe a mistura e despeje na taça própria de martini, que deve estar bem gelada.”

Acho que se eu tomar essa poção aí, algo estranho acontecerá nas minhas entranhas. Melhor evitar, abrir uma cerveja, e curtir um outro lado da história.

******

1978 Porsche 935 Moby Dick_www.scorpiocars.net

O carro acima faz parte da minha infância. Eu tinha uma miniatura plástica linda, da Glasslite, com um avanço nos eixos que permita que ficasse em duas rodas (tal e qual o Herbie nos filmes).

Um pouco além do mundo lúdico, falamos do Porsche modelo 935, o “Moby Dick”. Lindo, esguio e com monstruosas rodas traseiras; carro que chegou apenas em oitavo na Le Mans de 1978.

Quanto ao meu brinquedo, eu sempre pensei que fosse Martini o nome do carro – como o Gol do avô ou o Chevette do pai, até compreender como as coisas funcionam.

******

E hoje tivemos a confirmação da parceria entre Williams e Martini. Um resgate, um belo resgate, de duas mãos: por um lado daquilo que pintava as carenagens das pistas de anos atrás, do nosso Moco, por outro da grandeza desse time que teima e não se entrega.

Como não torcer para que as coisas voltem aos eixos na equipe do ídolo Frank?

WooW

Lindo, lindo.

Parabéns aos responsáveis por esse material.

Longa vida ao Toni e aos seus Biancos!

O Portal

riverraid

Outra lembrança: a chave seletora “tv – videogame”  que ficava atrás da televisão. A caixinha, pendurada por duas conexões quebradiças, era uma espécie de portal de entrada para outra dimensão – ela separava os programas que a minha família assistia das minhas aventuras no Atari.

A chave corria em uma canaleta direto para a posição correta, fazendo com que a imagem do cartucho do videogame fosse projetada no canal da tv. Caso algum ajuste fino fosse ainda necessário, existiam no meu aparelho de 14 polegadas os controles do “vertical” e “horizontal”, pois algumas televisões cortavam partes das telas dos jogos – geralmente onde ficavam as contagens de tempo e a pontuação.

Certa vez entrei num dilema, e só esta caixinha mágica podia me ajudar. Acontece que ia passar um episódio imperdível da Super-Máquina  (compreendam, todos eram), e eu havia finalmente ganho o cartucho do Hero – que tanto jogava quando ia na casa daquele vizinho que não emprestava suas coisas. Para sair dessa, minha mente bolou a seguinte estratégia: colocando a chave seletora no meio do caminho entre as posições “tv” e  “videogame” eu certamente conseguiria dividir a minha tela e fazer as duas coisas ao mesmo tempo! Claro!

Triste ilusão. Devo ter perdido uns 10 minutos tentando. Ah, o fracasso. Desliguei tudo, coloquei videogame e cartuchos no rack, peguei minhas coisas e me mandei pra rua brincar. Naquele tempo a gente – pasmem – brincava na rua; porém, hoje vocês podem dividir a tela das televisões sem complicações. Estamos empatados?

caixa-seletora

****

P.s.: Esse texto saiu depois que o @e001 publicou em seu twitter a sua primeira compra de 2014, um Atari. Verdade ou não, afinal troll não tem coração, o textinho surgiu.

O pessoal da Sky Sports, que manda muito bem nas suas jornadas, fez esse material mostrando as mudanças técnicas para a F1 em 2014.

Nesse momento projetistas e engenheiros devem estar à mil, simulando, testando e descartando as novas criações – e a equipe de espiões atenta a tudo. Há boatos de que os novos motores  da Ferrari e Renault vem sendo aperfeiçoados em “mulas”, e também de que os bicos dianteiros dos carros serão medonhos como nunca.

Fato é que uma mudança significativa dessa nas regras do jogo provavelmente alterará o balanço das forças que disputam o torneio. Daí vem a minha grande dúvida: precisava criar essa tal pontuação dobrada na última rodada?  E como penso que a resposta é não, tento vislumbrar como serão os jogos de equipe e posturas dos pilotos postulantes ao título nessa prova que valerá por duas.

Que venha 2014

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.